Psicodélica


Análises Parte 2 – Inner Garden
janeiro 17, 2011, 6:55 pm
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Continuando a série de posts com a interpretação de duas músicas do King Crimson, hoje trataremos da segunda, chamada Inner garden que é dividida no CD Thrak em partes I e II. Eu poderia aplicar o mesmo conceito aplicado à primeira música (One Time) de desvendar símbolo por símbolo (o que quer dizer, a priori, transformar a música numa série de símbolos interpretáveis e então ir, um a um, desvendando o seu significado), mas creio que uma técnica diferente possa ser utilizada à música em questão por uma série de fatores que compartilho aqui com vocês.

Na verdade eu proponho mais que uma mudança no método pelo qual podemos entender um pretenso significado para esta música. Gostaria de propor nada menos que o oposto disto, uma interpretação que não busca um significado, mas a sua antítese, um não-entendimento da música para que, mesmo ao custo de uma aparente não-apreensão do valor da música, possamos chegar a uma construção diferente daquela que se espera da razão ilusória das leis conscientes.

Que diabos eu acabei de falar, não é?

Só será possível o entendimento da questão revelando o meu recente interesse pela estética Surrealista, que já conhecia através da obra clássica de Salvador Dalí, mas que só me foi apresentada “formalmente” pelo meu colega Bendelak, um companheiro psicanalítico com o qual estudo algumas coisa, incluindo o gênero em questão. Disse “formalmente”, pois ele, entre muitas coisas, me apresentou os trabalhos de André Breton e a sua escrita automática, que são o fundamento da estética surrealista.

Não quero me aprofundar na questão surrealista, exceto em um ponto: a valorização da cena que o surrealista opera. Breton fala no “Manifesto Surrealista” que a imaginação é a única forma pela qual se pode adivinhar o que poderia ser. Mas a interdição ao sujeito – interdito social – o impele a trancafiá-la, enjaular-la em prol de um bem-estar fictício. Para o surrealista, a produção que transgride a forma e, num sentido aparente, mesmo a lógica da estrutura narrativa apenas impele o sujeito a sabotar estas mesmas barreiras sociais impostas às maravilhas imagéticas que estão atrás da cortina de ferra da mente. Em miúdos, uma cena – por mais que não pareça fazer sentido – vale mais que mil palavras.

Isto me pareceu extremamente conveniente. Em todas as manifestações artísticas que eu tentei realizar, este sempre foi um conceito que carreguei comigo, apesar de nunca ter me dado conta disso até pouco tempo atrás. A imagem, a cena é tudo! Faço pequenas regressões a vários momentos em minha vida a confirmar que essa reverência ao primado da cena, a busca por ela. Mas coloquemos aqui a coleira no cão psicanalítico das associações livres. Isto não é sobre mim, afinal. Ainda.

E, por fim, chegamos ao que isso tem haver com a música de fato. Àqueles que me seguiram até aqui, congratulo-os. Foi como ter sido levado a um destino próximo através do hemisfério errado, mas talvez valha a pena. Eis que a música Inner Garden (e vou me referir a ela como uma só, unindo as suas duas partes, por enquanto) me sugere algo terrivelmente diferente da música anterior. Se a primeira parecia clamar por um sentido às imagens que propunha, por algo que me parece uma falha em conseguir fazer com que as imagens se unissem por si só, demandando um sentido para agir feito a argamassa de sua coesão, no caso de Inner Garden eu vejo um caso diferente. As imagens da música não precisam de um sentido lógico para unir-las. Ao contrário, a imagem que sugere um sentido, um entendimento que vêm de algo para além da fronteira do consciente. Esse sentido se rende às belezas da imagem produzida. E se tem algo que eu acho belo nesta música, é a imagem que ela produz no teatro de meus sonhos.

Finalmente, creio que uma forma diferente de interpretá-la possa ser a seguinte: não proporei significados escondidos mas deixar-me-ei levar pela música e comporei um curto conto que possa trazer à frente esta imagem magnífica que parece surgir quando ouço tal música. Falei aqui do surrealismo e da escrita automática proposta pelo Sr. Breton, mas não creio que ela venha a ser o ideal para esta analise já que tal técnica parece ter por objetivo a criação de uma imagem – que é justamente o que já o é a música. Apenas queremos realçar esta mesma imagem. Claro, não há como não ter certo nível de automatismo na escrita, mas não levaremos a extremos. Creio que voltaremos a este assunto na próxima oportunidade, por parecer conter material relevante para estas analises.

Portanto, eis a letra da música e, logo em seguida, apresento o conto.

Inner Garden

King Crimson

(i)

Autumn has come to rest
In her garden
Come to paint the trees with emptiness
And no pardon
So many things have come undone
Like the leaves on the ground
And suddenly she begins to cry
But she doesn’t know why
Heavy are the words that fall through the air
To burden her shoulders
Caught up in the trees
Her soliloguy,
“don’t leave me alone”

(ii)

Rome now comes to sit
In her garden
Mingling the breeze with memories
Of a time when
There was a room in pale yellow hues
Her room with a view
Where love made a bed of happiness
In muslin and lace
Sweet is the voice from far away
That speaks sotto voce and
Is lingering there in the golden air
To quiet the day.

***

I

O dia amanhecia tedioso mais uma vez no jardim. As poucas plantas que ali ainda residiam já pareciam conformadas com a pouca luz que passava por entre as espessas e branquíssimas nuvens – se é que uma planta pode “morar”, já que não escolhe aonde sua semente primordial virá fatalmente a cair, mas tão pouco nós que, junto às plantas, só temos a diferença de poder um dia mudar de local, mas nunca mudamos. Aquelas plantas, no entanto, não tinham muito escolha. Poderiam muito bem alçar suas raízes do solo, as maiores como colossos de épocas que o medo tornou esquecidas, as menores como pequenos animais rastejantes e horrendos, sim, poderiam. Mas elas provavelmente sabiam (podem saber?) que não haveria diferença no novo local onde, ao enterrar as diversas raízes em busca dos gloriosos minérios, “morariam”.

Pois o Jardim é tudo que há. Por mais que suas sementes voem, não há solo que vá além do jardim. Disto sabem as plantas.

Mas hoje elas são poucas. A grama é predominante. Algumas árvores de maior porte aqui e ali se empoleiram no vasto campo que, na maior parte da linha visual, se estende em leves ondulações até o horizonte exceto por um lado, onde abruptamente parece existir uma parada na camada verde e dourada da grama. Ali, se alguém conseguir chegar neste ponto, existe um precipício improvável que, tal qual os campos do jardim, parece se estender de um lado a outro, criando uma imensa muralha rochosa, visível apenas até onde uma combinação de espessas nuvens e extrema distancia faz impossível de ver além. Um pouco abaixo da queda do precipício, nada se via senão mais nuvens, velozmente deslizando pela encostas do desfiladeiro. Era impossível ver abaixo dele, se é que havia algo ali.

Na beirada do precipício havia uma pequena estrutura feita de pedras trabalhadas. Vista de longe, parecia certamente uma casa muito antiga que já vira mais invernos que seus construtores. Mas esta ilusão era desfeita rapidamente se lhe fosse permitido chegar perto. Não passava de certo numero de arcos de pedra e pilhas de pedras de vários formatos geométricos. Estavam tão próximos uns dos outros que formavam corredores entre eles, sem teto algum. Não existia qualquer outro tipo de decoração senão o incrível numero de plantas que, num esplêndido exemplo de ex nihilo, pareciam crescer nas diversas pedras, sem contato algum com o solo, o que deixava mais extraordinário ainda a abundância e variedade das plantas que ali havia, num espaço tão pequeno (a estrutura toda devia ter o tamanho de uma casa média). Eram tantos os tipos de folha e flor que, por vezes, as colunas ficavam cobertas por elas e conseguiam mesmo se conectar com as outras colunas, criando algumas vezes pedaços de paredes ou tetos, tudo feito com folhagem. Lá morava uma mulher, entre as plantas e as ruínas.

II

Se o dia amanheceu tedioso, como descrito no início do conto, era somente por que ela estava lá para sentir e remoer o tédio. As plantas, se tem algo que pareça com tédio, não demonstram-no e parecem muitíssimo se contentar com o nascer do sol todos os dias, mesmo aquele do jardim, de luz amarelada e pálida. Ela não tinha rosto, no lugar, apenas uma placa de carne sem formato definido. Mas a falta de olhos ou qualquer outro órgão que tivesse alguma função remotamente próxima não conseguia evitar que ela se sentisse enfada pela quase constante paisagem do jardim.

“Quase constante”, ela meditou brevemente enquanto caminhava por entre um dos arcos de pedra. Dobrou, em seguida, por uma pedra de formato triangular e se viu diante da planície sem fim. Sentou em uma rocha que parecia meio deslocada da construção toda e esperou. “Quase”, sussurrou sem qualquer ruído, sem qualquer boca. Mas antes que ela pudesse investigar que idéia se escondia por detrás daquele pensamento, ela viu a figura alta e distinta de uma pessoa que surgia de uma das pequenas ondulações da terra. As visitas eram sempre esperadas, apesar de nunca respeitarem horários ou agendas. Vinham quando tinham que vir e isso, às vezes, era mais demorado que se esperava ou então vinham tão rápido quanto um pensamento fugaz escapa da consciência.

Apesar da constante tristeza solitária que era natural do jardim, a chegada de visitas trazia pouco alívio para o estado das coisas ali. Muito pelo contrário, elas traziam consigo as memórias de um tempo já passado. O conteúdo destas ditas memórias tão pouco importam. O seu único aspecto importante é o de que são um indicie de todas as coisas que não mais vão voltar, de outras memórias que vieram muito antes e que só tinham vivência, agora, na sua memória.

Ela se levantou e andou em direção à pessoa. Vestia um longo traje branco, tal qual aqueles que as jovens atenienses vestiam em dias de festa. O vento urrava pela planície e a grama ondulava em padrões rítmicos, acompanhado a melodia que o vento criava quando silvava por entre os pilares de pedra. Apesar disso, o seu vestido não demonstrava sinais algum de que estava sendo atingido por brisa qualquer. Ao invés de se agitar no ar, caia pesadamente sobre o seu corpo como se esperaria num dia de calmaria, revelando o formato dos seus ombros finos e delicados e denunciando a presença de seios firmes e joviais. Mas se a dama de branco tinha características peculiares, o visitante não pareceu notar-lhe a estranheza.

O visitante vestia uma manta branca que chegava ao meio da coxa. Por cima desta, uma armadura de bronze adornava o peito. Era dividida em camadas, como escamas de peixe, mas cada camada tinha formato retangular e era presa uma à outra por um feixe de couro. Cada segmentação trazia milhares de pequenas escritas, a maioria ilegível, pois a armadura mostrava grandes sinais de desgaste e ora trechos inteiros de ferrugem deixavam uma grande parte do texto impossível de ler, ora pequenos buracos trincavam partes da armadura, omitindo partes da leitura. Um pequeno trecho podia ser lido na parte inferior. Dizia:

“Para Marcus Caelius, filho de Titus, do distrito de Lemonian, vindo de Bologna, primeiro centurião da décima oitava legião. Cinqüenta e três anos. Ele pereceu no desastre de Varian. Que seus ossos sejam depositados neste monumento, se achados…”

Trajava um elmo dourado com proteção nasal, que era adornado por inscrições e runas decoradas no metal. Seus olhos permaneciam escondidos pelo elmo, mas o cabelo longo e negro escapava pela parte de trás do elmo e o que se via da face, parecia denotar origem certa origem huna, pela sua tez morena. Um mestiço, um meio-bárbaro. Trazia o seu gládio no cinto enferrujado. A bainha era dourada e continha o retrato em alto relevo de alguma pessoa. Mas a espada lá dentro estava enferrujada.

Encontraram-se a meio caminho de nada. O centurião era um resquício de orgulho perdido e mal-tratado. Os ombros caídos e a coluna que vergava como se quisesse quebrar pareciam pedir clemência. Agora que estavam um em frente ao outro, parecia não saber o que dizer, o que fazer. Estava perdido e cansado. “Onde estão os outros”? Todos já se foram, só resta a mim.

Ela então gesticulou para que olhasse ao seu redor e, ao fazê-lo, notou que o campo era salpicado pelo que pareciam ser pequenas casas de pedra. Mas ele sabia que não eram casas, mas outras moradas, só que estas abandonadas, suas colunas caídas e seus habitantes já esquecidos. Estavam ambos desolados, agora. Odeio olhar para elas, geralmente faço tudo que posso para não olhar. Mas não há como, sempre vem alguém que me faz lembrar delas.

“E agora?”

Sem perceber, ambos já estavam andando em direção a morada dela. Enquanto andavam, ela o escutava enquanto falava sobre todas as coisas que logo, seriam coisa alguma. A fazia lembrar dos outros centuriões que haviam vindo no passado. Conseqüentemente, também a lembrava daqueles outros que, tal qual ela, receberam-nos no passado. Eram memórias estranhas, pois não parecia combinar com o que era o jardim. E o jardim sempre fora assim: desolado. Ela e o abismo, a mais tempo que ela poderia tentar lembrar. Ainda assim, ela sentia falta dos outros – como se um dia houvesse conhecido-os de fato. Mas disso não tinha certeza.

Recorda-se também de uma época em que o jardim possuía flores que habitavam além de suas múltiplas moradas. Muitas, espalhadas pelos campos onde hoje só a grama resistiu. Tinha certeza que nunca iria saber se a lembrança era apenas um delírio criado pela solidão ou se era uma verdade embaralhada pelo tempo indizível que estava ali. As flores não deixam fosseis, afinal. Chegamos.

“E agora?”

Apontou para o gládio. Ele desembainhou-o, trazendo a tona a lamina decrépita, como se deixada ao fundo do mediterrâneo por vários séculos, e só por um milagre não se partiu em duas quando saiu da bainha. Me entregue.

Pegou a lamina e deixou o centurião para trás, no centro da morada. Caminhou por entre algumas colunas até achar uma pedra, de formato remotamente circular. Conseguia ouvir a voz do centurião ao fundo, agora um lamúrio agora cada vez mais horrendo e desesperado. Ficava apenas repetindo:

Omnia mutantur nihil interit! Omnia mutantur nihil interit!

