Psicodélica


Tim Festival – Ou “Como ter dinheiro me faria um cara mais feliz”
outubro 31, 2007, 1:40 pm
Filed under: Review, Sarcasmo, Turist Guy | Tags: , , , , , ,

Show 

“Se a coisa continuar assim, eu vou explodir numa diarreia flautulenta”, era basicamente a unica coisa que eu estava pensando enquanto, no caminho para o Anhembi, eu revia os acontecimentos do dia, que se resumiam basicamente a duas ocorrencias de disenteria provocadas por alguma porcaria aleatória que eu havia comido – e, claro, independente de quanta porcaria eu coma todos os dias, a diarreia só vira quando menos me interessa: Com algumas milhares de pessoas entre min e o banheiro mais próximo.

Porem, questões de cunho mais urgente clamavam minha atenção naquele momento, pois se por um lado eu estava preocupado em como usar os banheiros do local sem pegar alguma doença, tal preocupação era inútil se eu não conseguisse chegar ao local – e eu realmente não tinha muita noção de como chegar lá, só que eu tinha que descer na estação Tiête e ir pra esquerda. Foi o máximo que eu consegui arrancar do Google Earth.

Ia sozinho e um tanto que cabisbaixo – tais preocupações, que tinham um irritante teor de seriedade no momento, em grupos geralmente viram piadas que envolveriam nós nos perdendo numa cova de estupradores corintianos. No momento, meu plano era seguir toda aquela gente de piercing, tatoos, camisas listradas, tênis adidas entre outros sinais que me indicava que aquele povo tava indo pro tim – ou para alguma grande convenção transviada.

Ao chegar no lugar, auxiliados pelos estereotipos ambulantes, me decepcionei um pouco com o lugar. Não tinha metade das coisas que o Tim de Bélem tinha, como o Bungee Jump ou mesmo ambiente de música elêtronica. Enfim, pra min tanto fazia na verdade, eu estava feliz de sentar num canto até os shows começarem.

Spank Rock abriu os shows do dia com um Hip-Hop irreverente e inusitado. Já tem um tempo que o gênero vem se tranformado na mais horrenda e fedorenta forma de expressão humana, com letras escritas por macacos no cio e estruturas músicais tão elaboradas quanto um soco nos bagos. O Spank Rock rebrou um pouca essa tradição usando samples mais criativos e uma batida mais proxima da música elêtronica que a maioria dos outros grupos (Guangues?) de hip hop.

Em seguida veio Hot Chip que, para compensar a injeção de lidocaina que é o CD de tão parado e a sua falta de popularidade, entupiu todas as músicas com as batidas elêtronicas mais furiosas possiveis, tranformada a bagaça toda numa tenda de eletro, o que foi divertido até um certo ponto. Quando a gorda que tava na minha frente começou a rebolar (!) e dançar, eu torci para ter um ataque de diseteria forte o bastante para responder fogo com fogo.

Ao fim de Hot Chip – que teve o show interrompido no meio graças a alguma falha elétrica – trilhões de auxiliares de palco invadiram o recem-terminado show do hot Chip e começaram – para ser delicado – a chutar o traseiro deles para fora e começaram a montar o que parecia ser o cenário para mais uma das apresentações do Cirque du Soleil. E era tanto equipamento, tanta bandeirinha, uns tantos estandartes de peixes e oviparos (!), mas foi tanta coisa que a arrumação do palco levou 1 hora inteira. Tava na cara que Björk era única com queixo o suficiente para poder atrapalhar o andamento dos shows por tanto tempo assim.

E, assim que o palco estava completamente entupido de tralhas e você pensava que não podia ficar mais colorido, entra uns tantos caras vestidos como um clipe do Artic Monkeys, carregando trompetes e tubas. Tocam uns troços e, na hora que eu deveria notar o baterista e o DJ entrando em cena, eu só pude notar que um rolo de papel crepom havia entrado no palco. E dançava!

