Psicodélica


Reviews From Hell: Cover Baixo Belem (Dia 2)

Então, esse fim de semana que passou – graças a Deus – abrigou a versão manga com leite quente do Festival Cover Baixo, que está viajando o país com apresentações de baixistas renomados, tanto regionalmente quanto nacionalmente.

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Clica Aqui Pá Vê Grandão

Apesar da total falta de coerência, o que você está vendo no pequeno painel acima é uma foto do lugar onde o maior gênio do contrabaixo paraense – que, pasmem, não tem uma entrada na wikipédia em português, só em inglês – se apresentou. Não se deixem enganar pela cara de “I’m lonelly and horny” do flanelinha de vermelho ou pelo “I’m too sexy for this party” da gatcheeenha de preto, o local é esse mesmo.

Explicando: Por falta de conseguir lugar melhor (e eu só consigo explicar dessa maneira o fato) escolheram o lendário Café com Arte para ser palco do festival. Ora, todos que conhecem a espelunca que é o CA , sabem que o “lendário” é atribuído às dezenas de casos esdrúxulos que acontecem por lá, como gente tentando beijar meninas vomitando, bêbados se jogando no palco, homens se beijando (!), e até furto.

E, bem, o caso é que logo após as apresentações do festival, já tinham festas marcadas com bandas INFAMES como Audioslave Cover ou Strokes Cover, que só de vergonha, nem cito. Ou seja, ao fim do festival, como baratas, multidões emocore e variantes menos depressivas (e mais bêbadas) já infestavam o ambiente. E eis a foto.

Infelizmente, minha falta de recursos monetários não me permitiu ver os três dias de festival, que contou com baixistas que, me contaram posteriormente, o que não tinham de fama, tinham em dobro de talento. E justo no dia que eu vou, a surpresa: das três apresentações do dia, três são de artistas regionais. Que coisa.

Não aceitando devoluções, a bilheteria me convidou a entrar no ambiente das apresentações. Muito puto, me ajeito da maneira mais desconfortável possível numa parede cheia de pregos, para poder ter uma visão mais imparcial do show. Assim, assisto a primeira apresentação:

MARCUS BRAGA (Quem…?!)

Então, eu não sei. Mas ele tava lá, e eu já tinha pago mesmo.

A banda de apoio do baixista contava com baterista, tecladista e um rapaz nos sopros. Ao fim do show, eu tive a nítida impressão de que eles juravam que aquilo que haviam tocado durante quarenta minutos tinha sido jazz. Jazz My Ass. O show teve um forte teor de rock progressivo durante toda a sua extensão, com sincopas consagradas do gênero durante os temas, o uso dos mesmo como apoio para o improviso dos integrantes, entre outras coisas.

Os temas deixavam uma forte impressão pela força que possuíam – todos de muito bom gosto, simples e que iam direto ao ponto. Foi a maior característica das músicas apresentadas, que eram baseadas mais nos construtos melódicos que nas grandes jogadas harmônicas, que infelizmente me fizeram falta.

Ao fim da apresentação, porem, uma estranha sensação de perda se abateu sobre min. Uma impressão de que algo importante e essencial havia se perdido durante o show, um vácuo que foi preenchido pelo numero de instrumentistas no palco. Lembrei no último instante antes de ir ao banheiro: Faltou baixo.

Marcus Braga pode ser até um bom compositor, mas é uma baixista no máximo medíocre. Suas linhas eram de uma simplicidade mórbida e possuíam uma ociosidade tediosa. O seu improviso – apenas um durante todo o show, o que não é surpresa, pois improviso não é uma característica do progressivo – foi bastante tímido, sem ousadia ou sem qualquer coisa na verdade, a não ser que tinha muito efeito.

Outra coisa que me irritou muito durante o show era o total caos em que o som estava imerso. O baixo estava nas alturas (o que, de certa forma, era um desastre, mas estava correto) enquanto que todos os outros instrumentos estavam timidamente encobertos por uma camada de sigilo silencioso. Mal pude entender os improvisos que o saxofonistas fez em seu sax digital (pasmem) ou alguns outros que o tecladista fez.

Estava tudo simplesmente desaparecido, sumidos.

Enfim, o show de Marcus Braga não foi uma total decepção, mas foi tudo que eu geralmente espero de um baixista daqui: Timidez, falta de ousadia e uma certa inaptidão para o figurino.

Mas também, o que vocês esperavam de um baixista que toca numa banda como essa aqui e faz músicas com essa letra aqui, ô:

Quando o metal cravou suas mãos na cruz
Ele não era white, ele era heavy por causa do pecado pesado
Mas quando o tocou,
O seu sangue com poder na cruz fez alquimia, o iluminou
Transmutou o metal bruto no puro metal… Whitemetal.

Próximo, néam?

CLEITON SATIRO (Ahh…)

A gente já tinha pago, né?

Sr. Satiro já é uma figura conhecida no cenário heavy metal belenense, seja pela sua técnica, pela sua musicalidade ou simplesmente por ser muito fashion. Muita gente já conhece o trabalho do baixista na banda de Metal Progressivo Anomaty, que envolvia muitas semicolcheias e algum baião com duplo domínio.

Satiro está de volta, não só organizando o evento mas também tocando nele. Foram quarenta minutos do trio formado pelo baterista Leandro, o guitarrista Jonnhy e pelo próprio Cleiton. E quem pedir sobrenomes, morre.

