De volta a Belém. Sempre me esqueço de escrever algo sobre esta parte – o retorno, infelizmente nunca há muito que comentar do retorno além da vontade de ir mais uma vez. Mas, diferente da viagem ao México, em 2007, está me deixou inclinado a uma reflexão mais crítica da situação de minha pobre e feia cidade – feia, com toda certeza, com sua cultura (esta sim, estou disposto a reconhecer a beleza) velada pela imundice do lixo das ruas, da falta de educação do povo e de sua mentalidade incoerente com a sua terra e seu clima.
Não quero ficar fazendo comparações. Destas já estamos cansados de ouvir e concordar (e nada fazer a respeito). Muito menos isto é um chamado às armas pela construção de uma Belém digna para todos e que possamos nos orgulhar, já que não poderia ser maior meu desapego pela cidade, não hesitando em abandoná-la sem nunca olhar para trás, dada a oportunidade.
Só fica um resquício de melancolia pelas coisas deixadas para trás. Não, não é um lugar perfeito, as mulheres não têm bunda, os homens têm o mau costume de feder e não tomar banhos regulares, o custo de vida é exorbitante e lá existem conflitos políticos e éticos que de forma alguma possuímos (e por isso tão difíceis de compreender quando nos deparamos com eles) na nossa terrinha. E ainda assim, caminhar hoje pela cidade de Belém é, para mim, mais que o inferno cotidiano que sempre foi: se tornou um eterno recordar-se de (curtos) tempos melhores passados lá na gringalândia, fazendo o que eu gostaria de fazer para a minha vida toda (com sérias modificações em certos itens, devo concordar) e conhecendo uma trouxa de pessoas que eu dificilmente irei esquecer.
É, de volta a Belém.
Aparentemente minha graduação teve um efeito devastador sobre o meu pequeno blog. A lista incessante de tarefas e problemas se estendeu até o ponto no qual eu sequer pegava no baixo por semanas. A equação insalubre do período – que era a de quilos de nicotina diária misturadas com um hiato sexual e criativo (é, na peeeedra, por que sequer ver minha namorada era possível)- me rendeu bem mais do que a falta de exercício musical diário. Mas estamos de volta com alguma novidade, vejamos:

Sou um psicólogo agora – ou pelo menos vou ter um pedaço de papel que atesta isso, como dezenas de outras pessoas da minha turma. Alguns irão se tornar psicólogos de fato, outros ficarão só com o papel mesmo. Onde eu me enquadro nisso é ainda um mistério. Trabalhar como psicólogo? O que isso seria, afinal de contas? Ter uma clínica? A maior parte das pessoas que sabem da minha graduação tem automaticamente perda do controle dos músculos da face, pois na tentativa de aparentar tamanha surpresa, eles simplesmente surtam. Ter Dreads não compensa muito neste ramo clinico.
Poderia ser funcionário público, mas, ao que parece, a única diferença da maior parte dos cargos de ensino médio para os cargos de ensino superior – para psicólogos, ao menos – é a prova de entrada, pois as funções nada diferem do eterno tomar café e cuidar da própria vida no horário de trabalho. Sinceramente, por mais que uma vida tranqüila e financeiramente sossegada pareça o ápice da vida da porra do homem médio no século XXI, eu aspiro um pouco mais que isso. Se ao menos servissem sorvete ao invés de café (ou os dois juntos!), talvez…
Pesquisador me parece a melhor saída. Não lido com gente (que diabo de psicólogo é esse que não gosta de pessoas?!) e me ocupo com das mais obscuras e intermináveis intelectualizações sobre os mais variados assuntos: Desde a violência simbólica contra a mulher até analises psicanalíticas do show da Hebe. E eu poderia manter minha juba intacta. Mas enfim, é uma decisão que eu estou postergando pois…

Eu estarei mais uma vez viajando com o Balé Folclórico da Amazônia. Bem a tempo de me formar. Mas ao invés dos tímidos quinze dias que ocorreram na viagem do México, está turnê levará dois meses através de varias cidades da Espanha e de Portugal. Nada pareceria melhor do ponto de vista do formando que vai tirar umas feriazinhas da dura rotina do TCC.