Para os mais entendidos nas extravagancias da Islandesa, a cena é óbvia: Björk entra no palco vestindo algo que parecia tudo menos uma roupa. Após ter tirado etade da fantasia – eu atribuo isso a uma ataque de pânico, por que eu não imagino alguma coisa respirando ali dentro – começou a cantar, e a partir dai foi só felicidade.

Claro, eu que conheçia até as músicas mais undergrouds, foi um show e tanto, tanto do ponto de vista visual e músical. Para os montes de playboys e desavisados, foi provavelmente um empalamento lento e doloroso, como por exemplo, quando Björk tocou uma versão de Vökuró (do CD Medulla) apenas voz e cravo (!!). Era óbvio o desagrado de muita gente com o show – o que, de uma forma meio sádica, só aumentou o meu deleite.

E a Björk simplesmente disparou no meu Top 10 de “Coisas Fofas Pá Caraio” com a sua estatura de dar inveja à hobbits – se é que hobbits tem orgulho de seu tamanho – e os seus infusivos “obrigados” que pareciam estar saindo da boca de uma bêbê de 4 anos.

O show terminou numa chuva de papel picotado e tudo quanto foi barulho saindo daqueles sintetizadores ensadecidos. Coisa linda de se ver. Após mais uma hora para poder tirar toda a parafernália da Björk, foi a vez de Julliete and the Lickers arrasar no palco do Tim e me permitiu ir dormir um pouco e descansar para algum show de verdade.

E ela se retocia no palco, pulava, fazia sinais obcenos no palco, se enrrolava na bandeira brasileira, se jogava no chão, add infinitum… Eu já estava achando tudo muito divertido até a hora que ela pediu para as brasileiras rebolarem pois, ora, “vocês brasileiras sabem melhor que eu como fazer”. Fez o mesmo outra vez, só que dessa vez pediu para mexer “da tits”. E galera delirava. Lindo.

Depois que o descanso acabou (A.K.A. show da Jully) foi a vez do Artic Monkeys e, pelo estado de animosidade da galera, eu tava pensando que aquele show ia ser o troço mais insano da noite no quesito “pular como macacos congelados”. Ledo engano.

Falta uma coisa pro paulistano que para o belensense sobra: Desespero. Ora, paulistano, acostumado aos grandes shows, aparentemente sabe, mesmo que de uma forma inconsciente, que ele vai, hora ou outra, acontecer de novo. Portanto se contenta com uns pulinhos aqui, outros ali. Belensenes por outro lado, vão para um show como se fosse o último que fosse ter por ali – o que é verdade na maioria das vezes. Então, eles se matam, pulam todos juntos até o último e cansado acorde e saem “só o aro”, mas completamente satisfeitos.

E isso não aconteceu no Artcic. Neguinho simplesmente não quis dar o sangue pela diversão inominavel da insanidade temporária. pulavam por uns 10 segundos e paravam, isso por que eu tava no meião, local dos animos exaltados. não quero imaginar o animo do pessoal mais atrás.

Tirando isso, o show foi muito bom e eles tocaram muitas do novo CD, o que pra min foi ótimo, já que eu acho o primeiro só relativamente bom enquanto que o segundo é uma pancada na cabeça, de tão bom (?).

Show encerrado era a vez do The Killers encerrar aquela bagaça e eu prometi pra min mesmo, depois das decepções anteriores, que eu ia assitir dos cantos por que esse público era uma boa merda e eu ia ver o show de uma relativa tranquilidade.

E eis um show bonito de se ver. A decoração natalina – misturada com plantas tropicais (?) – dava um aspecto no minimo amigavel para o palco o que era reforçado pelo teor das músicas – esperançoso, feliz. Conseguiu arrancar de min o refrão de muitas músicas.

E acabou. A diarréia não havia vindo e eu estava já atisfeito só com aquilo. Os shows foram, em sua maioria melhores que qualquer um que eu tenha visto em Belém – o que para um garoto interiorano como eu, é um aspecto importante.

Segui a trilha de gente estranha até o metro e, quase desmaiando, segui para casa dormir. E chega que eu to cansado de escrever.

Anúncios

Deixe um comentário so far
Deixe um comentário



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: