Psicodélica


2012!
dezembro 24, 2011, 4:54 pm
Filed under: Outros

Acho que perdi o dom da escrita – seja lá o quanto disso eu tinha. Escrevi pouco aqui no último ano, escravo da comodidade de ser “obrigado” a escrever com uma limitação de caracteres, dos textos rápidos e ligeiros nas redes sociais, mais preocupado com a mediocracia dos polegares do que com qualquer qualidade textual de fato. Foi aos poucos que eu me vi sugado pelo redemoinho humilhante que representa essa moeda simbólica das redes sociais que eu demonstraria através da seguinte equação:

Like/Curti = Muito bem, Flipper! *Joga o peixe*

Me tornei um experimento Pavloviano, um cara com uma broca no cérebro sendo condicionado a mais e mais superficialidade. Digo aqui “cansei!”, mas quando soar clara e cristalina a campainha, voltarei eu babando para o ponto de partida? É difícil dizer. Mas alguma coisa aconteceu, alguma coisa que talvez eu esteja tentando com muita força culpar um site ou outro, mas essa coisa me impediu de escrever aqui no Psicodélica. Me ressinto disso todo dia.

E num 2011 cheio de coisas para contar, desabafar, espernear, glorificar, gabar, chutar, humilhar entre outro verbos, me surpreende o quão pouca vontade eu tinha de falar alguma coisa aqui. Não foi como se eu tivesse esquecido o blog, que mantenho acho que a mais de 7 anos (caralho!), mas uma apatia me atacava, tornava inútil o esforço e me jogava contra a minha escrita. Em suma, eu me sentia escrevendo feio e não havia ninguém para sequer me dizer isso. O blog sempre fui eu e eu mesmo, mas isso parece ter virado uma questão só recentemente.

Complicado. Não sei se tem como isso mudar.

Mas deixando a associação livre de lado, gostaria de fazer um resumão 2011. Este ano, o WordPress não me mandou um e-mail dizendo que eu era lindo como em 2010 aconteceu, mas temos algumas coisas quase tão importantes quanto, como:

  • Mais uma viagem para Europa para tocar o good ol’ carimbó. França foi o destino da vez.
  • Acaba o Chá de Baganas junto com toda minha esperança em relação a dominar o mundo com uma banda.
  • Passei na seleção do mestrado, contra toda chance e esperança, com um tema que achei ser louco por insistir.
  • Feito um passe de mágica (ou voodoo), arranjei um emprego como Psicologo em um posto de saúde.

E… foi isso. Claro, não parece muito. A lista me pareceu bem maior naquela projeção mental que fazemos antes de realizar as coisas. Mas não se engane, esta lista é IMENSA. Ciclos se fecharam aqui para dar lugar a outros. A minha vida musical se tornou pequena com o passar dos meses, enquanto eu tentava insanamente estudar e trabalhar no projeto para apresentar na seleção do mestrado da Federal daqui. Analogamente, minha bandinha de instrumental me causava o mais profundo dos desgostos: tinha um trabalho foda, genial, mas acabou por que todos precisavam de dinheiro e essa necessidade parece destruir todas aquelas outras que levam ao trabalho criativo. Não existe público, não existem locais para mostrar o trabalho, não existe interesse em coisas novas. Se tive perdas em 2011 acho que a pior foi a minha inocência em relação à bandas e ao suposto cenário que elas surgem. 2011 infligiu danos a isso de forma que eu só poderei seriamente avaliar talvez ano que vem. A consequência imediata, no entanto, foi a de que tocar se restringiu a mais uma atividade fria e monótona para ganhar dinheiro – coisa, que, por sinal, deverei repetir hoje mais uma vez.

Essa gangorra rolou até meados de julho onde mais uma vez entrei no meu sabático. Mais uma viagem de dois meses alternando cidades entre a França e a Espanha. Ao contrário da viagem passada, onde vivi aquela magia de estar “por ai” com aquela banda, enfrentando as (inúmeras) durezas do caminho, esta foi dominada por um mal-estar, um cinismo tal, que se configurou na segunda grande perda de 2011: o sonho da vida na Europa. Mas disso eu falarei outro dia. Basta aqui dizer que é provavelmente a última viagem para as bandas de lá. Como músico ao menos.

Ao retorno ao Brasil (nosso e de um espanhol, história curiosa que ainda está no seu epílogo), também retornam as preocupações com o mestrado. Corre-se para aprontar tudo – já que nada foi feito durante a viagem – e consigo a entrada na Federal, falando de Psicanálise e Schoenberg. SCHOENBERG! A minha felicidade só não foi maior do que a minha surpresa por ter encontrado não somente aceitação para com o assunto, mas também pelo profundo conhecimento da questão por parte do orientador.

E ao fim do ano, logo após a oficialização do mestrado, eu assinei contrato para trabalhar como psicologo em um posto de atenção básico da prefeitura. Para alguém que nunca havia tido nenhuma especie de renda fixa, vocês podem imaginar o quanto isso tem mudado um bocado de coisas para mim.

Ao fim deste relato, o que dizer de 2011? E que esperar do ano seguinte?! Como no ano passado, quando escrevi sobre 2010, eu respondo: não sei! Previsões e planos nunca funcionaram bem para mim. É melhor tudo fluir, mesmo que as vezes como na placidez da águas profundas e outras nas quebradas dos rios ligeiros. 2011 foi… estranho. Mas abriu um caminho que pode tornar 2012 muito interessante, apesar de que prevejo certa melancolia por tantas e tão pesadas perdas. Mas disso só o tempo irá dizer. Mas como um preview do que pode rolar em 2012, saibam que a primeira compra do apocalíptico 2012 ilustra o post de hoje.

Feliz Natal (blergh) e um tumultuado 2012!

UPDATE: Numa incrível demonstração do meu surpreendente (e inconsciente) desprezo pelo assunto, eu omiti um dos acontecimentos que costuma pesar mais ao olhar alheio, mas que tem feito a menor diferença para mim: cortei os meus longos dreads. Sim, graças ao emprego. SIM! Vendi a minha dignidade, mas e daí? Com a queda das madeixas meu problemas e realizações não deixaram de existir, o cigarro não me mata mais do que fazia antes e certamente não perdi nenhum super poder ao estilo Sansão. Na verdade, se me serviu de algo esses quase 4 anos que eu resisti e aturei a todo tipo de preconceito e problemas, foi para aprender desprendimento com as coisas mais banais e um apego àquelas mais essenciais. Os 20 Dreads que estão aqui na minha gaveta não são um Cristo sobre a colina, uma memoria dolorosa ou nada tão drástico. Eles me lembram de bons tempos, onde as coisas tinham um caráter diferente. Mas é mais ou menos só isso.

Vou precisar fazer outro banner pro blog, creio. =]

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