Psicodélica


Fuck-Mangá
novembro 24, 2009, 8:35 pm
Filed under: Nerd, Review, Sarcasmo

Existem certas desvantagens em morar com anime-maníacos, como as irritantes e histéricas vozes japonesas que vivem ecoando pela casa ou aquelas pilhas de mangás constrangedores (Vampire Princess, por exemplo, um apelo construtivo à egomania das pessoas) empilhados aleatoriamente pela casa. Nada muito sério, já que eu próprio sou meio que um ex-fã da galera de olhos grandes e poderes cafonas.

E, de vez em quando, eu acabo acompanhando uma série ou outra que trazem aqui para casa. Tento resistir amiúde, sentado no meu pequeno netbook, concentrado em tentar fazer a maldita tarefa acadêmica proposta. Mas aquelas vozes irreais, com entonações improváveis (como alguém pode falar daquele jeito¿ Como é possível¿) me capturam pouco a pouco. Reconheço todos os clichês clássicos do gênero, mas eles não esgotam a sua capacidade de me atrair, por mais imbecis e tolos que sejam. Quando dou por mim, estou sentado na frente do monitor, junto com o meu colega de quarto, torcendo  por um herói infanto-juvenil.

Ora, que atração é essa que o Anime exerce nas pessoas, principalmente nas mais jovens? A identificação com os personagens – independente de serem os protagonistas (sempre belos e com penteados exóticos) ou os vilões da história (que tendem a apresentar uma aparência austera) – é de uma força sem igual em outras animações (como as HQ’s americanas). Porque, mesmo quando o maldito desenho parece ter sido feito para pessoas com um par de cromossomos a menos, a trama é muitas vezes irresistível?

Creio ter encontrado uma provável solução ao problema em Freud.

(Aqui seguem-se as vaias e berros do público. O autor, apesar de acreditar em criticismo destrutivo, reserva para si o direito de se esquivar dos ovos podres e dos tomates fedorentos)

Não me venham com choro. Freud, aquele judeu safado, é o criador da psicanálise, mais conhecida como “adisciplinamaisfodaquevocêumdiavaiquereraprender”. Dentre os milhões de conceitos, vamos ao que nos interessa para o presente problema: o Complexo de Édipo, terror das famílias puras e castas.

Ao contrario do que se pensa, o Complexo de Édipo não é uma mera suruba entre pais, filhos, mães, tias e avós (urgh!).  Sinto desapontar a galera do “mature”.  Na verdade, o Complexo é o triangulo amoroso que, em determinada fase da vida da criança, é criada em torno das figuras paternas e o filho do casal. Esta fase é caracterizada pelo direcionamento das energias eróticas da criança em direção ao progenitor do sexo oposto e a agressividade dirigida ao do mesmo sexo. São derivados da resolução (ou não) do complexo as nossas escolhas de gênero e os modelos de pessoas com as quais iremos nos envolver posteriormente. Não é sempre, mas geralmente nossas escolhas sexuais acabam caindo em mulheres com traços semelhantes à do nosso primeiro objeto de desejo: Nossas mães.

O que chamamos de resolução do complexo é o momento no qual somos efetivamente privados deste primeiro objeto sexual. Vivemos em uma sociedade na qual dar uma fodinha com a mamãe não é lá muito aconselhável. Basicamente, umas das marcas da civilização humana é o horror ao incesto. Como falou-nos Engels – amigo daquele outro barbudo, Marx, que juntos fizeram aquelas lendárias Soviet Parties do inicio do Sec. XX – um dos grandes marcos da história humana é quando a família consangüínea (também chamada “suruba total”, “pegação na night”, entre outros, com o qual designamos relações sexuais livres a todos, independentes de laços familiares) desaparece, dando lugar a outras formas de famílias nas quais foram proibidas as relações entre pais e filhos e, posteriormente, entre irmãos e irmãs consangüíneos.

