Psicodélica


Radiodhead 1
março 22, 2009, 3:10 am
Filed under: Uncategorized

Minhas harmonias não são suficientes. Meus limites não são suficientes.. I’m just a redneck.

Aways like this…

(post de bebado, não preste atenção)

Anúncios


Sonhos
março 18, 2009, 6:15 pm
Filed under: Outros | Tags: , ,

Era um garoto com 15 anos, cheio de sonhos. Um deles era de ver o tal show do Radiohead. Outro era ter uma banda. Mas eles – o Radiohead – nunca viria ao Brasil. Tinha certeza.

Hoje, é um garoto de 22, não acredita mais tanto em sonhos, mas verá o show pelo outro cara que havia sido à sete anos atrás. Não espera diversão. Não espera mais nada. Só um assaltalto na estrada.

“E que seja um tiro na cabeça”, imagina. Esperanças, aparentemente, ainda tem.



Paulinha: Historias no Limite de Peso
março 10, 2009, 5:10 am
Filed under: Uncategorized

Paulinha é uma menina engraçada. Canta comigo no coral da UNAMA, tem bochechas imensas  e quadris largos. Aliás muita coisa é larga ou imenso nela, mas ela não se importa muito com essas coisas, nem quando eu saliento essas nuances dela. Acho que é por isso que eu gosto dela. Não preciso ficar sendo sensível com os defeitos que ela possui – e, por sua vez, ela não tem muito escrupulos com os meus.

Mas a melhor parte da Paula é a sua incrível capacidade de se meter em merda. Sério, eu não sei como Paulinha, no auge dos seus vinte e poucos anos, com corpinho de 45, está viva e com todos os membros intactos e funcionais. Baseado nas pequenas fábulas que ela me conta sempre que estamos indo para a parada, essa garota deveria estar amarrada em algum sanatório longe da sociedade indefesa, devido a tantos traumas na sua vida infantil e adolescente.

Enfim, às historias:

Paula, quando muito mais jovem, tinha um pequeno guaximim, que ficava em alguma cidade do interior do estado, onde ela sempre ia para visita-lo. Aparentemente ela era completamente tarada pelo animal – que “esbugalhava os olhos” quando ela o apertava, segundo relato da própria Paula. Isso me fez pensar que quando a Paula me abraça, acontece um evento muito similar comigo, mas enfim, vamos aos fatos.

Neste sítio – eu suponho que seja um, pelo menos – haviam varias criações de galinhas, p0rcos e todos esses animais que as pessoas matam e comem. E haviam os pintinhos, esses borrões amarelos que seguem qualquer coisa que se mexa perto deles. A Paula também gostava deles, aparentemente.

Só que, por algum motivo, ela sempre confundia os patinhos com pintinhos. Coisas de criança.

O tio dela, irritado com os constantes homicídios cometidos pelo Guaximim contra os indefesos pintinhos – sim crianças, PASMEM e DESESPEREM-SE, guaximims aparentemente são predadores vorzes de criatuaras fofas e amarelas – acordou um belo dia e, diringindo-se DIRETAMENTE ao guaximim, ameaçou-lhe de morte caso o último pintinho da granja aparecesse morto.  Paulinha ouviu tudo, mas não se preocupou muito. Deve ter achado que o guaximim entendera bem a mensagem do tio e ficaria longe dos pintinhos.

Resolveu então brincar com os patinhos. Preparou uma grande bacia com água – pois é sabido que patos adoram água – e catou o único patinho que achou por perto. Resolveu dar-lhe um banho ou algo assim. Depois de algum tempo resolveu que era hora do patinho nadar na bacia d’água e largou dele. Por algum tempo ele bateu as pernas e fez alguns barulhos, que ela estava achando o máximo. Nada como patinhos nadando na lagoa. Ou na bácia, se necessario. Então o patinho começou a boiar. Tinha parado de debater as patas. Paula aprendeu uma coisa muito importante nesse dia, dizendo-me ela: A diferença entre patinhos e pintinhos.

Pintinhos não sabiam nadar.

O cadáver inerte, agora fazia pequenas elipses na água, graças aos contantes “cutuques” de Paula, que tentava desesperadamente constatar que o pequeno animal estava-a fazendo de besta, fingindo estar dormindo. Não era dificil, imagino, mas não era o caso. Ele estava tão morto quanto o responsável estaria, assim que o tio dela soubesse do que acontecera. Escondeu o cadáver e torceu para o tio esquecer da ausência da criatura até que outra galinha desse a luz a um novo pintinho.

Aparentemente não deu certo, pois a primeira coisa que o tio fez, ao chegar da rua, foi marchar na direção dela com fúria nos olhos e punhos cerrados. Havia passado pelo quintal antes de entrar e notara a ausencia do infante galinháceo. Paula se preparava para o pior mas o tio passou direto por ela. Se virou a tempo de ver o tio agarrando o guaximim, que descansava pela janela. Foi a última vez que Paula viu aqueles olhos se esbulgalhando – e aprimeira que viu eles o fazendo de forma tão expressiva e exagerada.

O que se seguiu foi provavelmente um dos melhores exemplos conhecidos do por que você não deve, repetidamente, arremeter contra uma parede um animal feito de carne e osso.

Na frente da Paula, o pequeno roedor foi repetidamente espancado e, provavelemnte pelo rabo, arremetido varias e varias vezes contra a parede até virar um remendo de mamífero. Não satisfeito, arrastou-o para fora, levou-o para o mato e fez algo mais com ele que a paulinha só saber dizer dos sons – e não eram exatamente bonitos. Depois, saiu do mato e falou pra Paula:

– Limpa aquela parede e enterra o lixo que tá atrás da moita.