Mas tudo errado do ponto de vista do baixista que está no pior ponto técnico de todos os tempos.
Eu não diria que está tão ruim assim – afinal, não fui uma lesma do mar durante o TCC. Estudei o possível, melhorei o piano, mas ainda assim, não é desta forma que eu gostaria de chegar na Europa. Nem tudo está perdido, ainda assim.
Temos alguns bons arranjos para chorinho que preparamos na última viagem para Teresina, que ocorreu semana passada. Tico-Tico no Fubá foi rearranjado de forma a ter um dueto de flauta e baixo. Tecnicamente um pouco complicado, mas a sonoridade agradou-me e me proporciona alguma perspectiva para esta viagem – melhor que o México, pelo menos. Ainda existem os choros que eu talvez vá tocar na minha velha escaletinha mexicana. Mas isso ainda veremos, ainda veremos…
Pretendo atualizar o blog com as novidades do velho mundo. Ainda que seja uma parte pequena da Europa, eu não creio que seja uma viagem que um músico não ficaria um tanto quanto ansioso para fazer. Então, inté daqui a alguns dias, quando estarei nas terras daqueles que ainda não foram eliminados da copa.
Brasil, I’m am disappoint.

E mais uma vez saindo de território paraense rumo ao nordeste – desta vez sem compromissos musicais. O destino é Maceió (uma provável fornalha, tipo a detestável Belém) e o objetivo é um congresso de Psicologia Social, a ABRAPSO.
Todos querem beber e se divertir no ônibus. Eu só rezo para não ser assaltado na estrada. Estarei levando meu pijama dos Simpsons e se tem algo que eu odiaria entregar nas mãos de ladrões de estrada, seria esta relíquia mexicana sem preço.
Até semana que vem (Ou quem sabe de alguma Lan House por lá).

Finalmente um post sóbrio.
Que dizer do Show? Ora, redundante dizer que foi incrivel, que foi um show entre shows. Mesmo os “convidados especiais” fizeram shows impecáveis (Discutível,ok , mas…) e incriveis. Veja bem, que foi aquele tal de “CrafitíVerkí”, hein?! Genial. Não pode haver fã que saiu decepcionado dali.
Ou melhor, quase nenhum…
Não me atirem pedra! E tirem o dedo do gatilho, peloamordedeus. Claro que foi bom. Não irei criticar, pois não há o que criticar. Eram eles lá no palco, como sempre foram, tocaram de forma incrivel, melhor que em qualquer apresentação que eu possa ter assistido por videos ou áudio. Era o Radiohead no ápice da sua forma.
E, ainda assim, não me comoveu.
Mas eu sabia, ali parado, entre a multidão frenética que cantava, chorava, brigava para poder ver um pouquinho mais daquele show, que o problema não eram eles. Era eu. Havia algo de errado comigo. Soube disso no momento em que comprei o ingresso, mas não quis acreditar. Senti durante a viagem toda a mesma sensação, mas duvidei que ela pudesse persistir. Até o último momento eu, de verdade, achei que mudaria. Não mudou. E como poderia…?
Não, me senti distante daquilo tudo. As músicas continuavam ótimas, as letras ainda tinham aquele aspecto nebuloso que sempre ma haviam me atraído. Mas eu havia mudado. Mudado demais, percebi isso só durante o show. No meio de National Anthem desisti de esperar que algo naturalmente me arrebatase de tal forma que as lagrimas espontaneamente caissem – da forma como eu imaginava que deveria ser. Forcei uma viagem para dentro de mim mesmo.
Eu me vi retornando para uns sete anos atrás – não sei ao certo, datas, periodos… são coisas que normalmente escapam de mim – quando me apresentaram Radiohead. O Tusa fez-me esse favor. Ele estava lá também, em algum lugar naquela multidão. Não era mais o mesmo garoto de onze ou doze anos que, corajosamente, resolveu mostrar para mim, um retardado de quinze anos musicalmente acéfalo, o “Kid A”, CD polêmico da banda. Logo esse. Pensei com carinho no Tusa neste instante (e carinho não é sinônimo de “sexo anal” – não neste contexto, pelo menos). Imaginei o que ele estava sentindo naquele exato momento.
Torci para que estivesse muito feliz.