Mas já não prestava atenção nisso. Depositou o gládio sob a pedra circular. Logo, como se um interruptor invisível tivesse sido acionado, ambos gládio e pedra haviam se transformado num punhado de pequenos pregos, que ela enterrou no mesmo lugar. Os apelos do centurião haviam parado no mesmo instante. Ela sabia que ele não estava mais lá. Em tempos passados, ela iria averiguar que ele realmente havia deixado a morada, mas ela sabia que era uma atitude tola. Só traria amargor, afinal. Era recomendável fingir que não havia acontecido, mas isto era também tolice. O centurião havia deixado o que era de pior seu. E é minha função receber tudo isto.

Saiu da morada e sentou na pedra deslocada. Esperou mais um pouco.

III

Certa vez, voltou sua atenção para o precipício. Lhe pareceu que ficou uma eternidade a contemplar as nuvens no seu eterno rebuliço, sendo levadas pelo vento que ela nunca fora capaz de sentir. Teve um ímpeto de curiosidade e se jogou em direção ao abismo. Flutuou no ar por um tempo, indecisa se era o melhor a fazer. Finalmente deixou o corpo se precipitar por entre as nuvens densas e perdeu a noção de si. Caiu por um bom tempo, lembrando de tantas coisas quanto poderiam haver e finalmente chegou ao chão, virando uma poça de sangue e ossos.

Não era tão bonito quanto uma semente de dente-de-leão, mas lhe ocorreu que servia o mesmo propósito. Não poderia escolher onde “moraria” no fim, mas sabia que este era o menor dos problemas. Lhe importava apenas a mudança. Sequer lhe passou pela cabeça que poderia pousar justamente no mesmo local de onde havia pulado.

Não existe nada além do jardim, como o sabem as plantas.

 



Duas Análises de Música – Sobre a Interpretação da Música
janeiro 5, 2011, 5:01 pm
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Hoje, numa situação especial, gostaria de apresentar uma interpretação para duas músicas (três, na verdade, mas chegaremos nisso) cujos temas e desenvolvimentos me parecem dignos de uma analise mais depurada. O fascínio que ambas as músicas exercem sobre mim parecem adivir de alguma fonte que não consigo muito bem delimitar, imagino que talvez destrinchando ambas as músicas – feito porcos no açougue – me ajude a um entendimento pleno do por que estas músicas têm um efeito um tanto que hipnotizador sobre mim. Ou não. Em frente…

Thrak Cover

Thrak Cover

 

As músicas são One Time e Inner Garden (I e II) do disco Thrak da banda King Crimson. Acho que podemos falar um pouco da banda e fazer uma rápida análise da estrutura da composição de ambas as músicas. O KC (e assim irei me referir a eles, por pura preguiça) é uma das bandas de maior longevidade na história do rock progressivo, atuando desde os anos 60. A banda, fundada em Londres, passou por inúmeras reformulações durante sua historias, com quase duas dezenas de instrumentistas que já passaram pela banda. Neste CD especifico, temos um line-up de seis músicos que formam algo como uma dupla de trios.

Não vamos nos alongar aqui. Se você quiser mais informações sobre o KC, você pode encontrá-las na pagina deles na Wikipedia, clicando aqui.

Comecemos então por One Time, composição que me parece mais tranqüila para uma analise, tanto musical quanto do seu sentido. Sua estrutura harmônica é simples: Quatro acordes da tonalidade de Dó menor se alternam em um 6/8 constante. Existe um empréstimo modal no refrão (quando se usa um Sol maior, da tonalidade de Dó menor harmônica) e este é a única mudança tonal que a música oferece.

One Time não é de forma alguma uma música complexa. Bateria e baixo provem suporte solido e relativamente constante em sua forma para as guitarras que fazem o tema da música (que é um dedilhado que explora os acordes que se repetem durante a música toda). Eu poderia me arriscar e dizer que a força da música viria a reduzir-se na sua letra e apenas nesta, mas imagino que isso seria um tiro no pé cedo demais para minha analise. Posso deixar a parte polêmica para depois. Vamos à letra, portanto. Farei esta analise da seguinte forma: Apresento cada estrofe da letra e irei discutir cada uma com um comentário logo abaixo dela.

 

One Time
King Crimson

A música fala sobre desespero, basicamente. Frente à fragilidade humana e a hostilidade da vida, só basta ao sujeito levantar a mão de misericórdia, apelo este feito a um outro que nem sempre está disponível à nossa demanda e ao nosso sofrimento.

one eye goes laughing,
one eye goes crying
through the trials and trying of one life

É impossível não associar este primeiro parágrafo com a clássica imagem das máscaras do teatro. Estas são caracterizadas por duas máscaras, uma chorando e a outra rindo – mas existem muitas versões que condensam ambos os elementos em uma única mascara, cuja primeira metade apresenta as feições alegres e a segunda a triste.

Claro, é um parágrafo sobre de como a vida é formada desses dois pólos opostos: Felicidade, satisfação, desejo e, do outro lado da moeda, dor, frustração e morte. Mas creio haver aqui um elemento a mais da mascara: a sua anonimidade, a qual empresta ao personagem da música não só um caráter universal (como os antigos gregos usavam a mascara para retirar a individualidade do personagem para infligir maior identificação da platéia), mas também retira sua própria história, seu rosto e lhe joga no mundo onde a busca pela própria identidade geralmente podem ter resultados nada positivos ao sujeito.

Como diria Sören Kierkegaard, o desespero parece ter um motivo externo ao sujeito, mas apenas por um momento. O que viria a ser este desespero, por fim, é o horror de si próprio, de não suportar sua própria imagem especular. Esta mascara, portanto, denota o desespero do personagem, de ser o que é (mera imagem humana, sem individualidade ou historia própria). Mas teremos que fazer algumas associações com parágrafos posteriores para que este ponto tenha maior embasamento.

one hand is tied,
one step gets behind
in one breath we’re dying

O sujeito está preso por algo e, numa imagem improvável, o passo que o levaria a frente o leva para posições anteriores. Somos livres, afinal? O quanto eu não sou determinado por onde moro, com quem vivo e por quem me criou? Muitas vezes, somos tão alheios a nós mesmos que sequer notamos que andamos em círculos, damos passos falsos a frente e vivemos como que presos por algo.

E, de repente, morremos. Infelizes, geralmente.

i’ve been waiting for the sun to come up
waiting for the showers to stop
waiting for the penny to drop
one time

Começa o refrão. Este trecho em particular mostra uma súplica do personagem. Por ajuda, por melhores vidas, por redenção, qualquer coisa que pareça trazer alívio. Não nos interessa saber qual a enfermidade que aflige o sujeito aqui. O mal é existir e desse mal, todos os humanos buscam conforto. Aqui o personagem espera (e vem esperando há muito tempo, ao que parece) pelo sol nascente – símbolo natural de esperança, calor, que afugenta a escuridão.

Logo em seguida, vem um simbolismo que eu não consegui depurar em muita coisa. Que significa “Waiting for the showers to stop”? Realmente eu não consigo sequer ter idéia do que isso possa significar. Fica aqui o “umbigo” da interpretação, como diria Freud. Um ponto que eu não consigo ir muito além na interpretação.