E essa é a razão para não se arremeter objetos de carne contra a parede. Lavar sague de paredes e ficar cavocando terra, na minha opnião, deve ser um saco.

Paulinha então seguiu o rastro de sangue até o que restou do seu antes melhor amigo animal, enterrou-o, limpou a bagunça e ficou o dia todo sem saber o que fazer.

“P-S-I-C-O-S-E” escrito por todo o lugar, se vocês querem saber.



The Sea Song
março 6, 2009, 5:25 am
Filed under: Clave de Fá

sea6

O oceano acena pra mim, em devaneios enquanto sentado no ônibus. Invade a minha mente, como a maré invade terra, floresta, casa, esquecendo limite ou fronteira. Me convida a um mergulho. Um daqueles que demoram bastante – do tipo na qual o mar seca antes de você sair dele. E ainda assim, tão poucas vezes eu vi o mar.

E por que ele é tão convidativo, então?

“Não é da minha conta”, sempre pensei – prefiro boiar, a deriva. Pat Metheny, por outro lado, deve-o saber. Fez uma das músicas mais belas que conheço e disse que era a música do mar. Acredito, acredito. Escuto e acho muito crível.

Dias desses, cansei de  esperar, tal qual uma caravela, que a brisa salina do mar me levasse para algum lugar (que nem sempre era bom, confesso). Aprendi os acordes cheios de líquens, as melodias lentas e graves sussurrando de dentro dos abismos infindaveis…. o ritmo que avançava como um monstro das profundezas.

E me perguntei mais uma vez então, por que é tão convidativo esse infinito azul da minha imaginação?

Só Metheney, eu e meu baixo sabemos.



Encontros com deus
março 3, 2009, 10:44 am
Filed under: Outros
omni
omni

Na noite em que faltou luz SOMENTE NA MINHA CASA – pequenas infrações às leis da probabilidade que insistem em acontecer comigo – eu tive varios sonhos peculiares. O calor e as picadas de mosquito devem ter sido o combústivel primordial para tamanha atividade onírica. De qualquer forma, um desses muitos sonhos foi vivido de forma especial por min. 

Eu havia chegado àquela porta. Era um longo corredor atrás de min e eu tinha passado por muita coisa para chegar ali. Agora já não me lembro mais dessa odisséia que me levara aquele ponto, mas já não importa. Com ímpeto, escancarei a porta. Cai num infinito vago e flutei lá por alguns instantes.

Tentei então dar conta do que eu estava observando. Era como se eu estivesse em orbita de um imenso planetoide. Ele era alaranjado escuro, brilhando com luz hipnótica de origem desconhecida, seus infindáveis oceanos acenavam para min lá de baixo. Nuvens – milhares delas – patinavam numa atmofesra que eu tinha certeza não ser feita de ar, mas de alguma coisa mais densa, mais viva. Eu era pura estupefação e deleite.

Subtamente, eu estava numa pequena sacada de uma casa praiana de madeira escura e densa. Era noite e os ventos frios cortavam caminhos na areia clara da praia, mas a paisagem era estranhamente bem iluminada. Aquela não era uma praia normal. Algo nela me fazia sentir pequeno, estranho… A praia se estendia de um lado a outro, até onde conseguia ver, banhada pelo mais vasto oceano que já havia visto em toda a minha vida. Era imenso e maior que o firmamento, suas águas invadindo a própria escuridão da noite, pintando o negro do espaço com suas cores esverdeadas, como se não houvesse horizonte. Extenso até o infinito da minha imaginação e além dele. Acima, como um papiro negro, se estendia a noite e nela haviam estrelas. Brilhavam, mas eu sabia que estavam todas mortas, decadentes, esquecidas por todos, banidas para o único lugar no qual elas tinha um espaço para lançar seu fraco brilho.

No meio desta paisagem alienígena estava o pequeno planetóide laranja, incólume, flutuando docemente no céu, longe do meu alcance. Atrás de min, a porta que eu havia antes escancarado balançava inerte com o vento praiano. Uma pessoa acabara de sair dela e juntara-se a min no meu devaneio. Não lembro mais se eu a conhecia, mas tenho a impressão que sim. A barreira do esquecimento me impede de sabe-lo. Falou, de repente, “lá!”, como se já esperasse por tudo isso. Olhei.

O planetóide havia sumido do céu e mergulhado em algum ponto do oceano estelar. Caminhei junto do desconhecido por um tempo, em direção às aguas. A praia agora parecia ter largura muito maior que eu havia percebido, e um longo barranco de areia se estendia entre min e o bater das ondas da praia. Vi, então, emergir das águas, a criatura.

Era torta e horrenda, seu corpo um mero remendo de menbros que lembrava vagamente a estutura humana. Sua pele parecia viscosa, agregada de forma precária aos ossos (se é que tinha algo parecido com ossos ali) ameaçando cair e expor as entranhas impúras daquela aberração. Era doloroso de se olhar. Não se mexia. Apenas o pequeno clarão dos seus olhos mostrava alguma atividade ciente. Remexiam nervosos dentro das orbitas, como procurando algo. De repente, elas pararam sobre mim. Fixos, obsessivos.

Me diziam coisas que eu não queria ouvir. Era horrível.

Foi então que meu companheiro tirou do coldre uma pequena glock e deu varios tiros no torax da criatura. Em pouco tempo, muitas outras emergiram das aguas turvas enquanto a outra afundava para o esquecimento.

Neste ponto, acordei, sem saber direito o que sentir.