Psicodélica


Se Rasgum?
novembro 17, 2009, 5:57 pm
Filed under: Review, Sarcasmo

Tava tão “nem ai” para esta merda que nem vou me incomodar de usar a logo do festival do ano passado para ilustrar este post.

Como sempre, meus comentários podem ser taxados de “tendenciosos” e “cheios de maldade”. A unica explicação para tamanha infâmia, imagino, deve residir no fato de que as pessoas que falam tais coisas devem ter sido, alguma vez, alvo de meus comentários tendenciosos  e cheios de maldade. Coisas da vida.

Bem, um monte de gente inútil já falou o que tinha que ser dito sobre as baboseiras e  “rockeirisses” pertinentes ao festival, ainda mais por que tais pessoas devem ter ido a todos os dias do festival. Eu fui só no domingo.

Por que me deram convite.

Não me era possível, particularmente, sentir mais desinteresse pelo festival, suas bandas e atrações. Dizem que houveram bons shows. Não sei. Pergunte para a galera do “E as melhores banda foraaaaaaaaaaam…” supracitadas ai. Não que eu não adore transformar eventos “culturais” em disputas egomaniacas por títulos desprezíveis e narcisicos, mas eu não estou muito no humor da bajulação.

Não, não, eu só queria ficar bêbado. Jesus, isso é pedir muito?!

E eis a faceta que eu gostaria de discutir do festival. A parte dele em que o jovem rapaz – estereotipadamente negro, com tênis da Nike e camisa da Adidas – oferece prontamente seus serviços de traficante de pó, do THC distribuído como se fosse a hóstia hyppe, etc…

Pareço estar jogando pedra, não? Logo eu, o bebum?! Não, amigos, longe disso. Pelo contrário: Cumprimento-os. Saúdo a todos que ficaram chapados durante o evento, que ofereceram cocaína ao desconhecido no banheiro (caridade!), que, na falta de efetiva seda, usaram o papel da programação do festival para bolar o preto, que entraram com garrafas de cachaça, vodka, santo daime (!!!) e outras coisas não-tão-licitas-neste-hemisfério. Obrigado a todos.

Pois, afinal de contas, que melhor prova do absurdo fracasso de um público para com seu festival, senão da completa alienação de um para com o conteúdo do outro, hã?

O que quero dizer com isso? Ora, simples: o festival pouco se lixava com quem era o seu público (ou o que usavam)  e o público pouco se importava com quem fazia parte do festival. As bandas, analogamente, não poderiam dar menos atenção à ambos. Um era meramente o combustível dos prazeres pessoais do outro. O festival tinha o seu público – para dizer que “bombou” – as bandas tinham pessoas para bater palmas – e dizer que “quebrou tudo” – e as pessoas tinham barulho para praticarem suas excentricidades – e dizer que “arrasaram” no festival mais “bombação”.

“MAS EU AMO PATO FÚ, PORRA! FERNANDA TAKKAI, LINDA, GOSTOSA, FUDIDA, QUERO CHEIRA PÓ NA BUNDA DELAAAAAA!”

Eu sei, meu bein. Eu  sei. Tinham as bandas que amávamos, compramos ingressos só pra vê-las e etc etc. Mas, da mesma forma que amamos o show deles, amamos também o show do Popsom (eram eles?), não amamos? De formas diferentes, talvez? Só pra curtir? Sim, talvez, mas ainda assim, ambos funcionaram de formas similares para um mesmo objetivo. O objetivo real de todo mundo que foi pra lá, a unica coisa que levou um público consideravel para aquele lugar dos infernos:

Vontade de se divertir.

“SEU PORCO FACISTA, FILHO DA PUTA, QUEM NÃO QUER SE DIVERTIR, SEU VIADINHO CHUPADOR DE …”

Calma, migs. Pegue uma saca de cem e se  acalme. Não estou dizendo que há um problema nisso. O Se Rasgum, em ultima instância, não passa de entretenimento para as massas – vide a palavra “alienação” acima – e não há como fugir disso. Mas como se diverte essa massa que é a parte que me interessa. E não critico-a, devo ter que relembrar! Mas observo…

Não existe prazer na música em si. É necessário um mar de bebidas e outros vícios – no meu caso, o Sr. Presidente bastou, com alguns aditivos naturais – para um efetivo aproveitamento das atrações do festival. Não, não são todos, é verdade.  Existem uns pouco (ou muitos, depende da visão) desafortunados, que não acham prazeres nos vicios mais antigos e parasiticos da humanidade.

Um minuto de silêncio para tais pessoas.

 

.

.

.

 

Mas eis o ponto que quero chegar: O ponto em que o festival fracassa completamente. Seu público uma farsa. Suas bandas, meras iscas decorativas. Céus, se  fosse possível alugar um local grande o suficiente e enche-lo de bebidas, pílulas e certas espécies vegetais e cobrar dez reais pela entrada, creio que conseguiríamos efeito similar ao Se Rasgum. Um monte de gente alucinada, suscetível a qualquer estimulo externo para pirar. No caso, bastaria um CD do Frank Aguiar e o botão de “Repeat” para entreter meio milhão de pessoas.

Mas, ora, chega disso. Estou até surpreso com o numero de palavras e carinho que estou investindo neste tema. Não, ignorem este tolo rabugento. Não sei o que digo, quero meramente a vossa atenção. E, falando nisso, sabe o que eu fiz quando anunciou Matanza no palco principal?

Dormi. E a namorada – apoiou. Ô bandinha ruim. Tão ruim que nem baixo ou vocal tinha. Seriamente, se fosse para ouvir banda que falasse de putaria, eu preferiria Velhas Virgens, que não só falam de bebida, mas também, no pacote, coisifica a mulher, reduz todo mundo a pica e boceta e – com lágrimas no olhos, afirmo – me faz lembrar a ideologia que pregava que as mulheres tinham duas funções no cosmos: Trepar e levar porrada.

“Foda-se a mulher porra. Eu… tô… CHAPADOOOO!”

Ah, porra. Assim é foda. Desce três bikes e uma Roskoff, por favor? Quero me divertir um pouco.

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3 Comentários so far
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Gostei do texto, amor. Ah, devo dizer aqui, na frente de todos que a parte de que você dormiu no Matanza é mentira? ;D

=*

Comentário por Renata Brabo

Belo texto.

Comentário por Tama Starlla

hueiuiehuioe, a tama comentou (L)

Comentário por Renata Brabo




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