Psicodélica


Cousas
maio 17, 2008, 10:51 pm
Filed under: Outros, Sarcasmo

As cousas funciona dessa forma mesmo. É inerente da vida, infalivel tal qual a gravidade (a menos que você more num buraco negro), fatídico como a morte, que se aproxima cada vez mais a cada docinho que alegremente saboreamos. As cousas são assim mesmo, um amontoado de situações que, de maneira nenhuma, você (tolo mortal) pode vencer.

Exemplos disso não faltam na minha tola vida. Veja bem, eu ensaio no confins mais obscuros e afastados da cidade, me desloco quilometros, milhas! Verdadeiras corridas de resistencia contra o tempo, o transporte público, o peso dos equipamentos ou contra a pericia dos assaltantes. Por si só, já seria uma dessas cousas que são assim mesmo. Mas imagine a alegria desta pequena criança quando, num surto de bondade e benevolência, o prôgenitor deste músico fôdido resolve lhe empresta o carro.

Munido desta maquina sangrenta e assassina, metamorfeseada de um inofensivo Uno Mille (Não se engane!), eu seria capaz de qualquer feito. Capaz de romper as próprias barreiras do espaço e do tempo e me deslocar pela infinitude do cosmos com velocidade ímpar – usando tanto gasolina ou alcool, veja bem! Nada podia dar errado!

Ah, mas como são as cousas. Deixamo-nos levar por elas, achamos que tudo está bem e… bem. Lá estava meu pai, sentado naquela mesa de bar, apreciando aquela cerveja que ele adora – e que ainda vai mata-lo um dia. Eu também estava lá, aparentemente sentado. Mas de verdade, eu estava meio que flutuando na cadeira, num estado de eterna expectativa e alerta, observando meu pai tomar a terceira saideira enquanto meu relogio, totalmente tresloucado, girava feito carrossel desgovernado.

No final das contas, se alguem quebrou as barreiras do espaço e do tempo, esse alguem acabou sendo meu pai, que tranformou uma singela cerveja num buraco entrôpico que me sugou quarenta minutos de existência que eu sequer desconfio para onde foi. Quando me percebi, estava totalmente atrasado para um ensaio do outro lado da cidade.

Morte Retangular

A Morte Vem em Ângulos Retos: Não se engane!!

Mas, após esta infinita espera, eu estava finalmente no controle deste neo DeLorean, se movendo à velocidade da luz. Ultrapassei o primeiro carro com ímpeto homicida. O segundo passou para trás como que sulgado pela entropia temporal do meu pai. O terceiro conseguiu me parar, enquanto o primeiro e o segundo passavam por min. Passei o terceiro e fiquei na cola do segundo, enquanto o primeiro e o quarto me ultrapassavam, tentei segui-los mas um quinto me bloqueou a passagem, e vi um sexto e um sétimo passando por min. Passei por todos mais uma vez e parei novamente atrás do terceiro que estava atrás de um quarto que estava atras de um quinto e assim sucessivamente até um centesimo nono. Eu estava preso num engarrafamento gigantesco, tinha que admitir.

Impedido de estravazar toda a potencia do carro, tive que me contentar com aquela sordida marcha por mais uma meia hora até conseguir chegar no cruzamento que ia me livrar da coisa toda. Voei para o ensaio, nada mais podia me deter, estava já chegando no local demarcado, quando eu vi aquilo.

Ora, ironia talvez? Não, não. Para quem me conhece, provavelmente consegue já me imaginar blasfemando, do inicio ao fim da situação contra qualquer Deus que pudesse, por ventura, estar ouvindo. E blasfemando muito. Nada mais justo – e coerente com a minha visão das cousas – que nada mais nada menos uma PROCISSÃO na única rua que eu conhecia para ir ao ensaio.

Procissão completa, com velas, cantoria, mini-carro som, violão e vozes desafinadas, num só coro, numa só progressão harmônica infinita, que duraria por horas. E eu posso dizer isso com jurisprudência: Por muito tempo, eu mesmo participei das procissões de Icoaraci (A veneza paraense!), portanto eu sei bem o inferninho que é, e qual é o tipo de gente que vai.

Ora, o que fiz? Taquei o carro atrás do santíssimo aglomerado, coloquei gentilmente no máximo o volume do carro, coloquei o CD do Spiral Architect e esperei. Sem estresse. Pra min pelo menos. Não consegui nada com isso, óbvio, a não ser um ou outro cidadão ofendido que proclama a música como diabólica. Enfim, com hora e meia de atrasso, cheguei ao local. Plugo meu baixo rapidamente, tentando evitar os olhares de reprovação, aumento o volume toco e…

Percebo que não sai som.

– Ah, Ribamar, a caixa falhou, olha. Hoje o ensaio só foi com percussão mesmo. Que sorte tua, né? ;]

Cousas que acontecem comigo.

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Seu Madruga – The Early Days
maio 17, 2008, 10:46 am
Filed under: Sarcasmo
Seu Madruga In Laos

O filme retrata os anos sombrios da vida de Don Ramón (Vulgo Seu Madruga – na capa do DeiVeiDê) quando, abatido por credores enfurecidos durante a guerra dos farrapos, cai com o seu disco voador numa fazenda do Laos, onde desenvolve para sua rópria sanidade, toda uma obra psico-filosofica, que posteriormente entraria na cutura popular com frases de efeito como “ganha quem não perde”.

Três reaus lá na esquina.



Gordos e Leptops
maio 13, 2008, 3:47 pm
Filed under: Clave de Fá, Review

DJ gordo

Semana passada teve um workshop sobre produção músical com o Dj Raffa, através do porjeto “Eu Faço Cultura” do Senae. Seria lindo dizer que eu sou um super fã do cara e que eu acho o trabalho dele super inovador blábláblá, mas a verdade é que eu nunca tinha sequer ouvido falar no nome desse infeliz, e muito menos eu sabia deste curso até algumas horas antes da segunda e última aula do workshop começar.

Agradecimentos à namorada, que fez o favor de me comunicar algo que simplesmente deveria estar na boca de todos do ramo – e obviamente não estava. Na verdade, quase ninguém sabia da palestra, que foi apreciada por oito pessoas no segundo dia e, pelo que disseram, cerca de dez ou onze no primeiro. E maioria não fazia sequer idéia nem de onde plugar o P2 da guitarra.

Criticas sociais a parte, DJ raffa, um desses caras que ascenderam na vida através de muita fome (o que é difícil de crer, já que ele tem a forma física de quem nunca parou de comer), não se aprofundou muito no assunto sequer chegou às margens do que eu queria saber e, ainda assim, a palestra foi mais que interessante, com exemplos de plugins de audio de diferentes tipos, dicas de equalização entre outras coisas que, de tão básicas, me fazem enrubescer de vergonha por não sabe-las. Vivendo e aprendendo.

E, parte interessante, a palestra aconteceu na fundação Curro Velho, próximo ao Solamar, se é que essa espelunca ainda não desabou. Lá, para minha surpresa, eu descobri uma penca de cursos livre (e gratuitos) não só sobre dança ou pintura, mas sobre equalização de audio (turmas lotadas, pro meu azar), oficinas de canto coral e varios modulos para violão e canto. Prato cheio pra quem quer começar ou expandir horizontes.

Só tem o problema que o Curro Velho está instalado numa das áreas mais perigosas e violentas da cidade. Nada que alguns coqueteis molotovs não resolvam, portanto, não deixem de conferir a programação do Curro Velho, quem geralmente é renovada de dois em dois meses.