Psicodélica


Encontros com deus
março 3, 2009, 10:44 am
Filed under: Outros
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Na noite em que faltou luz SOMENTE NA MINHA CASA – pequenas infrações às leis da probabilidade que insistem em acontecer comigo – eu tive varios sonhos peculiares. O calor e as picadas de mosquito devem ter sido o combústivel primordial para tamanha atividade onírica. De qualquer forma, um desses muitos sonhos foi vivido de forma especial por min. 

Eu havia chegado àquela porta. Era um longo corredor atrás de min e eu tinha passado por muita coisa para chegar ali. Agora já não me lembro mais dessa odisséia que me levara aquele ponto, mas já não importa. Com ímpeto, escancarei a porta. Cai num infinito vago e flutei lá por alguns instantes.

Tentei então dar conta do que eu estava observando. Era como se eu estivesse em orbita de um imenso planetoide. Ele era alaranjado escuro, brilhando com luz hipnótica de origem desconhecida, seus infindáveis oceanos acenavam para min lá de baixo. Nuvens – milhares delas – patinavam numa atmofesra que eu tinha certeza não ser feita de ar, mas de alguma coisa mais densa, mais viva. Eu era pura estupefação e deleite.

Subtamente, eu estava numa pequena sacada de uma casa praiana de madeira escura e densa. Era noite e os ventos frios cortavam caminhos na areia clara da praia, mas a paisagem era estranhamente bem iluminada. Aquela não era uma praia normal. Algo nela me fazia sentir pequeno, estranho… A praia se estendia de um lado a outro, até onde conseguia ver, banhada pelo mais vasto oceano que já havia visto em toda a minha vida. Era imenso e maior que o firmamento, suas águas invadindo a própria escuridão da noite, pintando o negro do espaço com suas cores esverdeadas, como se não houvesse horizonte. Extenso até o infinito da minha imaginação e além dele. Acima, como um papiro negro, se estendia a noite e nela haviam estrelas. Brilhavam, mas eu sabia que estavam todas mortas, decadentes, esquecidas por todos, banidas para o único lugar no qual elas tinha um espaço para lançar seu fraco brilho.

No meio desta paisagem alienígena estava o pequeno planetóide laranja, incólume, flutuando docemente no céu, longe do meu alcance. Atrás de min, a porta que eu havia antes escancarado balançava inerte com o vento praiano. Uma pessoa acabara de sair dela e juntara-se a min no meu devaneio. Não lembro mais se eu a conhecia, mas tenho a impressão que sim. A barreira do esquecimento me impede de sabe-lo. Falou, de repente, “lá!”, como se já esperasse por tudo isso. Olhei.

O planetóide havia sumido do céu e mergulhado em algum ponto do oceano estelar. Caminhei junto do desconhecido por um tempo, em direção às aguas. A praia agora parecia ter largura muito maior que eu havia percebido, e um longo barranco de areia se estendia entre min e o bater das ondas da praia. Vi, então, emergir das águas, a criatura.

Era torta e horrenda, seu corpo um mero remendo de menbros que lembrava vagamente a estutura humana. Sua pele parecia viscosa, agregada de forma precária aos ossos (se é que tinha algo parecido com ossos ali) ameaçando cair e expor as entranhas impúras daquela aberração. Era doloroso de se olhar. Não se mexia. Apenas o pequeno clarão dos seus olhos mostrava alguma atividade ciente. Remexiam nervosos dentro das orbitas, como procurando algo. De repente, elas pararam sobre mim. Fixos, obsessivos.

Me diziam coisas que eu não queria ouvir. Era horrível.

Foi então que meu companheiro tirou do coldre uma pequena glock e deu varios tiros no torax da criatura. Em pouco tempo, muitas outras emergiram das aguas turvas enquanto a outra afundava para o esquecimento.

Neste ponto, acordei, sem saber direito o que sentir.

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2 Comentários so far
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Tava era com emdo do escuro, selado. No dia que faltou luz me ligaste, falo mesmo. E não dormiste, foi tudo efeito do ácido que eu coloquei na tua comida .MUAAAAAAAHAHAHAHA (6)

Comentário por Renata

sonhos noturnos e laranjas não parecem peculiares para mim.
de qualquer forma, especial foi.

Comentário por cau




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