Psicodélica


XVII
outubro 19, 2008, 3:17 am
Filed under: O Orkut me Envergonha, Review

Fazer uma música para apenas um instrumento é algo para poucos. Descubro isso na minha atual luta para completar uma antiga música para contrabaixo, baseada principalmente em harmônicos naturais. Achar temas, harmonias e motivos que sejam interessantes – e ainda mais executar essa enxurrada de informação – é de tamanha complexidade que já me vi preso ao inicio da música diversas vezes, fiz e refiz diversos trechos e tenho em mãos um amontoados de partes que aos meus ouvidos parecem ter haver um com o outro apenas o sistema harmônico.

Nesse momento que entendemos a genialidade dos grandes compositores e instrumentistas, que do emaranhado que é a criatividade humana, conseguem organizar e ordenar idéias de beleza e força, que podemos dizer imortais, pois assim são as idéias, que ao contrario dos criadores, atravessam os séculos e não perdem a força. Um testemunho da invariabilidade humana.

Queria eu fazer um Portrait of Tracy, mas faço no máximo uma balada do engenheiros do havaí. Que falta? Estudo, dedicação ou talento nato? Seriam aqueles que levam suas músicas ao extremo de conseguir penetrar na barreira do egocentrismo humano todos talentos natos, portadores de dádivas do berço? Será que sou uma espécie de aleijado musical? Um falso talento nunca descoberto?

Sobre isso, apenas o tempo dará uma resposta completa, e suspeito que somente o esforço é a chave para eu não me decepcionar com a resposta.

***

E eu me espanto com o tal do concurso. A votação parece ser aberta – qualquer um que entre na comunidade pode votar. Antes de chamar uns quinze primos e outros trinta amigos, descobri que parece que eu preciso votar nas outras categorias, ou algo assim, senão meu pênis vai curvar e ficar com formato de cedilha.

Tentei a categoria “humor” e me dei conta, que mesmo depois de uns trinta minutos olhando os quatro selecionados, eu não havia dado muitas risadas. Creio ter movido discretamente uma aérea da musculatura na região da boca. Mas foi coceira, não conta. Dentre templates de mal gosto e quilos de vídeos do youtube, constatei que nenhuma sabia fazer humor se utilizando somente de palavras, mas todos sabiam por hyperlinks do youtube e fotos no blog. Então eu mudei meus critérios de avaliação e pedi para o meu primo (o gênio da política) de 4 anos para escolher um dos quatro.

E isso deve resolver o impasse nas outras categorias também. Serão essas pessoas que votarão também? Então estamos fodidos, porque aqui nem elogio pra santa rolou – uma quase constante nos blogs que eu visitei. Ah, e claro, o Psicodélica está perdendo. Não esperávamos mais, porém farei greve de fome e pedirei na Americanas.com um CD do Brunno e Marrone para um suicido doloroso.

Não sem antes falar mal de todo mundo, ora. Se não somos o melhor, podemos muito bem ser o mais imbecil.

UPDATE: Acabamos de notar que, votações abertas no dia 17 deste mês, já houveram cerca de 48 votos na minha categoria. Sabendo que o blog aqui teve nesse período nem sequer 20 visualizações, fico imaginando se as pessoas que votaram resolveram aderir ao estilo psicodélica de votar – que no caso é uma espécie de Dadaísmo para eleições em geral.

Longe de estar preocupado com o resultado da votação (queremos é que Leticia Daumec ganhe para podermos chama-la de gorda por aqui e exercer a nossa falta de esportismo humana) só ficamos curiosos se essa micro-amostragem de uma votação virtual mostra, de uma forma reduzida, como eleitor brasileiro – especificamente o paraense – se comporta em ambiente eleitoral.

É, afinal, o eleitor paraense, uma simples maquina de apertar botões, escolher números aleatórios ou um vendedor de votos, que ao pedido do primo candidato, vai naquela maquininha e sequer entende o que está de fato fazendo para sí e para sua comunidade? E estamos falando da classe média, aqueles que supostamente tem alguma consciência. Eu aqui, sentado no meu computador, imerso no meu niilismo pessoal, sou o pior exemplo da Terra, mas imagino se a maioria (esse conceito mágico)  é tal qual  eu: Aperta aleatoriamente esses mágicos condutos da democracia humana.

Mas se depender do amor que o blog tem pela prole paraense, a resposta já é obvia – e completamente tediosa.

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3 Comentários so far
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eu queria ter composto ‘fun fun fun’. agora basta colocar algo da mallu magalhães ou qualquer expressão de revista cultural pra alguém ler isso freqüentemente. as pessoas estão sedentas.

Comentário por L. Berredo

Agora que já falta algo entre 1 hora e meia para o fim da votação e obviamente você não irá ganhar (repare que eu não disse “eu irei ganhar”. Aparentemente, a aprendiz de poeta anda comprando votos: é a única explicação para a súbita asncendência dela nas pesquisas), posso também exercer minha falta de espírito esportivo e vir aqui me pronunciar sobre os seus comentários a respeito da minha pessoa:
Sobre o primeiro saber escrever, obrigado. Eu fiquei em dúvida se o sobrenome com pré-disposição para apelidos infames era o meu (dá-ú-…). Mas depois de ver aquele picanço, achei mais provável que ninguém tivesse reparado no meu sobrenome.
Acho que o “gorda” só pode ser uma manifestação artística do seu espírito-de-porco-mau-perdedor que existe dentro de todos nós, porque eu estou muito bem com o meu peso (mentira. mas eu tinha que me defender)
Mas enfim, também achei meio sem noção um blog de poesias concorrer em “cotidiano”. Tava mais pra “ficção” aquilo, mas se ela escolheu cotidiano…
E quanto ao eleitor paraense, quero deixar claro que não comprei nenhum voto. minha campanha eleitoral se resumiu a um banner com link direto para a votação na minha página de recados. A culpa não é minha se o blog é bom.
Mas olha, também achei teu blog bom (exceto pela parte do gorda – não é porque está na internet que se pode contar mentiras). Só que esse negócio de falar mal de deus e o mundo não é bom pra tua imagem… Talvez se tu tivesses falado bem da santa (como eu), tivesses conseguido mais votos… Esse negócio de “exaltar o que é nosso” geralmente funciona…

Comentário por Letícia Daumec

Acabei de descobrir que talvez haja uma nova votação, e quero deixar claro que eu estava drogada quando escrevi o comentário acima.

Comentário por Letícia Daumec




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