Portanto, o desejo incestuoso do filho (que, de certa forma, é correspondido pela mãe, ela própria influenciada pela sua historia edipiana) não pode se realizar. A figura paterna tem função primordial enquanto imposição das leis sociais (não só o repudio ao incesto, mas também de todas as normas e condutas sociais) e separação do vinculo mãe-filho. A isto, chamamos “Castração”, que se dá em diferentes formas para homens e mulheres. Manteremos aqui o foco nos homens, já que estaremos aqui falando dos mangás e animes que tem como maior público os homens, sendo estes de composição bem diferente daqueles feitos para o público feminino – que poderemos analisar em outra oportunidade.

A castração tem efeito devastador na psique do menino. Reprime as energias sexuais primordiais de tal forma, que a criança sentirá um desprazer e nojo imensos da idéia do incesto – apesar de que tais energias jamais são suprimidas, encontrado caminhos na psique até outros objetos que possam substituir o primordial, no caso, a mãe.

E o que isso tem haver com Anime, hã?

Como acabamos de dizer, é impossível a supressão das pulsões sexuais em direção à mãe do menino. O que se faz é uma repressão, o que significa que esta encontrará outros caminhos para se satisfazer. Caminhos estes que, simbolicamente serão parecidos com o triangulo edipiano enfrentado pela criança.

E assim, podemos formular a seguinte tese: toda história tem, em sua trama, componentes que remetem a esta formação primordial do psiquismo. Esta aproximação faz com que a trama seja mais ou menos forte para nós. Freud, no texto “Moises e o Monoteísmo”, fala que a composição da história de vida de grandes nomes da história são baseados em identificações edípicas.

Ora, é impossível não fazer uma analogia de mesmo caráter aos animes. Emprestando das analises de Freud, vamos fazer o mesmo com o enredo padrão da grande parte dos animes para adolescentes homens. É geralmente notório um personagem central de índole boa, mas geralmente fraco, tolo ou com algum defeito de nascença. Este tem um desejo, um sonho ou objetivo no qual se vê barrado por forças externas às suas. Geralmente um desentendimento no local onde vive o força a abandonar o lar. Ele encontra refugio entre novas pessoas (uma nova família) onde geralmente treina para ficar mais e mais forte até superar seus algozes e seus próprios limites. Ao final da trama, alcança seus objetivos e derrota não só seus inimigos, mas suas limitações também.

Muitos poderiam colocar grandes criticas a este quadro generalizado das tramas de desenhos. Com razão, os modelos teóricos são geralmente muito pouco úteis para o entendimento geral se não colocados em pratica de forma mais simples. Assim, me proponho a, resumidamente, analisar três animes de grande popularidade e demonstrar os elementos edípicos que estão inseridos na trama deles. Vamos ao primeiro:

Dragon Ball

Hadooo... ops... kamehameha!

Trama Básica: Goku é um alienígena que foi abandonado na terra por motivo inicialmente desconhecido. Foi adotado por Son Gohan, que o criou como um humano. Acidentalmente, o próprio Goku o mata, ao se transformar num imenso macaco. Posteriormente, Goku treina com um velho (mestre kame), superando inimigos continuamente mais poderosos.

Em um ponto futuro da trama, Goku descobre sua origem alienígena e sobre as intenções que levaram seus pais a abandoná-lo num planeta desconhecido: Ele era uma arma de extermínio contra a população da terra.

Trama Edipiana: Freud comenta que, nas histórias clássicas, a dissociação do personagem entre duas famílias – uma boa e outra má – geralmente mostra a dualidade do individuo com sua própria família: Ora é a alvo de sua agressividade, ora de seus carinhos, especialmente a mãe. Obstante, é visível aqui, esta mesma diferença: A família original má, que abandona o seu filho em outro planeta (remetendo à própria castração, enquanto senso de abandono materno) e a boa família, que é a expressão boa de nossos progenitores.

Mais além, a história mostra que Goku era inicialmente, quando criança, muito violento. A sua mudança de temperamento contra o avô (terrestre) só se deu posteriormente, quando caiu de uma grande altura e bateu com a cabeça em uma pedra, perdendo seu instinto destrutivo – um referencia mais clara à castração, só se Goku decepasse o pinto do Picollo.

A questão da família má ainda retorna mais uma vez, quando Goku se vê enfrentando a sua própria raça – que podemos muito bem enquadrar enquanto sua família, já que o primeiro dos alienígenas que retornam é seu irmão, um substituto simbólico do pai, o qual é morto por uma técnica que perfura seu corpo, numa referência a poderes fálicos e vontade de penetrar no corpo do pai como este faz com a mãe – e derrota a todos, numa clara evidência ao desejo de subjugar o jugo opressor e castrador do pai mau que o separa da mãe.

O desejo destrutivo em relação aos pais é também muito claro na morte de Son Gohan (avô) pelo próprio Goku, que quando olhou a lua e se viu possuído por uma força alem de seu controle e compreensão (desejo incestuoso) matou o próprio criador (seu rival para a posse da mãe). Esta força simbólica conferiu a Dragon Ball e todas as suas outras franquias um sucesso mundial estrondoso.

Naruto

Nem fazendo a Cruz...

Trama Básica: Naruto é um jovem que mora na vila de Konoha (ou algo assim). Tal vila é devotada ao treinamento de ninjas de diferentes níveis. Naruto  tem o sonho de se tornar Hokage, que é o mais alto posto da vila, mas é constantemente tido como alguém sem talento e sem dedicação.

Naruto é, na verdade, uma espécie de prisão para um ser mitológico e poderoso, de onde tira forças para sobrepor seus inimigos – uma força maligna que havia matado o Hokage anterior. No decorrer do seu treinamento, Naruto fica mais forte e vai, um a um, sobrepondo seus inimigos e ultrapassando seus limites.

Um ponto essencial da trama é que o amigo de Naruto, chamado Sasuke, se afasta do grupo para completar seus objetivos próprios. Naruto, que acredita que o amigo está cometendo um erro, também se lança ao resgate de Sasuke. O anime e o mangá continuam em produção.

Trama Edípica: Naruto não conheceu os pais – Sequer teve pais, como é revelado algum tempo depois na historia, sendo ele meramente uma forma de conter um ser de grandes poderes denominado “Kyuubi”. A ausência de um núcleo familiar já denota o seu caráter faltoso, delituoso para com a criança, que deixa Naruto por um bom tempo sozinho e sem ninguém para ampará-lo, uma característica central da sensação de castração com a qual o personagem principal luta desesperadamente contra – e simbolicamente, claro.

Na ausência desses, vários personagens lentamente se juntam e se tornam o núcleo familiar de Naruto: São eles os treinadores, amigos de grupo e outros que, impressionados pelo poder de Naruto, começam a admirá-lo e segui-lo. Estes constituem a “família boa” e “humilde”, a mesma que Freud identifica na família que amparou o jovem Moisés.

O que, faz-me lembra, uma diferença gritante entre vilões e mocinhos em grande parte dos animes: O caráter opressivo e arrogante dos vilões e a calma, serenidade e humildade dos mocinhos. Mesmo quando alguns dos vilões apresentam as características humildes dos mocinhos, é uma indicação (que quase sempre se materializa) de que este “passará” para o lado dos mocinhos. O inverso também é verdadeiro, enquanto mocinhos arrogantes tendem a virar vilões na historia. Tal fato só condiz com a indicação de Freud citada em que o protagonista se divide em “família boa” e “família má” e a trama se desenrola enquanto o personagem se vinga da família má e usa a boa para ampliar o seu caráter heróico – e tal divisão, em animes, tende à forte divisão entre “bem” e “mal” que nestes existem, simbolizando cada um dos lados familiares.

Mas exatamente nesta família boa que Naruto apresenta, existe um elemento de castração, de quebra de vinculo: O jovem Sasuke rompe relações com o protagonista – demarcando simbolicamente o que chamamos de “ferida Narcísica”, um elemento principal no evento da castração que é nada mais que a ruptura do ideal de “eu” perfeito – e estes se lançam em combate mortal, defendendo forças antagônicas: Naruto luta para manter a coesão do núcleo no qual Sasuke faz parte e este, por outro lado, visa romper com este.

Neste momento, Naruto e Sasuke são meramente lados opostos de uma mesma moeda, lutando cada qual para defender seus objetivos: Um quer manter o vinculo com o grupo (Relação mãe-filho, inabalada pela ação do pai) e Sasuke quer romper com estes, simbolizando a castração e a relação pai-filho no contexto edipiano.

