Psicodélica


Noir Tropical
dezembro 26, 2009, 1:34 pm
Filed under: Outros

Eu tinha dois cigarros na mão. Apagados. Guardava-os por algum motivo. Deviam ser bons. Pela marca, pelo tamanho, não sei. por enquanto, basta isso. Guardava-os.

De onde eu vinha não me lembrava. Alguma coisa haver com o parque, carros… alguma coisa doente, tenho quase certeza. Não interessa, talvez. Enfim, foi no ônibus que eu encontrei ela.

Usava uma roupa velha: uns shorts mal-trapidos e uma camiseta simples, em conjunto com uma daquelas havaianas que ferem as laterais dos pés, tipo de roupa que você ia achar aos montes naquelas esquinas fedorentas do ver-o-peso. Em contra ponto, num imenso clichê Mark Millerniano, usava um batom vermelho que fazia o resto do mundo empalidecer. Depois de um tempo, reconheci a figura. Era uma velha prima minha.

Sentei perto dela no ônibus – nas cadeiras logo atrás onde de onde ela estava sentada, para ser exato – e bati algum papo sem noção. Ela andava, enquanto falava, ia pro meio do ônibus e gritava para que eu pudesse ouvir. Meio constrangido, pedia para ela se sentar, mas não adiantava muita coisa. Em algum momento, ela aceitou ficar na poltrona onde eu estava e falamos mais alguma coisa.

Algo sobre ela morar em hotéis. E sobre ser despachada deles, um após o outro.

Subitamente, saiu do ônibus. Eu não soube o que fazer na hora, um tanto aturdido pela inesperada reação de pânico – parecia pânico – dela. Da janela do ônibus, vi-a com dois cigarros na mão, sentada num pequeno canteiro. Não sei o que me impeliu, mas quando dei por mim, estava fora do ônibus também.

Um daqueles dois cigarros que eu guardava havia sumido. O outro estava acesso na minha mão, pela metade.

Me aproximei dela e vi que, daqueles dois cigarros que havia visto com ela, apenas um era, de fato, o enrolado tradicional e industrializado que conhecemos, com seu corpo branco dividido em seus três quartos por uma pequena linha preta, as vezes decorada por um pomposo emblema. O outro era um pequeno charuto cor de areia, que soltava um rico cheiro de alcachofra. Acendia os dois e colocava ambos em sua boca. Tragava-os simultaneamente.

Déjà vu. Eu já havia visto isso antes em alguma lugar. Meu cigarro caia no asfalto, morto. Conhecia esse procedimento.

– Então, primo. A cidade também lhe transformou num lobo?

Era dessas perguntas que fariam qualquer um perguntar “Como assim?”, “Hein?!”, ou qualquer outra variação que tiraria toda aquela tensão narrativa típica de filmes e novelas, donde os personagens não tem duvidas do que ouvem e suas audições super sensíveis  nada perdem.

Mas em um  inusitado senso de clímax, olhei no olhos dela buscando alguma razão por ter deferido tal pergunta, depois busquei em meu bolso por algum maço – Derby, tinha uma carteira de Derby lá – e enquanto acendia lentamente um cigarro,  procurei uma resposta apropriada na minha cabeça. O melhor que eu achei foi algo como:

– Olhe, se você nasce uma cascavel, morrerá cascavel. E assim sendo, um lobo só poderá  ser um lobo a vida toda. Não existem cascavéis que viraram lobos por mais que as vezes uns se confundam com os outros. Para ser um lobo, um teria que ter nascido lobo.

“Escamas jamais se tornarão pêlos”, imaginei. Ela sorriu pra mim e fomos andando por uma rua de aparência escura e perigosa. De repente alguem a aborda. Fala algo para ela. Mostra uma camera para ela. Começa a chorar. Tiro uma foto me aproximo e digo…

“Cinco minutos sozinho!”

Oi?

***

Acordo com o despertador do meu celular (que é a musica “5 Minutes Alone” do Pantera, haha) e meu pai colocando musicas natalinas para tocar. Nada mais me lembro deste sonho.



House
dezembro 24, 2009, 7:29 pm
Filed under: Review

Eu poderia vir  aqui para falar coisa mais interessantes (ou não) como o natal, mas ao invés disso, resolvi compartilhar uma dica com vocês, coleguinhas:

House M.D.

Difícil achar alguém que não goste de House e a sua sarcástica visão de mundo e da medicina. Mas achar alguém que goste do seriado por que de fato entende e gosta das reviravoltas médicas, ora, eis aqui algo difícil de achar.

E adivinha o que eu achei. ;D

O site Polite Dissent é uma mistura de revistinhas, televisão e medicina. A mistura rende diversos posts interessantes. Mas a melhor parte são os reviews médicos de séries como House e Fringe, que lidam com medicina de ponta. Como é óbvio – mas nem sempre facilmente aceitavel – House erra (e feio) em diversos momentos da série.

Confira aqui. E por favor, por mais que House seja só uma farsa aberrante como médico, ele ainda é um messias dos arrogantes e sarcásticos, que é o que de fato faz a série ser genial. Portanto, nós ainda te amamos house, mesmo você não sabendo nada de diagnósticos. s2