Psicodélica


Insonia
setembro 25, 2008, 9:01 am
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Enquanto se prepara mais um dia de fedor intermitente no mercado do Ver-o-peso, com os pequenos barcos feitos de remendos em polvorosa com a ultima remessa de peixe fresco a ser preparado para o rigor dos clientes do dia, eu estou insone na lan house que o hotel disponibiliza para os hospedes. Cigarro e cafe em maos. 3:30 da manha.

Mas eu sei que o que me mantem acordado nao eh a nicotina, conjugada com a cafeina, estimulando os meus axonios a liberarem mais daquelas substancias que nos fazem (ou deviam) feliz. Nao poderia ser o alcool, que ja se evaporou do meu coprpo, pelos meus poros excretado, pelos meus orificios eliminado.

Eu poderia culpar a solidao, que como companheiro fiel, me faz uma ironica compania, dialoga comigo atravez de um sarcastico – porem expressivo – silencio, me lembra daquelas coisas que eu tento queimar com tabaco e alcool. Mas como podeira se-lo? O silencio eh de ouro – dizem – e o sono lhe pede a compania para o bom descanso e na cama solitaria se dorme melhor que naquela dividida ao meio por uma linha imaginaria do nojo reciproco ao outro, cujos centimetros do lencol compartilhado eh combatido a cada instante com furia sonambula. Nao, nao poderia se-lo, por mais presente que seja. Que eh.

Nos quartos acima de minha cabeca, onde a poucas horas o calor e o cheiro de alcool animava a conversa, o clamor e as acusacoes, dormem os sonos dos justos aqueles que a pouco deliberavam sobre as leis morais que regem a vida alheia. Lhe punham placas, atribuiam-lhes premios, titulos jocosos de cavalaria, tal qual fizeram antes para o velho dos moinhos europeu. O que ouvi, o que eu senti naqueles momentos… poderia essas coisas me tirar o sono? Fato esse tao normal em qualquer outro lugar se torna toxico, como catalisado pelas terras estrangeiras em que estamos? Seria como matar o peixe por chamar-lhe de ar o liquido em que nada.

Outra coisa me despeta. Que sera esse verme que nao cansa de girar a velha manivela dos pensamentos correntes, das compulsividades, dos vicios, dos medos… Me vejo sem cigarros, sinto o cafe chegar a temperatura ambiente. Penso vislumbrar um resquicio de sono perdido. Mas o que mantem rijo esses musculos, tensas as pernas e atento os nervos opticos continua a agir.

Mais um dia espera. O medo dele me desperta do quase sono.

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