E nada mais natural do que o que apóia Naruto contra os poderes avassaladores de Sasuke: A Kyuubi, uma força oculta dentro de Naruto, que libera intensa fúria e raiva em forma de poderes incontroláveis e que, mesmo assim, não foi ainda liberada de todo. Neste contexto, a Kyuubi não é nada mais que a pulsão sexual em direção à mãe (simbolizada pelo grupo de Naruto) que é constantemente reprimida (assim como a própria kyuubi é reprimida no interior de Naruto) mas nunca suprimida, liberando cada vez mais poder na busca de naruto pelos seus objetivos – que devo frisar aqui, é a união incestuosa com a mãe.

Não é de se surpreender que Naruto é uma das maiores franquias do mercado de animação japonesa. O simbolismo nele inscrito é gritante e gera um apelo imenso dos fãs.

Samurai X

O Kenshin Afro-Brasileiro

 

 

Trama Básica: Kenshin é um samurai andarilho que vive no Japão do século XIX. Ele viaja sem nunca parar em canto algum, ajudando pessoas sempre que pode. Kenshin possui um juramento próprio: jamais usa sua imensas habilidades para matar alguém. Tanto é que sua espada não possui uma lamina normal: Ela é uma variante da espada japonesa tradicional, que tem a lamina na parte anterior da espada, impedindo Kenshin de matar seus oponentes.

O protagonista encontra então encontra Kaoru, a dona de um dojô em decadência na cidade de Tókio, a qual ajuda a se livrar de um malfeitor. Assim começa uma longa relação entre ambos, no qual ela descobre que Kenshin, na verdade, é um famoso assassino de uma recente guerra e que seu juramento é uma expiação contra as mortes que causou no campo de batalha.

Trama Edípica: Samurai X é tão carregado de simbolismo que chega a doer na vista. Ler o Mangá é quase uma experiência de regressão, dada a simpatia para com os personagens. Ou seja, fans de Kenshin: Quando vocês lêem o mangá ou vêem o anime, vocês estão na verdade transando com as suas mães, lembrem disso.

Comecemos pela proibição à morte, tão explicita e evidente nas ações de Kenshin. No decorrer de todo o desenho, Kenshin luta contra esta pulsão, mesmo quando defrontado com situações mortais. Tal proibição tem um caráter quase obsessivo. Eis aqui o impulso sexual, com o qual o personagem será defrontado e testado constantemente no decorrer da narrativa.

Mas tal característica não poderia ser Per se uma simbolização da pulsão incestuosa se não fosse direcionada de alguma forma para algum objeto simbólico na trama. Mas pouco a pouco destrinchamos a estrutura na qual este desejo repousa: Kenshin aparentemente utiliza esta proibição para manter sob controle o seu instinto assassino, que em situações extrema tende a despertar, causando quase sempre incidentes nos quais a leis é violada. Eis aqui o incesto.

Podemos entender Kenshin não como um personagem que passa pela fase edípica da infância, mas por alguém que já passou por ela. A inscrição das leis no psiquismo – aqui entendidas como a lei do “não matarás” em Kenshin – denotam um complexo já resolvido, mas de forma tumultuosa e não satisfatória.

Kenshin era um assassino. Teve a familia morta durante as guerras anteriores e foi cuidado por um mestre severo, que o ensinou as artes da espada. Por vontade própria – e contra a indicação de seu mestre – Kenshin resolveu lutar na grande guerra, se tornando uma lenda pela habilidade na espada e a grande quantidade de vitimas que causou.

Talvez, possamos compreender o personagem central como simbolicamente lutando contra um Édipo mal resolvido. Após o fim da guerra, kenshin sente um forte sentimento de culpa pelas ações empreendidas e resolve expiar seus pecados. Eis aqui um elemento novo, uma dose de culpa pelo incesto obtido, simbolizado no desenho pela época de matança incontrolável e horrores citadas por Kenshin.

