Psicodélica


Sorte
março 21, 2010, 4:11 am
Filed under: Nerd, Sarcasmo

Acabo por parar na casa dos meus pais no sábado. É longe. É afastado. É estúpido. Mesmo assim, contra todas as chances, eu consigo uma carona para uma festinha amistosa acontecendo no centro, onde eu deveria estar, de um modo ou de outro. Mas, OK, eu já tenho carona. Tudo certo.

Puf! Falta luz.

Mas e daí?! Não seria problema se não fosse o fato de todos os telefones daqui serem sem fio. Ou seja: Sem luz, sem telefone. E adivinhe o que minha carona me disseno msn, um pouquinho antes do blackout?!

“Vou te ligar quando tiver saindo.”

Mas não tem problema, tem?! Afinal, mundo globalizado, mundo tecnologicamente avançado, todos temos celulares que não dependem diretamente das garras da companhia elétrica, não é?! NÃO É?!

Não sei como, mas meu telefone deixou de receber sinal também. Como se tivesse um plug mistico com a minha desgraça, ele simplesmente PAROU DE FUNCIONAR como um celular deveria. Ligaria (!) mas nunca completaria a chamada e, aparentemente, estava completamente incapaz de receber ligações, independente de serem a cobrar ou não (!!).

Resultados, óbvios: Em cinco minutos volta a luz e sinal do telefone ao mesmo tempo. Checo o meu computador para mensagens off-line e, surpresa: Havia uma mensagem do meu carona, datada de dois minutos atrás, dizendo:

“Cara, liguei para você, mas não consegui. Seu celular e o da tua casa não atenderam. Acabei não indo ai então.”

To aqui agora, descarregando raiva simbolizada em palavras. Não é o fato de perder a festinha que me irrita. O que não foi aproveitado hoje pode ser compensado amanhã. O que me irrita são essas malditas piadas que se tornam meus problemas, que me deixam impossibilitado de culpar alguem que não seja uma entidade mistica malvada puxando as minhas cordinhas. Se fosse alguém que eu pudesse bater, pelo menos…

Divirtam-se, malditos moradores do centro. Que engasguem com a vodka fedida de vocês.

Slowly becoming an hero…

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Convite
março 15, 2010, 7:49 pm
Filed under: Outros

Acontecimentos recentes me fizeram vislumbrar o quanto a vida é demarcada pelos convites que recebemos em determinadas fases, e como esses acontecimentos são denominadores comuns em cada parte das nossas lembranças.

Penso que quando tínhamos de quatro a quatorze anos, recebíamos aqueles infames convites às festas de crianças ou de parentes mais velhos. Aliás, “convites” na verdade, pois muito provavelmente todos nós fomos coagidos a estas ocasiões, com severas ameaças de privações materiais.

De quinze a vinte e poucos, creio que todos lembram que foi a fase de receber aqueles vaidosos convites de quinze anos – “quianzolas!” – quer dizer, até mesmo eu (anti-social convicto e, de qualquer forma, alguém não muito requisitado aos badalos das rodas sociais) recebi uns dois ou três nessa época. E eu lembro que a sala de aula daquele tempo fervilhava com essas festinhas.

Então vem a fase dos vinte e dois aos vinte e seis: convites de formatura. Já fui convidado a uns vários e muitos outros me parecem ainda vir. Vejo meus amigos e inimigos antigos se formando, tomando um rumo nem sempre previsível em suas vidas, nem sempre justo ou correto (às vezes apenas uma extensão da vida passada deles), mas de qualquer forma, a vida segue com esse inexorável enviar de convites.

Bem, a partir daqui eu apenas posso especular sobre o que virá depois. Mas eu posso imaginar com alguma exatidão os próximos convites a vir.

Não creio que exista muito mais o que comemorar a partir daqui, a não ser o fato de ainda estar respirando, o que ninguém mais comemora – por enquanto. Penso que agora virão aqueles convites de capa negra, nem sempre formalizados em papel, mas estampados na forma de uma percepção sobre a natureza das coisas.

Casualmente pela rua, na praça ou no trabalho, encontraremos os velhos conhecidos que quando lhe dirigirmos as boas maneiras padrões, contarão as histórias de seus animais de estimação que, chegando ao final de suas curtas (mas longas o bastante) vidas, deixam para trás um sentimento desconfortável, como um dedo ossudo e descarnado que cutuca as nossas costas e quando viramos, já se foi o que quer que estivesse ali.

A partir daqui, viria de pouco a pouco: convite para o enterro de algum tio-avô longínquo, o tio de alguém, etc. Depois, missa de sétimo dia de nossa avó, sua madrinha, aquela tia amada ou de um meio irmão mais velho. Depois, nossos pais, nossos amigos…

Ora, o último convite me impõe uma pergunta óbvia: Podemos nós próprios sermos convidados ao nosso enterro –ora! Somos indispensáveis nesse festejo e de forma alguma deixaremos de estar lá! – ou seria o fato de estarmos mortos e decompostos uma séria limitação ao status de “convidado”? Afinal, não seriamos nós não convidados, mas sim intimados – como um prisioneiro frente ao juiz – a esta?

Bom, mas de qualquer forma, alguém receberá o convite para nos ver inertes na ultima casa que habitaremos…

Ou será que não?