Psicodélica


Onibûs lotado para o Mexico.
agosto 10, 2008, 2:03 am
Filed under: Sarcasmo

Para aqueles que acham eu devo estar numa maré de felicidade com a minha viagenzinha norte-americana, estão tão enganados quanto os Beatles quando inocentemente proclamaram que tudo que precisamos é amor, ao invés de dizerem dinheiro ou partes anatômicas mais avantajadas. As vezes imagino que eu tenha vendido a minha alma para algum poder supra-natural para poder desembarcar nesse quintal norte-americano.

De todas as situações horríveis que eu costumo passar para ir ensaiar o espetáculo mexicano, basta um leve resumo para que a mente criativa do leitor possa fazer as somas e subtrações que os levarão a imaginar a maior parte da desgraça que é ter um ensaio do grupo marcado para tal dia.

Como já dito em posts anteriores, um simples problema geográfico já coloca qualquer esperança de uma viagem rápida e tranqüila em cheque-mate: O lugar não só é longe pra caraleo – entrada de Outeiro – como a rodovia que leva até lá (a infame Augusto Montenegro) é um desses tipo de estradas que serve pra muita coisa, menos para trafegar. Engarrafamentos, radares, motoristas idiotas e a atual fase de urbanização da estrada tem feito um dos principais pontos de acesso da cidade uma espécie de armadilha grudenta de carros.

E, obviamente, é a rodovia que eu mais tenho que utilizar.
Não só isso, mas o transporte público belenense é simplesmente a maior vergonha sobre rodas que pode haver. Onibus velhos, em quantidade insuficiente (e que, ainda assim, já engavetam o transito da cidade, que simplesmente não aguenta o trafego crescente) tornam uma viagem de ônibus o mesmo que entrar numa daquelas Damas de Ferro, na epoca medieval e gritar “O papa é gay”.

E como é possível sofrer naqueles tijolinhos de concreto! E como eu, de fato, sofro – se não é uma coisa, inevitavelmente é a outra. Isso se ambas não causarem incomodo mortal por se aliarem. Por exemplo: Belém, cidade do calor e dos sovacos cabeludos. Combinação explosiva. Você sobe no ônibus e percebe que sentar você não vai. Na verdade, você sequer enxerga as cadeiras, de tão entupido está a condução.

Você conseguir se posicionar numa posição não tão desconfortavel, mas que ainda assim envolve 5 axilas fedorentas ao redor do seu aparelho olfatorio e pernas em posição de Y. Então, percebe-se que o onibûs não está se mexendo faz umas meia-hora. Ah sim, engarrafamentos. Maravilhoso.

E, então, quando o poder humano não é o bastante pra tornar as coisas horrendas, toda a natuareza se lança em mim e começa a chover. A 39º graus centígrados, isso pode parecer uma benção, mas dentro de um ônibus… Apenas imagine o que acontece com um coletivo, lotado de gente retornando do trabalho, quando se fecham todas as saidas de ar (janelas, portibulos…) para impedir que a chuva molhe a todos. Eu nunca vou esquecer o cheiro que resulta dessa combinação.

Finalmente, quando calor, fome e trânsito não conseguem impedir que a minha viagem seja tranqüila e razoável, tal qual hoje, e quando o ensaio não termina perto das onze horas da noite (como hoje!!!), o deus dos ventos traz as nuvens que provavelmente participaram do grande dilúvio da terra antiga, e com a combinação certa de imprudência no transito com uma chuva que equivale a toda a agua que cai em toda a África durante um ano, cria o maior congestionamento já visto em Belém.

Como hoje, por exemplo.

Odeio minha vida.

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