E aqui encontramos uma grande diferença entre este anime, e os citados: Aqui, a culpa tem função primordial no desenvolvimento do personagem. Kenshin não luta para superar seus inimigos – pois é notório no desenho que estes não são páreo  para suas habilidades desde o início – mas sim para superar a culpa avassaladora. Onde os outros animes acham satisfação, neste encontramos apenas o sentimento de culpa de Kenshin.

Esta culpa, uma transfiguração do superego freudiano (o superego freudiano é uma instancia psíquica a qual Freud afirma ter função de introjetar as leis e normas da sociedade) só pode existir num contexto pós-edípico. Como citado acima, Kenshin mais parece alguém lutado contra suas obsessões e conteúdos reprimidos do que necessariamente alguém passando pelo Édipo.

Os posteriores adoecimentos de Kenshin, em parte por um evento posterior no qual Kenshin acredita ter matado uma pessoa querida, mostram uma espécie de adoecimento psíquico, uma neurose clássica. Ao perceber que violou o código, Kenshin cai em profunda depressão. A incapacidade de aceitar (ou de acessar diretamente o inconsciente e seus materiais, no caso) o incesto passado aparentemente chega ao ápice neste momento da trama.

Mas Samurai X merece uma análise muito mais detalhada do que a que eu estou querendo dispor aqui num simples tópico de um blog obscuro. Mas creio que aqui se fez o ponto necessário: O apelo de boa parte dos animes masculinos vem de seus conteúdos secretos, que são atrativos ao nosso inconsciente, que está sempre procurando formas de descarregar energia psíquica, aqui através dos materiais invisíveis da trama.

Perguntas?

 

Uh... Intendi nada não, eu...

Foda-se você então.



Se Rasgum?
novembro 17, 2009, 5:57 pm
Filed under: Review, Sarcasmo

Tava tão “nem ai” para esta merda que nem vou me incomodar de usar a logo do festival do ano passado para ilustrar este post.

Como sempre, meus comentários podem ser taxados de “tendenciosos” e “cheios de maldade”. A unica explicação para tamanha infâmia, imagino, deve residir no fato de que as pessoas que falam tais coisas devem ter sido, alguma vez, alvo de meus comentários tendenciosos  e cheios de maldade. Coisas da vida.

Bem, um monte de gente inútil já falou o que tinha que ser dito sobre as baboseiras e  “rockeirisses” pertinentes ao festival, ainda mais por que tais pessoas devem ter ido a todos os dias do festival. Eu fui só no domingo.

Por que me deram convite.

Não me era possível, particularmente, sentir mais desinteresse pelo festival, suas bandas e atrações. Dizem que houveram bons shows. Não sei. Pergunte para a galera do “E as melhores banda foraaaaaaaaaaam…” supracitadas ai. Não que eu não adore transformar eventos “culturais” em disputas egomaniacas por títulos desprezíveis e narcisicos, mas eu não estou muito no humor da bajulação.

Não, não, eu só queria ficar bêbado. Jesus, isso é pedir muito?!

E eis a faceta que eu gostaria de discutir do festival. A parte dele em que o jovem rapaz – estereotipadamente negro, com tênis da Nike e camisa da Adidas – oferece prontamente seus serviços de traficante de pó, do THC distribuído como se fosse a hóstia hyppe, etc…

Pareço estar jogando pedra, não? Logo eu, o bebum?! Não, amigos, longe disso. Pelo contrário: Cumprimento-os. Saúdo a todos que ficaram chapados durante o evento, que ofereceram cocaína ao desconhecido no banheiro (caridade!), que, na falta de efetiva seda, usaram o papel da programação do festival para bolar o preto, que entraram com garrafas de cachaça, vodka, santo daime (!!!) e outras coisas não-tão-licitas-neste-hemisfério. Obrigado a todos.

Pois, afinal de contas, que melhor prova do absurdo fracasso de um público para com seu festival, senão da completa alienação de um para com o conteúdo do outro, hã?

O que quero dizer com isso? Ora, simples: o festival pouco se lixava com quem era o seu público (ou o que usavam)  e o público pouco se importava com quem fazia parte do festival. As bandas, analogamente, não poderiam dar menos atenção à ambos. Um era meramente o combustível dos prazeres pessoais do outro. O festival tinha o seu público – para dizer que “bombou” – as bandas tinham pessoas para bater palmas – e dizer que “quebrou tudo” – e as pessoas tinham barulho para praticarem suas excentricidades – e dizer que “arrasaram” no festival mais “bombação”.

