Psicodélica


Cruzadas? Só Se For de Revista
março 15, 2008, 3:42 pm
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Cruzada

Enquanto meus caridosos médicos especulam sobre minha doença e no meio tempo aplicam todos os testes conhecidos pela medicina moderna nesta frágil carcaça, eu me divirto assistindo um ou outro filme. Minha prestativa namorada me fez o favor (ou desfavor) de me emprestar Kingdom of Heaven (Cruzada) com o eterno Legolas. Ou Orlando Bloom, como preferir.

Lembro-me que a única vontade que eu tinha de rever este filme – que eu havia visto no falecido Cine Nazaré – era pelas cenas bacanas que envolviam um exercito cruzado em pleno deserto carregando uma cruz de ouro pra lá e pra cá. Não me arrependi. A cena está lá e é muito legal. O resto é, no minimo, duvidosamente irreal.

A primeira coisa que me salta os olhos é a constante presença de um saudavel ceticismo em relação à religião em quase todos os personagens. De Saladino ao Rei de Jerusalem, todos parecem ter lido demais Dawkins e revelam cá e lá uma dose certa de distancia do fanatismo religioso.

Nada contra o ceticismo ou o ateísmo, mas considerando que o filme se ambienta em pleno seculo XII, auge do domínio da igreja católica, que – ora, é o tema do filme – conseguiu até mesmo convencer meio mundo de que era justo invadir uma pequena faixa litorânea de terra e massacrar toda a população de uma cidade supostamente santa, tudo em nome de Deus, bem, você espera que as pessoas sejam um pouco mais… religiosas. Ou loucas.

Mas não. Nem Saladino, lider de uma nação muçulmana sedenta por sangue cristão e por um local sagrado para orar, o mesmo que praticamente educou o seu povo para o único proposito de lutar contra os cristãos e construiu inumeras escolas islâmicas para seu povo, parecia um pouco desmotivado em relação a Alá. Sequer rezava, aquele barbudo sacana, comedor de gelo do deserto.

E quanto à Balduíno IV, Rei de Jerusalém? A conversa inical dele com Orlando Bloom não era exatamente o que eu esperava de uma figura histórica que representava todo o furor da intolerância cristã no oriente. Mais parecia um humanista do século XIX do que um rei de exercitos episcopais no século XII. A tolerância à Saladino também é reconhecivelmente bizarra, sendo que este último é simplesmente uma óbvia e iminente ameaça às nações cruzadas, ostentando com orgulho 200 mil soldados muçulmanos na cidade mais próxima.

Isso sem falar em Orlando Bloom, suposto Barão de Ibelim e principe élfico da floresta das… opa, não, isso é outro filme. Mas Barão ele era, tão certamente quanto era um atéu convicto, com toda aquela história de que “não é a vontade de Deus e sim a vontade fazer o bem” e blablabla. Me poupe, pois de um cavaleiro templário em busca de redenção numa das cruzadas, eu só poderia esperar no minimo um elfórico “matem todos esses mulçumanos”. Mas não, O Barão de Ibelim reza um tercinho durante o filme todo e acha que isso já tava bom e que já tinha perdido a fé.

Mas Deus não pareceu se importar muito e concedeu ao Barão a graça de ter tudo o que ele queria da forma mais rapida (e chata) possivel. Veja bem, num belo dia, um pequeno ferreiro recebe a visita de um nobre que afirma – sabe lá Deus como ele soube – ser seu pai. No dia seguinte, tal pessoa morre durante uma sangrenta batalha e o pequeno ferreiro automaticamente se tranforma no novo Barão de Ibelim, sem que NINGUEM conteste tal fato. NINGUEM, na França, Século XII ficou irritado por que um plebeu, trabalhador, havia subtamente ascendido à Barão. Nada mau, hein?!

Não bastando isso, logo ao chegar em Jerusalém, nosso amigo sortudo teve a infelicidade de encontrar os fiéis lacaios do antigo barão, que aparentemente sem nada melhor pra fazer, estavam de bobeira ali na praça, quando viram o novo nobre. Após uma teste de fidelidade e terem tido certeza de que o jovem era de fato o o novo barão – e tal teste contitui somente acertar pergunta “tinha ele olhos azuis ou verdes?” – os servos levam-no para um luxuoso palácio com todo o conforto. Todos, de cara, juram lealdade para o recem-chegado.

Até mesmo para achar agua para um poço cartesiano, Ibelim não tem a menor dificuldade. Essa facilidade toda com que ele simplesmente consegue as coisas durante o filme é irritante. Pior, Orlando Bloom, tentando dar uma de Aragorn, tenta ser o lider de uma cidade sem esperança mas sua atuação é completamente apática e sem vida, o oposto do que se esperaria do papel.

Como eu havia lido em algum lugar a muito tempo atrás, um exemplo certo disso é o horrendo discurso de Ibelim para as tropas sitiadas de Jerusalém. Se eu fosse um plebeu forçado a pegar em armas – como foi o caso – enfretando a morte certa, má NEM MORTO que eu faria isso depois daquele discurso, que parece ter sido escrito por uma criança de 12 anos.

E mais legal ainda no filme, é como as coisas foram embelezadas durante todo o percurso da história, como o suposto envolvimento da rainha Sibila com Balian. Mas melhor exemplo não há, do que o suposto rendimento de Jerusalém para o grande Sultão muçulmano. A historia nos ensina que Balim, muito ao contrario do que mostra o filme, na verdade ameaçou matar todos os muçulmanos da cidade caso Saladino tentasse invadi-la.

Saladino, muito menos humanitário que no filme, aceitou o acordo, sendo que para cada 7 mil homens, os cristão teriam de pagar um poupudo resgate (1 homem podia ser substituido por 10 crianças ou 2 mulheres pelo mesmo preço. Gente fina o Saladino, não?). Quem não pudesse pagar ficaria na cidade e se tornariam escravos.

Ou seja, não só o filme é recheado de milhares de inverdades históricas, mas também um quilo de parvas atuações e fracos dialogos. Se nós fossemos Eva Green (Rainha Sibila) não teriamos duvida no que pensar depois de ir ao cinema:

Worst Hair Ever?

“Não acredito que cortei meu cabelo para aquela merda”

Nem eu.



Pixel India
março 8, 2008, 2:02 am
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Sente só a bandeira da índia em 1921, segundo à tesuda Wikipédia:

indiaflag.jpg

E tudo porque o Sr. Mahatma Gandhi tinha por passatempo favorito a depreciação das facilidades da modernidade como FAZENDAS e adorava falar o quanto fiar fazia bem enquanto atividade primitiva de produção.

Conversada FIADA. Sacou…? SACOU!?