Seguindo, o personagem termina esta estrofe falando que espera “o centavo cair” (numa tradução livre). Na tradução oferecida na Internet aparecia uma tradução de “penny” como sendo “orvalho”. Apesar de pesquisar sobre qualquer ocorrência desta palavra no sentido citado, não encontrei nada. Deduzo, portanto, que seja mais um caso de má tradução (não confiem na internet, rapazes). Considerando aqui a tradução “centavo” eu dou a seguinte interpretação para a imagem: Um mendigo. Este mendigo agoniza nas ruas, anda sujo e maltrapido, indefeso contra frio, calor, fome ou violência. O mínimo que ele pode esperar são os pequenos centavos, que caem da mão daqueles que podem dar para as suas. A relação de verticalidade aqui encontrada (aquele que recebe está com as mãos abaixo daquele que dá) não deve ser ignorada e demonstra o que o personagem, em situação desfavorável, espera: o mínimo de atendimento a uma necessidade humana de atenção, de ajuda.

and i’ve been standing in a cloud of plans
standing on the shifting sands
hoping for an open hand
one time

No parágrafo final, o apelo é substituído pelo personagem falando de sua posição, através de imagens bastante oníricas. Para estas, eu creio que o seguinte entendimento se encaixa na descrição que estamos fazendo aqui: O personagem se encontra em uma “nuvem de planos”, o que me parece ser as constantes maquinações que elaboramos para nossas vidas, todos os nossos planos que sonhamos. Mas a verdade é que todos acabam se tornando apenas isto, planos. Não se materializam, tornam-se como o éter que preenche o universo, uma nuvem que podemos ver, mas não tocar.

Prosseguindo, o personagem se diz parado em “areias que mudam” (tradução muito literal, talvez, do termo “shifiting sands”). Sem hesitar, eu digo que isto é também outra metáfora para a vida do sujeito, que se ergue sobre areia, mais um daqueles elementos que são quase incorpóreos, difíceis de agarrar e, no caso, que costumam desmoronar sobre os pés daqueles que muito confiam neles.

A música encerra com a frase “esperando por uma mão aberta” e a repetição do termo “uma vez”. E é o que se espera, afinal. Uma ajuda sincera – uma espera que já tem longa data e não tem fim definido. Pelo próprio termo “uma vez”, seria correto vir a pensar que seria pela primeira vez, já que o sujeito da música desvenda sua condição de desespero e solidão no mundo. Mas, para este sentimento, não existe ajuda. A espera é fútil e a música termina de forma a denunciar esta espera com um fade-out, ou seja, sem um fim definido.

Agora, chegando aqui ao fim da análise, me faço algumas perguntas: Poderia ser o sentido desta letra que tanto me atraiu? Mas como, se à primeira audição eu senti uma afinidade imensa na música, sem ter visto letra ou analisado qualquer coisa. Poderia a música comportar o sentido expresso na letra?

Bem, fiquemos com essas perguntas para o próximo post.



Sorte
março 21, 2010, 4:11 am
Filed under: Nerd, Sarcasmo

Acabo por parar na casa dos meus pais no sábado. É longe. É afastado. É estúpido. Mesmo assim, contra todas as chances, eu consigo uma carona para uma festinha amistosa acontecendo no centro, onde eu deveria estar, de um modo ou de outro. Mas, OK, eu já tenho carona. Tudo certo.

Puf! Falta luz.

Mas e daí?! Não seria problema se não fosse o fato de todos os telefones daqui serem sem fio. Ou seja: Sem luz, sem telefone. E adivinhe o que minha carona me disseno msn, um pouquinho antes do blackout?!

“Vou te ligar quando tiver saindo.”

Mas não tem problema, tem?! Afinal, mundo globalizado, mundo tecnologicamente avançado, todos temos celulares que não dependem diretamente das garras da companhia elétrica, não é?! NÃO É?!

Não sei como, mas meu telefone deixou de receber sinal também. Como se tivesse um plug mistico com a minha desgraça, ele simplesmente PAROU DE FUNCIONAR como um celular deveria. Ligaria (!) mas nunca completaria a chamada e, aparentemente, estava completamente incapaz de receber ligações, independente de serem a cobrar ou não (!!).

Resultados, óbvios: Em cinco minutos volta a luz e sinal do telefone ao mesmo tempo. Checo o meu computador para mensagens off-line e, surpresa: Havia uma mensagem do meu carona, datada de dois minutos atrás, dizendo:

“Cara, liguei para você, mas não consegui. Seu celular e o da tua casa não atenderam. Acabei não indo ai então.”

To aqui agora, descarregando raiva simbolizada em palavras. Não é o fato de perder a festinha que me irrita. O que não foi aproveitado hoje pode ser compensado amanhã. O que me irrita são essas malditas piadas que se tornam meus problemas, que me deixam impossibilitado de culpar alguem que não seja uma entidade mistica malvada puxando as minhas cordinhas. Se fosse alguém que eu pudesse bater, pelo menos…

Divirtam-se, malditos moradores do centro. Que engasguem com a vodka fedida de vocês.

Slowly becoming an hero…



The T-Pain effect e a música moderna
fevereiro 26, 2010, 6:12 pm
Filed under: Clave de Fá, Nerd, Review

A Antares Audio Technologies certo dia criou o Autotunes, terror dos vocalistas afinados, salvador dos incompetentes – e uma ferramenta muito interessante para os oportunistas. O rapper T-Pain usou o Autotunes de uma forma diferente: Ao invés de otimiza-lo para correção do pitch de forma suave, ele alterou os padrões de correção para rapidos e escrachados, criando um efeito que todos nós conhecemos e muitos adoram. Vamos a um pequeno exemplo:

Download Reebs – Su E O

Sim, sou eu cantando, com uma voz terrivelmente desafinada – o que no casa, apenas acentuará a ação do autotune.

Download Reebs – Su E O

Esta segunda já é o arquivo tratado com o autotunes e com um pouco de reverb e delay. Aqui já dá para ver exatamente do que estou falando. Sim, sim… Justin Timberlake, 50 cents, Timbaland e até mesmo a Cher (que foi a primeira a usar a coisa, diga-se de passagem). Esse timbre pode ser ouvido com maior ou menor frequencia no trabalho de todos, especialmente no daquele irritante Kenny West! Sim, ele talvez seja o representante do ápice deste estilo de som do vocal robótico.

Download Reebs – Su E O

E finalmente o mesmo vocal, com um pouco de compressão e alguma besteira de bateria por trás. Ainda que o trabalho de Áudio por trás destes artistas seja brutalmente mais complicado que simplesmente isso, já é possível ter esperanças de lançar o seu próprio “Suuuuuicidaaal, suiiiicidal…” da vida.



Cenas Épicas
janeiro 5, 2010, 7:24 am
Filed under: Nerd, Outros

Clique na imagem abaixo para ver umas das sequencias mais fodas que eu já vi em qualquer mangá por ai – é do popular Berserk de Kentaro Miura. É só ir dando “Next” que a pagina vai passando.

Puck

Ah, mas o conteudo do quadrinho de forma alguma é compatível com a imagem acima. Procedam com cuidado, carinho e um saco de vômito. Destaque para a parte do Adult Attack. ;D



Fuck-Mangá
novembro 24, 2009, 8:35 pm
Filed under: Nerd, Review, Sarcasmo

Existem certas desvantagens em morar com anime-maníacos, como as irritantes e histéricas vozes japonesas que vivem ecoando pela casa ou aquelas pilhas de mangás constrangedores (Vampire Princess, por exemplo, um apelo construtivo à egomania das pessoas) empilhados aleatoriamente pela casa. Nada muito sério, já que eu próprio sou meio que um ex-fã da galera de olhos grandes e poderes cafonas.

E, de vez em quando, eu acabo acompanhando uma série ou outra que trazem aqui para casa. Tento resistir amiúde, sentado no meu pequeno netbook, concentrado em tentar fazer a maldita tarefa acadêmica proposta. Mas aquelas vozes irreais, com entonações improváveis (como alguém pode falar daquele jeito¿ Como é possível¿) me capturam pouco a pouco. Reconheço todos os clichês clássicos do gênero, mas eles não esgotam a sua capacidade de me atrair, por mais imbecis e tolos que sejam. Quando dou por mim, estou sentado na frente do monitor, junto com o meu colega de quarto, torcendo  por um herói infanto-juvenil.

Ora, que atração é essa que o Anime exerce nas pessoas, principalmente nas mais jovens? A identificação com os personagens – independente de serem os protagonistas (sempre belos e com penteados exóticos) ou os vilões da história (que tendem a apresentar uma aparência austera) – é de uma força sem igual em outras animações (como as HQ’s americanas). Porque, mesmo quando o maldito desenho parece ter sido feito para pessoas com um par de cromossomos a menos, a trama é muitas vezes irresistível?

Creio ter encontrado uma provável solução ao problema em Freud.

(Aqui seguem-se as vaias e berros do público. O autor, apesar de acreditar em criticismo destrutivo, reserva para si o direito de se esquivar dos ovos podres e dos tomates fedorentos)

Não me venham com choro. Freud, aquele judeu safado, é o criador da psicanálise, mais conhecida como “adisciplinamaisfodaquevocêumdiavaiquereraprender”. Dentre os milhões de conceitos, vamos ao que nos interessa para o presente problema: o Complexo de Édipo, terror das famílias puras e castas.

Ao contrario do que se pensa, o Complexo de Édipo não é uma mera suruba entre pais, filhos, mães, tias e avós (urgh!).  Sinto desapontar a galera do “mature”.  Na verdade, o Complexo é o triangulo amoroso que, em determinada fase da vida da criança, é criada em torno das figuras paternas e o filho do casal. Esta fase é caracterizada pelo direcionamento das energias eróticas da criança em direção ao progenitor do sexo oposto e a agressividade dirigida ao do mesmo sexo. São derivados da resolução (ou não) do complexo as nossas escolhas de gênero e os modelos de pessoas com as quais iremos nos envolver posteriormente. Não é sempre, mas geralmente nossas escolhas sexuais acabam caindo em mulheres com traços semelhantes à do nosso primeiro objeto de desejo: Nossas mães.

O que chamamos de resolução do complexo é o momento no qual somos efetivamente privados deste primeiro objeto sexual. Vivemos em uma sociedade na qual dar uma fodinha com a mamãe não é lá muito aconselhável. Basicamente, umas das marcas da civilização humana é o horror ao incesto. Como falou-nos Engels – amigo daquele outro barbudo, Marx, que juntos fizeram aquelas lendárias Soviet Parties do inicio do Sec. XX – um dos grandes marcos da história humana é quando a família consangüínea (também chamada “suruba total”, “pegação na night”, entre outros, com o qual designamos relações sexuais livres a todos, independentes de laços familiares) desaparece, dando lugar a outras formas de famílias nas quais foram proibidas as relações entre pais e filhos e, posteriormente, entre irmãos e irmãs consangüíneos.

Portanto, o desejo incestuoso do filho (que, de certa forma, é correspondido pela mãe, ela própria influenciada pela sua historia edipiana) não pode se realizar. A figura paterna tem função primordial enquanto imposição das leis sociais (não só o repudio ao incesto, mas também de todas as normas e condutas sociais) e separação do vinculo mãe-filho. A isto, chamamos “Castração”, que se dá em diferentes formas para homens e mulheres. Manteremos aqui o foco nos homens, já que estaremos aqui falando dos mangás e animes que tem como maior público os homens, sendo estes de composição bem diferente daqueles feitos para o público feminino – que poderemos analisar em outra oportunidade.

A castração tem efeito devastador na psique do menino. Reprime as energias sexuais primordiais de tal forma, que a criança sentirá um desprazer e nojo imensos da idéia do incesto – apesar de que tais energias jamais são suprimidas, encontrado caminhos na psique até outros objetos que possam substituir o primordial, no caso, a mãe.

E o que isso tem haver com Anime, hã?

Como acabamos de dizer, é impossível a supressão das pulsões sexuais em direção à mãe do menino. O que se faz é uma repressão, o que significa que esta encontrará outros caminhos para se satisfazer. Caminhos estes que, simbolicamente serão parecidos com o triangulo edipiano enfrentado pela criança.

E assim, podemos formular a seguinte tese: toda história tem, em sua trama, componentes que remetem a esta formação primordial do psiquismo. Esta aproximação faz com que a trama seja mais ou menos forte para nós. Freud, no texto “Moises e o Monoteísmo”, fala que a composição da história de vida de grandes nomes da história são baseados em identificações edípicas.

Ora, é impossível não fazer uma analogia de mesmo caráter aos animes. Emprestando das analises de Freud, vamos fazer o mesmo com o enredo padrão da grande parte dos animes para adolescentes homens. É geralmente notório um personagem central de índole boa, mas geralmente fraco, tolo ou com algum defeito de nascença. Este tem um desejo, um sonho ou objetivo no qual se vê barrado por forças externas às suas. Geralmente um desentendimento no local onde vive o força a abandonar o lar. Ele encontra refugio entre novas pessoas (uma nova família) onde geralmente treina para ficar mais e mais forte até superar seus algozes e seus próprios limites. Ao final da trama, alcança seus objetivos e derrota não só seus inimigos, mas suas limitações também.

Muitos poderiam colocar grandes criticas a este quadro generalizado das tramas de desenhos. Com razão, os modelos teóricos são geralmente muito pouco úteis para o entendimento geral se não colocados em pratica de forma mais simples. Assim, me proponho a, resumidamente, analisar três animes de grande popularidade e demonstrar os elementos edípicos que estão inseridos na trama deles. Vamos ao primeiro:

Dragon Ball

Hadooo... ops... kamehameha!

Trama Básica: Goku é um alienígena que foi abandonado na terra por motivo inicialmente desconhecido. Foi adotado por Son Gohan, que o criou como um humano. Acidentalmente, o próprio Goku o mata, ao se transformar num imenso macaco. Posteriormente, Goku treina com um velho (mestre kame), superando inimigos continuamente mais poderosos.

