Psicodélica


Lendas e Mitos Belenenses Sobre SP
outubro 14, 2007, 9:17 pm
Filed under: Sarcasmo, Turist Guy | Tags: , , , ,

Frieza Paulistana 

Mito n.6349

Todo paulistano é frio e boçal.

Hoje tive que ir à USP fazer a prova teórica de música. Já havia ido antes para saber que onibûs eu deveria pegar para evitar qualquer cagada na hora H. Mas ora, boa gente, estamos falando aqui de uma pessoa que é praticamente um dos favoritos de Deus – ou seja, óbvio que deu merda.

Acordei olhei meu pequeno relógio e vi que eram apenas 8 horas, e me restava tempo de sobra. Tencionava sair 11 horas para dar uma boa margem de erro caso eu fosse sequestrado por dinossauros, ou se eu quebrasse a minha perna em 3 pontos depois de chutar alguma latinha de cerveja na rua, enfim, essas coisas que acontecem comigo.

Mas, ora, meu pequeno relógio belenense não está acostumado à vida na grande metropole, onde o consumo de energia gerou demandas de soluções para diminuir o abuso das nossas fontes energéticas, tais como apagões seletivos, campanhas publicitárias, entre outros. Uma das mais famosas soluções é o chamado horario de verão que entrou em vigor justamente hoje.

Isso mesmo. Eu, imaginando estar fudendo todas as chances de Deus de me ferrar aindo absurdamente cedo, sinto o gostinho do dedo divino no meu traseiro. E eu sabia, mas sabia mesmo, que era só o inicio de mais uma pegadinha na minha vidinha bosta.

Corro para a parada sem ter comido absolutamente nada na esperança de não me ferrar, já que, afinal, a prova era 1:30 PM e já eram 12:10 PM. Você pode achar que eu tinha muito tempo, mas não! Eu sabia que ia acontecer alguma merda e eu presisava me apressar. Tal qual escrito em marmôre, o tal do Cid. Universitária, onibûs que vai pra USP, simplesmente resolveu tirar folga. Fiquei até 12:50 esperando algum onibûs e nada.

Meu olhos marejados não viam esperança. De todas as minhas perpectivas negativas, eu nunca tinha sonhado que eu ia ser desclassificado por não aparecer no horario. A minha cara devia ser o retrato da angustia e do horror. Tanto que uma senhora, tendo algum dó, resolveu perguntar o que estava contecendo, e quando tomou ciência de minha situação, se ofereceu para me levar pessoalmente a uma parada melhor para meus propositos.

Curiosidade: Um pouco antes de eu subir no busão, tive a oportunidade de conhecer um nordestino da peste, que estava trabalhando como garí por ali. Cara, ele era simplesmente o estereótipo do nordestino, falava até mesmo igual ao pessoal do filme “O Alto da Compadecida”. Me rendeu minutos de esquecimento da minha angústia.

No ônibus, enquanto eu explicava melhor a minha condição de imigrante semi-nordestino, um outro senhor ouviu a coisa toda e se ofereceu para descer do ônibus comigo e me levar à parada mais adequada, já que eu estava tendo dificuldades em entender as intruções da moça.

Depois, já na nova parada, percebi que já eram 13:20, e nenhum ônibus me salvaria a tempo. Chamei um taxi e perguntei pra ele quanta dava dali até a USP. “40 reais” disse ele. Ora, já imaginava, já que SP é uma cidade grotescamente gigante. Foi quando eu falei pra ele da minha situação e dos meus únicos 20 reais que eu tinha. Sem exitar, ele falou que me levava por 20 reais.*

Galopando naquele taxi a alguma velocidade acima do permitido, consegui chegar a tempo na prova – que aliás, foi boa, se vocês querem saber. Mas, eis que eu estava a milhas de casa sem praticamente um tostão furado. Teria que andar horrores e ainda correr o risco de ser brutalmente assaltado.

Pois foi ai que um camarada que, ao vir puxar papo comigo, soube da minha situação e sem nem perguntar, me deu 5 reais para que eu pudesse ir para casa, sem nem sequer se preocupar em como eu iria paga-lo por esse gentileza.

Pude ir para casa são e salvo graças a gentileza paulistana. Duvidas, amigos belenenses?

*Não tenho muita certeza se isso foi um favor ou não, mas fica registrado ai a “solidariedade taxista”.

Anúncios

1 Comentário so far
Deixe um comentário

Aconteceu algo parecido comigo em Porto Alegre, claro não nas imediações de fazer uma prova: uma amável ruiva, com o não menos amável sotaque gaúcho, concedeu uma carona para dois amigos e eu até o Olímpico, onde assistiaríamos a Grêmio x Vasco. Estávamos perdidos, ela ouviu a conversa e se prontificou a ajudar.
Pouco a pouco, tu percebes que esses mitos são o puro despeito criado por nossos amigos aqui na capital paraense. É o medo de ir pra lá ou o ‘bairrismo’ exacerbado. Vai saber.

Abraço.

Comentário por Lucas




Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s



%d blogueiros gostam disto: