Psicodélica


Dia do Músico – Late Version
novembro 24, 2007, 1:53 am
Filed under: Clave de Fá, Sarcasmo | Tags:

Gente, nem falei do dia do músico, né? – Pois, duh, quem fodeu a vida para aprender (e ainda não aprendeu) a fritar tem que no minimo dizer algo sobre o dia do músico, né?

Ah, porra nenhuma.

Músico é daquele tipo de humano que, por ganhar mal e ralar feito um corno, se acha no direito de criticar a torto e direito tudo quanto é outra opção de vida. Músicos – racinha imprestável – será aquele rapaz que olhará torto para o seu New Civic, ficará a viagem toda comentando o quanto a Brasilia dele fazia 400 kilometros com duas gotas de cachaça e quando chegar no seu sitio de 40 hectares, ficará falando das noites maravilhosas quando ele dormia no relento, amparado apenas pelas estrelas e pela música. Ah, my ass!

E não só isso, mas todo músico tentará lhe passar um certo ar superior ao declamar a sua última letra, que se encaixará na sua última composição, que fará parte do seu último albúm, da sua última banda, que da última vez, tocou no último mês num lugar que estava lotado até o último lugar.

Enquanto você trabalha – erguendo edificios, tratando de esquizofrênicos, correndo atrás de ladrão, gerenciando prostitutas, etc – esses pequenos remendos de orgãos estarão de papo pro ar, compondondo peças infames, de caráter duvidoso, com intuitos pouco corretos. Quantas lagrimas derramadas por aquelas mulheres que suspiram pelos doces acordes da viola entristecida do malandro. Engandas! Tragam-na de volta para a realidade!

Pela vibração de cordas, rangir de teclas, rufar de tambores ou mesmo através de estranhos apêndices vocais, voam através de um outro mundo. Sonhadores! Infectam este mundo com idéias de simplicidade infantis. Vão morar em cuba então! Num mundo como esse, já de morte anunciada e ruindade comprovada, devemos ainda iludir o coração duro do homen com a toada das cordas? Não tardará para nos vermos envoltos nessas mentiras de beleza fulgaz (assim como o próprio músico) e até acreditarmos nelas.

E, ai de ti que, se feito eu, já caminha de olhos fechados pela rua, em outro mundo de concepção diferente e cores mais caoticas. Não mais escaparás da tua prisão lúdica, e ela se alimentará do teu sangue e nada irá devolver senão teus ossos. Tristemente depositados numa valeta comun.

Ai de min, que comemoro o dia do músico.

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