Em um ponto futuro da trama, Goku descobre sua origem alienígena e sobre as intenções que levaram seus pais a abandoná-lo num planeta desconhecido: Ele era uma arma de extermínio contra a população da terra.

Trama Edipiana: Freud comenta que, nas histórias clássicas, a dissociação do personagem entre duas famílias – uma boa e outra má – geralmente mostra a dualidade do individuo com sua própria família: Ora é a alvo de sua agressividade, ora de seus carinhos, especialmente a mãe. Obstante, é visível aqui, esta mesma diferença: A família original má, que abandona o seu filho em outro planeta (remetendo à própria castração, enquanto senso de abandono materno) e a boa família, que é a expressão boa de nossos progenitores.

Mais além, a história mostra que Goku era inicialmente, quando criança, muito violento. A sua mudança de temperamento contra o avô (terrestre) só se deu posteriormente, quando caiu de uma grande altura e bateu com a cabeça em uma pedra, perdendo seu instinto destrutivo – um referencia mais clara à castração, só se Goku decepasse o pinto do Picollo.

A questão da família má ainda retorna mais uma vez, quando Goku se vê enfrentando a sua própria raça – que podemos muito bem enquadrar enquanto sua família, já que o primeiro dos alienígenas que retornam é seu irmão, um substituto simbólico do pai, o qual é morto por uma técnica que perfura seu corpo, numa referência a poderes fálicos e vontade de penetrar no corpo do pai como este faz com a mãe – e derrota a todos, numa clara evidência ao desejo de subjugar o jugo opressor e castrador do pai mau que o separa da mãe.

O desejo destrutivo em relação aos pais é também muito claro na morte de Son Gohan (avô) pelo próprio Goku, que quando olhou a lua e se viu possuído por uma força alem de seu controle e compreensão (desejo incestuoso) matou o próprio criador (seu rival para a posse da mãe). Esta força simbólica conferiu a Dragon Ball e todas as suas outras franquias um sucesso mundial estrondoso.

Naruto

Nem fazendo a Cruz...

Trama Básica: Naruto é um jovem que mora na vila de Konoha (ou algo assim). Tal vila é devotada ao treinamento de ninjas de diferentes níveis. Naruto  tem o sonho de se tornar Hokage, que é o mais alto posto da vila, mas é constantemente tido como alguém sem talento e sem dedicação.

Naruto é, na verdade, uma espécie de prisão para um ser mitológico e poderoso, de onde tira forças para sobrepor seus inimigos – uma força maligna que havia matado o Hokage anterior. No decorrer do seu treinamento, Naruto fica mais forte e vai, um a um, sobrepondo seus inimigos e ultrapassando seus limites.

Um ponto essencial da trama é que o amigo de Naruto, chamado Sasuke, se afasta do grupo para completar seus objetivos próprios. Naruto, que acredita que o amigo está cometendo um erro, também se lança ao resgate de Sasuke. O anime e o mangá continuam em produção.

Trama Edípica: Naruto não conheceu os pais – Sequer teve pais, como é revelado algum tempo depois na historia, sendo ele meramente uma forma de conter um ser de grandes poderes denominado “Kyuubi”. A ausência de um núcleo familiar já denota o seu caráter faltoso, delituoso para com a criança, que deixa Naruto por um bom tempo sozinho e sem ninguém para ampará-lo, uma característica central da sensação de castração com a qual o personagem principal luta desesperadamente contra – e simbolicamente, claro.

Na ausência desses, vários personagens lentamente se juntam e se tornam o núcleo familiar de Naruto: São eles os treinadores, amigos de grupo e outros que, impressionados pelo poder de Naruto, começam a admirá-lo e segui-lo. Estes constituem a “família boa” e “humilde”, a mesma que Freud identifica na família que amparou o jovem Moisés.

O que, faz-me lembra, uma diferença gritante entre vilões e mocinhos em grande parte dos animes: O caráter opressivo e arrogante dos vilões e a calma, serenidade e humildade dos mocinhos. Mesmo quando alguns dos vilões apresentam as características humildes dos mocinhos, é uma indicação (que quase sempre se materializa) de que este “passará” para o lado dos mocinhos. O inverso também é verdadeiro, enquanto mocinhos arrogantes tendem a virar vilões na historia. Tal fato só condiz com a indicação de Freud citada em que o protagonista se divide em “família boa” e “família má” e a trama se desenrola enquanto o personagem se vinga da família má e usa a boa para ampliar o seu caráter heróico – e tal divisão, em animes, tende à forte divisão entre “bem” e “mal” que nestes existem, simbolizando cada um dos lados familiares.

Mas exatamente nesta família boa que Naruto apresenta, existe um elemento de castração, de quebra de vinculo: O jovem Sasuke rompe relações com o protagonista – demarcando simbolicamente o que chamamos de “ferida Narcísica”, um elemento principal no evento da castração que é nada mais que a ruptura do ideal de “eu” perfeito – e estes se lançam em combate mortal, defendendo forças antagônicas: Naruto luta para manter a coesão do núcleo no qual Sasuke faz parte e este, por outro lado, visa romper com este.

Neste momento, Naruto e Sasuke são meramente lados opostos de uma mesma moeda, lutando cada qual para defender seus objetivos: Um quer manter o vinculo com o grupo (Relação mãe-filho, inabalada pela ação do pai) e Sasuke quer romper com estes, simbolizando a castração e a relação pai-filho no contexto edipiano.

E nada mais natural do que o que apóia Naruto contra os poderes avassaladores de Sasuke: A Kyuubi, uma força oculta dentro de Naruto, que libera intensa fúria e raiva em forma de poderes incontroláveis e que, mesmo assim, não foi ainda liberada de todo. Neste contexto, a Kyuubi não é nada mais que a pulsão sexual em direção à mãe (simbolizada pelo grupo de Naruto) que é constantemente reprimida (assim como a própria kyuubi é reprimida no interior de Naruto) mas nunca suprimida, liberando cada vez mais poder na busca de naruto pelos seus objetivos – que devo frisar aqui, é a união incestuosa com a mãe.

Não é de se surpreender que Naruto é uma das maiores franquias do mercado de animação japonesa. O simbolismo nele inscrito é gritante e gera um apelo imenso dos fãs.

Samurai X

O Kenshin Afro-Brasileiro

 

 

Trama Básica: Kenshin é um samurai andarilho que vive no Japão do século XIX. Ele viaja sem nunca parar em canto algum, ajudando pessoas sempre que pode. Kenshin possui um juramento próprio: jamais usa sua imensas habilidades para matar alguém. Tanto é que sua espada não possui uma lamina normal: Ela é uma variante da espada japonesa tradicional, que tem a lamina na parte anterior da espada, impedindo Kenshin de matar seus oponentes.

O protagonista encontra então encontra Kaoru, a dona de um dojô em decadência na cidade de Tókio, a qual ajuda a se livrar de um malfeitor. Assim começa uma longa relação entre ambos, no qual ela descobre que Kenshin, na verdade, é um famoso assassino de uma recente guerra e que seu juramento é uma expiação contra as mortes que causou no campo de batalha.

Trama Edípica: Samurai X é tão carregado de simbolismo que chega a doer na vista. Ler o Mangá é quase uma experiência de regressão, dada a simpatia para com os personagens. Ou seja, fans de Kenshin: Quando vocês lêem o mangá ou vêem o anime, vocês estão na verdade transando com as suas mães, lembrem disso.

Comecemos pela proibição à morte, tão explicita e evidente nas ações de Kenshin. No decorrer de todo o desenho, Kenshin luta contra esta pulsão, mesmo quando defrontado com situações mortais. Tal proibição tem um caráter quase obsessivo. Eis aqui o impulso sexual, com o qual o personagem será defrontado e testado constantemente no decorrer da narrativa.

Mas tal característica não poderia ser Per se uma simbolização da pulsão incestuosa se não fosse direcionada de alguma forma para algum objeto simbólico na trama. Mas pouco a pouco destrinchamos a estrutura na qual este desejo repousa: Kenshin aparentemente utiliza esta proibição para manter sob controle o seu instinto assassino, que em situações extrema tende a despertar, causando quase sempre incidentes nos quais a leis é violada. Eis aqui o incesto.

Podemos entender Kenshin não como um personagem que passa pela fase edípica da infância, mas por alguém que já passou por ela. A inscrição das leis no psiquismo – aqui entendidas como a lei do “não matarás” em Kenshin – denotam um complexo já resolvido, mas de forma tumultuosa e não satisfatória.

Kenshin era um assassino. Teve a familia morta durante as guerras anteriores e foi cuidado por um mestre severo, que o ensinou as artes da espada. Por vontade própria – e contra a indicação de seu mestre – Kenshin resolveu lutar na grande guerra, se tornando uma lenda pela habilidade na espada e a grande quantidade de vitimas que causou.

Talvez, possamos compreender o personagem central como simbolicamente lutando contra um Édipo mal resolvido. Após o fim da guerra, kenshin sente um forte sentimento de culpa pelas ações empreendidas e resolve expiar seus pecados. Eis aqui um elemento novo, uma dose de culpa pelo incesto obtido, simbolizado no desenho pela época de matança incontrolável e horrores citadas por Kenshin.

E aqui encontramos uma grande diferença entre este anime, e os citados: Aqui, a culpa tem função primordial no desenvolvimento do personagem. Kenshin não luta para superar seus inimigos – pois é notório no desenho que estes não são páreo  para suas habilidades desde o início – mas sim para superar a culpa avassaladora. Onde os outros animes acham satisfação, neste encontramos apenas o sentimento de culpa de Kenshin.

Esta culpa, uma transfiguração do superego freudiano (o superego freudiano é uma instancia psíquica a qual Freud afirma ter função de introjetar as leis e normas da sociedade) só pode existir num contexto pós-edípico. Como citado acima, Kenshin mais parece alguém lutado contra suas obsessões e conteúdos reprimidos do que necessariamente alguém passando pelo Édipo.

Os posteriores adoecimentos de Kenshin, em parte por um evento posterior no qual Kenshin acredita ter matado uma pessoa querida, mostram uma espécie de adoecimento psíquico, uma neurose clássica. Ao perceber que violou o código, Kenshin cai em profunda depressão. A incapacidade de aceitar (ou de acessar diretamente o inconsciente e seus materiais, no caso) o incesto passado aparentemente chega ao ápice neste momento da trama.

Mas Samurai X merece uma análise muito mais detalhada do que a que eu estou querendo dispor aqui num simples tópico de um blog obscuro. Mas creio que aqui se fez o ponto necessário: O apelo de boa parte dos animes masculinos vem de seus conteúdos secretos, que são atrativos ao nosso inconsciente, que está sempre procurando formas de descarregar energia psíquica, aqui através dos materiais invisíveis da trama.

Perguntas?

 

Uh... Intendi nada não, eu...

Foda-se você então.



Sonho Pós-Apocaliptico
junho 18, 2009, 2:49 pm
Filed under: Nerd, Outros

Correu por dentre os destroços do que era antes uma provável floricultura – havia um pequeno cartaz semi-destruido jogado num canto com uma caricatura de uma jovial e sorridente planta, muito convidativa, que parecia um dia ter sido o letreiro da frente da loja.

“Engraçado as coisas que a gente presta atenção quando perseguidos por assassinos, não?!”, pensou amargamente enquanto pulava por uma parede de samambaias super crescidas e emergiu em um imenso orquidário, cujas orquídeas chegaram a tamanhos absurdos, transformando aquele espaço numa mini-selva.

“E sem a ajuda daqueles malditos floricultores que me cobravam 20 penses por vaso. Safados”, resmungou em voz alta enquanto pulava mais uma janela, dessa vez para uma paisagem mais familiar:destroços de uma antiga área residencial. Pequenos prédios de menos de seis andares que sucumbiram e haviam criado complexos labirintos de destroços, seus antigos estacionamentos subterrâneos eram agora abrigos cobiçados para aqueles que sabiam onde achá-los.

Ziguezagueou por dentre os destroços de vários carros, pulou alguns imensos blocos de concreto e correu por uma estreita passagem, que dava em uma longa rampa que conduzia para um estacionamento subterrâneo. Já não ouvia mais o som das motos, mas não conseguia parar de se sentir perseguido – e bem sabia que, de fato, estava mesmo. Conhecia a japonesa e sabia que ela só desistiria dele quando estivesse morto.

“Japonesa” era uma mercenária com a qual já trabalhara antes, mas nunca se dera ao trabalho de saber seu nome, no Maximo chamando-a de “Lucy Thai”, uma antiga atriz pornô da época de quando ainda existia internet e se gabava de seu imenso acervo de pornografia – uns 3 terabytes, apenas de vídeos, coletados durante uma adolescência triste e melancólica – ela provavelmente não sabia da etimologia do nome, mas se não gostava da nomenclatura, nunca lhe havia dito e quando terminaram o serviço que estavam fazendo, achou que nunca mais a veria. Viva, pelo menos.

Portanto havia sido com surpresa quando, naquela manhã, havia “esbarrado” com aquele rosto oriental mais uma vez, apontando um singelo Canhão de Assalto Barret Osaka M100, capaz de atravessar um tanque como se fosse manteiga, apontado para a sua têmpora. “Um exagero só”, exclamaria depois para seus companheiros, casso sobrevivesse para isso. E era o que estava tentando fazer a três quilômetros, com muita dificuldade.

Mas havia chegado ao seu “esconderijo sujo e nojento”, como costumava se referir a ele. Agora mais parecia o Bangalô Presidencial do Beverly Hills Hotel, entupido de bebidas e mulheres. Correu a longa rampa descendente, dobrou depois de uma parede que prometia despencar à menor ofensa e chegou em um pequeno amontoado de caixa encostadas na parede, onde estacam duas pessoas estavam sentadas entres as pilhas de equipamento.

Havia sido burro o suficiente para sair sem uma arma naquele dia e mais burro ainda de depender agora de duas pessoas que conhecera no dia anterior para lhe defender de uma possível assassina japonesa equipada com um canhão móvel que matariam a todos eles mesmo que fosse simplesmente jogado em cima deles.

– Cacete, tem alguém atrás de mim, caralho – correu para trás de um pilastra próxima, onde sentou-se – porra, peguem as armas, caralho, e atirem nessa filha-da-puta, anda porra!

“Era um recorde em palavrões por sentença”, gabou-se. Era um homem simples, com pensamentos simples.

As duas figuras pareceram espantadas o bastante para piscar uma ou duas vezes. Um deles chegou a quase bocejar, mas numa manobra impressionante, transformara o bocejo numa tosse, seguida de uma vigorosa lambida no lábio inferior, que parecia estar mais seco que o habitual.

– Bem que poderia chover um pouco, não é? Está muito seco ultimamente… – disse um dos homens.

Tanta ação havia deixado o personagem desta fabula tonto. Repetiu mais uma vez que estava sendo perseguido pela própria morte incorporada de traços nipônicos e que precisava de uma ajuda maior que uma análise climática para sair vivo dessa. Os dois olharam-no, levantaram um ou duas sobrancelhas e, por fim, deram de ombros. “Pelo menos fora algo mais parecido com preocupação, desta vez…”, pesou.

– Dê-me uma arma pelo menos, seus animais! – gesticulou com a sua mão para que lhe jogassem algum objeto de destruição em massa. “Algo como o CD da Celine Dion, sei lá”. Um dos homens começou a revirar uma pilha de entulhos. Foi quando o som da moto se tornou audível e o do ranger dos dentes do personagem completamente inaudível.

Duas motos, de repente, surgiram entre a pilastra e o pequeno acampamento. “Duas?”, pensou, “sério, eu queimaria todos os meus mangás se eu soubesse que esses japoneses safados iriam me sacanear assim um dia!” e não conseguiu deixar de notar que as motos pretas eram japonesas, a arma gigante, que estava mais uma vez apontada para sua cabeça, de uma empresa japonesa e aqueles olhos fechadinhos e sem expressão vinham de um maldito gene japonês. “Malditos.”

Thumbs Up!

Foi quando caiu algo ao seu lado. Tirou o olhar do longo cano apontado para si e olhou uma pequena pistola preta caída ao seu lado. Olhou para o acampamento e um dos seus companheiros lhe abria um amplo sorriso e lhe dava um “Thumbs Up!”, símbolo universal do “te fode, irmão!”. Estava fodido mesmo e, sem pensar muito, pegou a pistola, mirou a cabeça da japonesa e atirou.

“Rá tá tá tá”, mas nenhuma bala havia saído. Só um som que tentava, sem muito sucesso, desesperadamente ser o de uma metralhadora emergiu no espaço, agora silencioso, do estacionamento. Olhou melhor a sua arma e viu que ela tinha um pequeno fio que pendia da coronha, terminando numa pequena terminação elétrica que – ele sabia, conhecia bem aquele plug – deveria ser ligada num antiguíssimo Master System, ou aparelho similar. Era uma arma de brinquedo.

Olhou melhor a arma e leu “Sega” impresso na lateral. “Malditos japoneses, todos…”.

Pulou para frente da japonesa, seus pés amplamente separados e fixos no chão, apontou-lhe com firmeza a arma e, repetidamente, apertou o gatilho:

– Toma isso, e isso, PTIÚ, ah! Não esperava por, PTIÚ, por essa, não é? PTIÚ, PTIÚ!

Uma nota: “PTIÚ!” é a onomatopéia mais perfeita já criada para descrever disparos laser que se movimentam as velocidades menores que a da luz. Ou seja, os lasers de Star Wars, criados com o único objetivo de serem bloqueados. Depois de alguns disparos contra a japonesa – que defletia com o seu olhar cada disparo, como se seu sabre de luz se chamasse “DESPREZO” – correu em direção à moto preta e disparou um pouco contra ela:

– E você, sua maldito consumidora de combustíveis fosseis, mais isso e isso: PTIÚ! PTIÚ! Quem manda, PTIÚ, nesse pedaço são, PTIÚ, as bicicletas, PTIÚ, sua escrota filha da puta, PITÚ!

Ainda não satisfeito apontou para todas as direções e continuou a disparar contra tudo e todos: “E isso é, PTIÚ, para você seu mundinho escroto, PTIÚ, por ter se tornado tão miserável, PTIÚ, e nojento e por ter tirado de mim, PTIÚ, os meus blogs, PTIÚ, e as minhas, PTIÚ, redes piratas de, PTIÚ, compartilhamento de arquivo, PTIÚ, e PORNÔGRAFIA!

PTIÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ!

Soltou um último e longo disparo enquanto caia no chão de braços abertos, esperando o disparo fatal que lhe faria virar pó dois terços do seu corpo e uma boa parte do chão em baixo dele em um fumegante buraco. O que veio, no lugar disso foi o segundo motoqueiro, que havia ficado mais para trás, escondido atrás de uma pilastra. Retirou o capacete e revelou uma cabeça não muito menor que o capacete, cheio de veias e dispositivos mecânicos entranhados na carne.

– Temos uma proposta para você – falou o cabeçudo, enquanto desenrolava um longo papiro – está descrito aqui, em minúcias, nossos objetivos e filosofias políticas, também uma lista de pessoas que apo…

– Ô, tiozinho, pode parar com essa merda, aê. Não quero saber o por que queres fazer quaisquer merda – falou enquanto se levantava do chão, jogando energicamente a pistola contra seus companheiros, que continuavam tão surpresos quanto antes. Um deles havia começado a fazer as unhas do pé, enchendo o ambiente de um som característico: PLÉC – apenas diga o que é para ser feito: Estupre umas criancinhas, empurre uns velhinhos na rua, queime um orfanato. Tanto faz, só quero meu pagamento, ouviu?!

Com um triste olhar, o Cabeçudo olhou para o seu negligenciado papiro. Não era a primeira vez que alguém recusava a ler o seu texto tão bem redigido e preparado. Na verdade, ninguém, exceto ele mesmo havia lido a extensão toda, e se ressentia muito toda vez que alguém fazia aquilo. Guardou o papel sob a jaqueta de couro, escondeu uma lagrima e disse:

– Muito bem, trate dos preparativos com a Márcia, ela sabe de toda a missão e quaisquer outras coisas que precise saber – apontou para a japonesa.

Ficou um tanto quanto pensativo quanto à revelação do nome da japonesa. “Márcia?!”, “só pode ser brincadeira”. Então um pensamento lhe ocorreu e, antes que o cabeçudo, já de capacete posto, subisse na moto, perguntou-lhe:

– Ei! Quer dizer que era isso o tempo todo?! E vocês, seus dois fudidos sabiam desde o inicio também?! – apontou para os dois que riam – Então por que essa perseguição infernal por três malditos quilômetros, atirando em mim com esse maldito canhão?

O cabeçudo olhou para ele, depois para Márcia, soltou um riso abafado subiu na sua moto e, antes de ligar-la falou:

– Não sei direito, foi idéia dela. Algo haver com um filme pornô antigo: Weapons Of Ass Destruction n. 4, com Luci Thai.

Saiu zunindo com a moto pela rampa, deixando para trás o cheiro de combustível e borracha queimada, e o primeiro sorriso que ele já havia visto na boca daquela japonesa.

***

Foi ai quando acordei, triste por não saber ao certo qual era a tal missão, nem se eu conseguiria um dia sabe-lo.