“MAS EU AMO PATO FÚ, PORRA! FERNANDA TAKKAI, LINDA, GOSTOSA, FUDIDA, QUERO CHEIRA PÓ NA BUNDA DELAAAAAA!”

Eu sei, meu bein. Eu  sei. Tinham as bandas que amávamos, compramos ingressos só pra vê-las e etc etc. Mas, da mesma forma que amamos o show deles, amamos também o show do Popsom (eram eles?), não amamos? De formas diferentes, talvez? Só pra curtir? Sim, talvez, mas ainda assim, ambos funcionaram de formas similares para um mesmo objetivo. O objetivo real de todo mundo que foi pra lá, a unica coisa que levou um público consideravel para aquele lugar dos infernos:

Vontade de se divertir.

“SEU PORCO FACISTA, FILHO DA PUTA, QUEM NÃO QUER SE DIVERTIR, SEU VIADINHO CHUPADOR DE …”

Calma, migs. Pegue uma saca de cem e se  acalme. Não estou dizendo que há um problema nisso. O Se Rasgum, em ultima instância, não passa de entretenimento para as massas – vide a palavra “alienação” acima – e não há como fugir disso. Mas como se diverte essa massa que é a parte que me interessa. E não critico-a, devo ter que relembrar! Mas observo…

Não existe prazer na música em si. É necessário um mar de bebidas e outros vícios – no meu caso, o Sr. Presidente bastou, com alguns aditivos naturais – para um efetivo aproveitamento das atrações do festival. Não, não são todos, é verdade.  Existem uns pouco (ou muitos, depende da visão) desafortunados, que não acham prazeres nos vicios mais antigos e parasiticos da humanidade.

Um minuto de silêncio para tais pessoas.

 

.

.

.

 

Mas eis o ponto que quero chegar: O ponto em que o festival fracassa completamente. Seu público uma farsa. Suas bandas, meras iscas decorativas. Céus, se  fosse possível alugar um local grande o suficiente e enche-lo de bebidas, pílulas e certas espécies vegetais e cobrar dez reais pela entrada, creio que conseguiríamos efeito similar ao Se Rasgum. Um monte de gente alucinada, suscetível a qualquer estimulo externo para pirar. No caso, bastaria um CD do Frank Aguiar e o botão de “Repeat” para entreter meio milhão de pessoas.

Mas, ora, chega disso. Estou até surpreso com o numero de palavras e carinho que estou investindo neste tema. Não, ignorem este tolo rabugento. Não sei o que digo, quero meramente a vossa atenção. E, falando nisso, sabe o que eu fiz quando anunciou Matanza no palco principal?

Dormi. E a namorada – apoiou. Ô bandinha ruim. Tão ruim que nem baixo ou vocal tinha. Seriamente, se fosse para ouvir banda que falasse de putaria, eu preferiria Velhas Virgens, que não só falam de bebida, mas também, no pacote, coisifica a mulher, reduz todo mundo a pica e boceta e – com lágrimas no olhos, afirmo – me faz lembrar a ideologia que pregava que as mulheres tinham duas funções no cosmos: Trepar e levar porrada.

“Foda-se a mulher porra. Eu… tô… CHAPADOOOO!”

Ah, porra. Assim é foda. Desce três bikes e uma Roskoff, por favor? Quero me divertir um pouco.



Eu e o Sr. Presidente
novembro 10, 2009, 12:58 am
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praia

Eu e o Sr. Presidente costumavamos conversar na praia de Maceió. Falavamos de futilidades e ofendiamos os alagoanos mais próximos. Tudo era alegria até o meu amigo ser deposto e mandado ao exílio.

Ainda tentou voltar de novo, nos braços do povo, mas acabou morrendo pelo mesmo povo que o trouxe de volta. Coisas da vida. Ai fui embora de Maceió.

Mas cá estou eu, em Belém, ansioso pela terceira visita dou meu amigo democrata. Tenho uns amigos quee vão gostaaaaar…