Uma das principais deficiências do grupo seria solucionada de maneira definitiva com uma medida que, apesar da banalidade, é simples e efetiva: Cleiton precisa comprar um baixo novo.

Não que o baixo seja ruim, pois o som do pizzicato que ele apresenta é ótimo, mas a preferência do dono pela técnica do Slap denuncia o granhido que deveria ser o som do instrumento. O timbre era simplesmente irritante para a técnica – e aquele probleminha do som ainda agravou isso, deixando o contrabaixo nas alturas – e estragou por diversas vezes o improviso do excelente guitarrista, abafando-o.

Aliás, timbre estava sendo um problema pro trio, pois o som do guitarrista também estava muito estranho, com distorções esquisitas onde não deveria haver e a falta de volume em tais e tais trechos estava definitivamente deteriorando a performace do grupo.

Uma coisa que fez falta na apresentação do grupo foi a falta de trabalhos próprios – apenas duas músicas.

Mas talvez a coisa mais intrigante (e divertida) do show foram as diversas alfinetadas gratuitas que Satiro fazia questão de soltar vez ou outra. Eu simplesmente vibrei de felicidade quando ele chamou o técnico de som de surdo – pudera, o cara de fato devia ser – ou, melhor ainda, quando insinuou de forma sutil que deixou de for a maior parte (pra não dizer toda) a panelinha de baixistas de jazz aqui em Belém de fora do festival. Gente, esse pessoal deve estar todos mordendo os cotovelos nas suas casas, mas nada mais justo com essa gentalha, neam? Próximo, que o próximo é bom…

NEY CONCEIÇÃO

Gente, chorei nesse. =~

Não tem jeito, Ney é o melhor baixista que já saiu dessas bandas quentes e mal-cheirosas. Dono de bom gosto único para melodia e harmonia, possuidor do dom daquela agilidade felina que todos nós gostamos de ver vez ou outra e, melhor que tudo, dono de uma personalidade agradabilíssima, Ney mata a cobra e mostra o pau.

Aliás, diga-se de passagem, o cara é tão agradável, que faz até com que as filhasdaputice com que de vez ou outra ele agracia o pessoal pareçam as coisas mais fofas do mundo – como por exemplo, Ney lá fora, conversando tranquilamente enquanto ignorava completamente o show dos dois outros baixista acima citados. Gente, não só não consegui culpa-lo por isso, como me juntei a ele lá fora para poder ignorar como o mestre.

Ney abriu o show com “Mônica”, musica de fofura e graciosidade únicas. Só ele, no baixo. Eu já acho difícil tocar uma música Bass Only num baixo de 6 cordas, mas Ney não só conseguiu isso da forma mais foda possível, como fez isso num baixo de 4 cordas. Impagável.

Da mesma forma, “Resposta” só baixo e Sax, foi absolutamente lindo – não sei se pela música, ou se pelo saxofonista que não conseguiu acompanhar, por duas vezes, a agilidade do baixista e ficou catando poeira durante o dueto do tema da música. Acontece.

Foi lindo, não importa o que eu fale aqui a respeito disso, só estando lá para sentir a aura desse gênio da música brasileira, que irradia competência e carisma. E isso encerra a resenha do show do baixista mais foda do mundo que come uma muié mais feia que a minha, mas ta limpeza.

Ósculos e Amplexos, galera.

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Projetos
dezembro 10, 2007, 2:11 pm
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Tempos de renovação músical, meu colegas.

 

 

Essa balburdia ai em cima é uma pequena composição minha – chamada por enquanto de “We’re The Tomorrow World” – feita para o meu pequeno trio de música experimental. Voz, bateria e baixo somente. Um tanto ambicioso, sim. Praticamente um suicidio quando o assunto é público, mas tentar não custa – e falhar não é vergonha.

Com o continuo descaso com o projeto Stella Deus pelos integrantes, creio que eu acabarei investindo mais em projetos menores – não em embição, mas sim em número de pessoas envolvidas. Se existe uma coisa que eu tenho notado nas bandas daqui do norte – e na minha própria experiência com elas – é que, quanto maior a complexidade da proposta, maior é a chance da coisa desandar caso o numero de integrantes seja muito grande.

 

E, guiado por esse pensamento, tenho direcionado meus esforços para bandas com um numero reduzido de integrantes, para maximizar não só cada instrumentista e aumentar o leque de sonoridades que se extrai de cada instrumento, mas também para reduzir o efeito triste que o amadorismo músical paraense exerce sobre cada nova geração de músicos.

 

E dessa forma, a provisoriamente nomeada “Deus Project” (por motivos óbvios) começou, muito nos barrancos, a tentar criar algo solido a partir de Contrabaixo e bateria – apoiado por outros intrumentos de palco, executados em boa parte por min e pelo baterista, Emannuel, vulgo BACURI.

 

E rezemos para não dar merda. Assim que existir algum material, ponho aqui para o deleite geral.

 



Ausente
dezembro 3, 2007, 11:29 pm
Filed under: Uncategorized | Tags: ,

Sinto muito, cambada. Mas estou concentrando meus esforços humoristicos na Desciclopédia, site máximo da inteligencia e maturidade humana. Passo horas criando coisas como isso aqui.

Pelo  menos lá, alguem lê algo. =~