Em “Pyramid Song”, expectativa. Esperei com vibração que aqueles acordes, que muito magicamente embalaram quase toda a minha adolescência, viriam a despertar os sentimentos que eu esparava vir. Mas nada veio. Repentianmente, me senti solitário, vazio. Era com um sentimento de estranheza, de distanciamento, que eu acompanhei aquela música. Minha namorava vibrava, gritava. He… ela vibrava tanto quando eu a carregava, por cima do mar de cabeças, que chegava a me roubar um sorriso ofegante (carregar pessoas não é o meu forte). Ao menor contato visual com a banda eu podia sentir o pequeno corpo dela trepidar nas minhas mãos, graças a algum sentimento que era negado à mim. Eu sentia apenas inveja.
logo em seguida, “Karma Police”. Concentrei-me em pensar no que aquela música significava para mim. A imagem era clara na minha mente. Eu, quando estava aprendendo a tocar o violão. Os acordes eram atacados de forma precária. A mão direita tremia, descordenada com a esquerda. Não sabia o que fazer direito. A voz tentava desesperadamente alcançar as notas.
Mas a música era inconfundível. Karma Police… eu cantava pra mim mesmo, feliz só por ser. A tristeza era um alívio naqueles tempos. Paradoxal… mas era como as coisas se apresentavam naquela época. Eu era feliz por me sentir triste. Era como se aquele sentimento agudo, que pressionava a minha garganta em direção à boca, e da boca saiam as primeiras estrofes de karma police, era como se aquilo tudo me fizesse sentir único, melhor que os que me oprimiam naquela época. Radiohead era o meu oásis particular. Minha tristeza diária que me permitia esquecer do desespero cotidiano.
Seguiu-se “Nude” e “Arpeggi”. Pensei a respeito do novo CD. Eu sabia que era bom – a capacidade de compor e arranjar as músicas haviam sido lapidadas pelo grupo – mas simpelsmente não me atingia. Não mais eu conseguia entender a mensagem. Antes aquelas letras tinham tudo que poderiam haver no meu mundo. Eram meus guias, minha biblias. Naquele momento aparentavam ser apenas palavras jogadas ao léu, incapazes de adquirir sentido ou forma concreta. Pensei o que havia mudado naquelas palavras…
… ou se era o meu mundo que tinha se tornado indiferente.
“Talk Show Host” e “Optmistic”. Namorada passa mal. Aparentemente não faz bem pular, gritar e chorar quando o suprimento de oxigênio é tão limitado pelo fato de que ela tem um metro e meio e estava imersa numa multidão. Saimos andando da parte mais central. Luto contra um mar de gente para chegar a uma área menos lotada. Começo a notar nos rostos e nas expressões das pessoas.
Era estranho, ninguem parecia estar com o estado de espirito que eu imaginava para mim – não estavam eufóricos como eu pensava que deveriam. Jesus, eles estavam parados, irritadiços, preocupados com quem ia e vinha, brigando. Pensei, então, se eu estava na mesma situação deles: Incomunicáveis, dessensibilizados à musica que estavam imersos naquele momento. Era eu apenas mais um naqueles que haviam vindo apenas por curiosidade? Será que não mais havia nenhum laço com aquela banda? Será que um dia eu havia tido?!
Todos esses pensamentos corriam pela minha cabeça enquanto eu escoltava a namorada para um lugar mais tranquilo. Seguiu-se uma sequencia de músicas, entre “Idioteque”, “Exit Music”, “Climbing up The Walls” quando nos acomodamos… Eu, nesse ponto já tinha certeza: Algo havia se perdido no caminho.
Foi algo que também aconteceu no show do Los Hermanos, mas que me atingiu com muito menos violência que no show do Radiohead. Já me emocionei muito nnas apresentações do Los Hermanos, a ponto de varios pequenos choros. As letras sempre me pareceram bonitas, vivas de cores. Uma pintura onde as tintas eram messuradas não em quantidades de cores primárias, mas em decibéis.
E no show deles eu canatava, me divertia, mas não era a mesma coisa. E eu sabia que a letra ainda era boa, eu sabia que ainda eram apreciáveis. Mas o elemento que me unia a elas havia se perdido. Será que essas coisas só funcionam por uma época? Todo aquele ardor, aquelas vivências que eu tive com essas bandas… Será que estariam para sempre presos no limbo do passado? Confinados através das solidas paredes dos meus preconceitos da vida adulta, onde são sufocados os sonhos e anseios adolescentes num saúdavel desespero cotidiano?
Eram esses pensamentos que me distraiam. E quando notei, já estava tocando “Everything in its Right Place”. Quase a última. Gostei. Foi bonito. Aquele era o meu mantra favorito para as tardes tediosas, sob o vento de um ventilador. O sol queimava lá fora. Eu pensava nas coisas que eu gostaria de ser. Fiquei irritado. Decidi encerrar ali a minha viagem pessoal à infancia. O Radiohead havia sido bom, mas não foi o que eu queria que fosse.
Talvez se esse show tivesse acontecido a três ou quatro anos atrás… Não sei. Eu tinha algo naquela época, que me fazia amar com intensidade essas melodias. E não é o interesse e a paixão pela música que mudou – não, pelo contrário, ela se ampliou, amadureceu. Eu sinto mais coisas e com muito mais intensidade que antes. Mas por algum motivo essa banda, que marcou o inicio da minha vida como um individuo que aprecia música, que me acompanhou por todas a minhas tristezas e alegrias…
De alguma forma, eu perdi a conexão. Eu mudei demais. Já não era o show da minha vida. A janela para isso havia sido fechada, anos atrás. Em que ponto, eu ainda me pergunto.
Eu era pura solidão quando eles terminaram “Creep”. Deram tchauzinho e nunca mais voltaram. E, para mim, nunca mais voltariam.
“Adeus, Radiohead. Obrigado por tudo”. É hora de ir em frente. Pra onde, não sei.
O México se transformou em poeira sob meus sapatos e uma vaga lembrança. Agora, aqui no Panamá, esperando a conexão mais idiota já vista, tento calcular o que ganhei dessa viagem alem de um baixo novo – Tipo de calculo esse que através das trapaças matemáticas, faz a tela da calculadora enlouquecer diante de nossos olhos. É uma conta que exige o ábaco. É preciso de um pouco de raciocino.
Aparte essas coisas, devo tecer algumas palavrinhas quanto ao Aeroporto de Tocumen, na Cidade do Panamá: É o pior aeroporto que eu já tive o desprazer de gastar inutilmente meus dolares. Possui a pior praça de alimentação que um aeroporto pode fornecer a seus usuários – na verdade, nem existe tal praça, apenas uma serie de lojas alimenticias disperças pelo aeroporto – agregado a um serviço muito esquisito de conexão wireless mais o design arquitetônico da coisa toda, que deve ter sido feito a mão por macacos selvagens de cuba.
Talvez eu esteja exagerando – não é tão ruim quanto o aeroporto de guarulhos, horrors dos viajantes que precisam encara-lo como escala. É uma das poucas coisas que eu acho que o Aeroporto de Belém ganha disparado dos outros: Comida barata, boa e um aeroporto internacional dos mais agradaveis.
Agora preciso preparar a minha paciência para compreender este plano de viagem: Do Panamá, onde passaremos 11 horas de tédio absoluto, iremos para São Paulo, SOBREVOANDO BELÉM. Na capital paulista, enfrentaremos 8 horas de horror em Guarulhos (Urgh!) para podermos enfrentar mais algumas horas de sofrimento no formato de comidas enbarcadas para podermos chegar MAIS UMA VEZ em Belém.
De que adianta termos um aeroporto internacional se nenhum vôo internacional pousa ali?
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Bebado no Mexico.
Nao e melhor que em qualquer lugar. Soh alguma neurosubstancia irrelevante que se sobrepoem a outras. Nada mais.
Muito sem graca
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Nosso ensaio acabou de terminar e depois de algumas mijadas do nosso empresario, creio que eu possa bater um papo com a minha ridicula audiencia, se e que tal espectro de pessoas existe.
Hoje (ou ontem, pois ja perdi a nocao do tempo nesse pais que so escurece as 10 horas da noite) comentei com o berredo o quanto a proporcao de mulheres bonitas no mexico e inversamente proporcional a quantidade de pimenta nos pratos daqui. E basta dizer que aqui tudo e MUITO apimentado.
‘Ue, cara. Ai nao e a terra das meninas caliente?`. Vero. Havia me esquecido dessa pequena lenda urbana, esse rumor dissiminado por agentes mexicanos da propaganda facista: Que no Mexico, as mulheres sao lindas como as terras dos tropicais que as cercam.
Pura ilusao. Assim como nao acho um unico teclado com acentuacao decente no Mexico, nao consegui identificar uma unica mexicana que nao apresentasse o estereotipo de mulher-botijao de gas. E pode parecer forcado, mas esta observacao e bem ao pe da letra. Eu nao vi. Ponto.
E isso vale para o sexo masculino tambem. Os homens, por incrivel que pareca, segue o inacreditavel estereotipo dos desenhos do pica-pau da decada de 80. Altura mediana, com grandes bigodes recurvados e barrigas pronunciadas, sem falar no cowboy pride fashion. Azar das `mexiquitas` – sorte dos Brasileiros, que por mais feios que sejam (e sao) nao sairao do pais sem uma olhadela simpatica se uma pequena e rolica donzela local. O que nao e lah grande coisa, afinal.
Mas talvez o mais surpreendente nisso tudo – ou pelo menos foi o que me chamou atencao – foi uma ideia, um pensamento, ou melhor, uma possivel confirmacao de um outro mito que eu proprio nunca havia posto mais fe do que eu ponho em um monte de estrume: De que brasileira e mulher bonita mesmo.
E nada menos que 3 dias no mexico e um saldo de no maximo 2 garotas do tipo ’va la, hein’ me fariam sequer cogitar em legitimar essa afirmacao que eu sempre atribui ao desespero nacional de querer achar algo que preste num pais decadente como o nosso. E talvez seja verdade, nos nao somos tao decadentes assim. Ou talvez eles que simplesmente sejam muito mais fodidos que nos. Who cares?
Entao, fikadica: Voce e feio, mas deu a sorte de nascer num pais com um caldeirao genico um pouco melhor, que lhe agraciou com algo alem de uma sede voraz por tortilhas e um idubtavel nariz indigena, va para o Mexico. Pois antes cego na terra dos feios que caolho no mundo dos belos.
Pelo menos nao veras em que terrenos estaras pisando.
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O Dia da Independecia do Mexico, 15 de Setembro, nao comeca exatamente no momento da proclamacao da republica, mas sim quando a luta pela democracia e pela liberdade comecou, sendo ela o marco que comemoraram milhoes de mexicanos ontem.
E hoje, aqui na frente do hotel, ocorreu a parada militar, comum tambem no Brasil, quando naqueles domingos ensolarados vamos observar nossas caqueticas forcas militares desfilarem seus fuzis cobertos de po, gastos nao pelo uso, mas justamente pela ferrugem de uma nacao que nao se envove em brigas serias a muitos anos. Nao e diferente no Mexico, aparentemente.
Mas aqui pelo menos faz frio, o que significa que serei assaltado por meliantes que nao fedem ao suor do sol de meio dia num onibus decadente belenense. Assaltos esses que, longe de serem meramente hipoteticos, sao uma ameaca que constantemente rondam a nossa rotina aqui no Mexico, especialmente em Chihuahua, um estado ao norte da Cidade do Mexico, centro do narcotrafico nacional. Aqui, a inseguranca beira os niveis de alerta e a luta contra as drogas assumida pelo atual gestor do estado ja lhe rendeu ameacas de morte e um atentado racassado contra sua vida.
Porem, como acontece em nossas cidades natais mas nos (analogo a eles) nao nos permitimos ver, existe um lado bom. O clima (sempre o clima) e delicioso, de forma que a caustica sensacao de carregar quilos e quilos de quipamento de um lado para outro se torna uma leve lembranca do que seria em outros lugares. A Cidade do Mexico, apesar de toda a inseguranca (viaturas com sirenes ligadas voando pelas ruas da cidade eram uma constante), eh uma das cidades mais belas da america.
Neste momento estamos preparando as coisas para o primeiro ensaio geral e amanha tocaremos no fesival internacional de Chihuahua. Assim que o tempo me permitir e eu descobrir ondeestao os acentos desse teclado, retornarei para mais narrativas inocuas.
Tal qual assoprado em textos posteriores, irei pro México com o badalado (ou ‘baleado”) Balé Folclórico da Amazônia. Tirando as pesquisas a respeito das bebidas locais, que resultaram apenas em fulgurantes letras escarlates que diziam “Tequila”, eu não sei nada a respeito da pátria da serpente e da águia. Isso se remediará com o tempo – o contrario não irá mudar muito o curso dos surtos alcoólicos de Tequila (em letras FULGURANTES, lembre-se).
Mas o fato mais bizarro dessa viagem talvez seja sua causa principal, que não exclui as secundárias, mas tem em si suas origens: Eu vou pro exterior através dessas 4 cordas – adicionadas as vezes de outras 2 coadjuvastes, as vezes trocada por outras 6 que aprecio muito também – que tanto estragam a vida que minha mãe queria que eu tivesse.
É um contra senso para a maioria das pessoas. tanta gente que trabalha feito animais de carga (e são de fato, animais) para sustentar a familia com seus empregos dignos e jamais pisaram, ou pisarão, nesses territórios cuja lingua, que geralmente ter denominador comum à nossa própria, soa tão alienígena ao contato da percepção. Por que então um V-A-G-A-B-U-N-D-O como este </ Mama mode> pode faze-lo, para fazer algo que gosta e ainda receber por isso (sim, vou receber. pasme!).
Mas há mais para se ver que o não tão astuto olhar da pessoa acima consegue divisar. Pois não foram sentidas na pele própria as horas tocando no calor da tarde belenense, os dedos esfolados pelas cordas do baixo (as mais cruéis de todas da familia dos temperados), as horas gastas com aqueles malditos simbolos “A#m7(-b5)”, decifrando-os, estabelecendo suas relações, desde as harmônicas e verticais, até as melódicas que deslizam pela anterior e vice-versa.
O que quero dizer com esse parágrafo é que um músico sofre o tanto quanto você, seu protótipo de engenheiro/advogado/médico/prostituta/empregado do pai. Não me façam essa cara de descrença e repudio quando eu conto para vocês.
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Bom, depois desse parágrafo direcionado para essas vozes que habitam a minha cabeça – construíram uma maldita invasão no meu cérebro. A ordem de reiteração de posse será uma daquelas cirurgias próprias para tirar aquele tecido mutogênico da massa cinzenta. Colegas, não se incomodem com o desabafo.
Agora vamos a assuntos que, desmerecidos pela ordem dada a esse texto, foram postos para depois quando, ao contrario, deveriam estar em destaque no texto, talvez mesmo com aquela letra fulgurante e escarlate já comentada. Portanto, graças a Hélioto dos Teclados que nos deu a dica, conheçam Antonio Snake, produtor pornô de Bel City (GTA6):

E para os curiosos: Por que Antonio tem esse sobrenome descolado e genial? Por que gosta de White Snake. Arrê! Genial! Vou mudar meu nome pra Zé Buceta agora mesmo, Zeba da Cachaça. leiam a entrevista toda da B*Scene com ele aqui nesse texto azulzinho.
E longe eu de falar mal de Snake, autor de Cotijuba Extremamente Anal, O retorno Vol. 6. O cara, em quinze minutos de leitura de sua entrevista, se transformou num desses heróis pessoais, uma espécie de talismã a se levar no chaveiro.
Basicamente o criador da indústria pornográfica regional, Snake já passou pelas situações mais deliciosas, como extorsões, prisões, e até mesmo ser flagrado por banhistas enquanto rodava uma cena de ação anal numa dessas praias paraenses.
Diversões a parte, muito me chamou um certo trecho que ele comenta que, numa onda meio Metálica way of living, gravou no presidio de barcarena (ou algo assim). Tipo, me acabo de rir imaginando a cena toda. Snake – já sendo a figura retratada na imagem acima, sendo só isso capaz de me fazer cagar de tanto rir – chega de óculos escuros as portas da prisão, com “suas meninas” a segui-lo, vestidas como se em Salinas estivessem.
Leiam a maldita entrevista e se peidem de rir.
Acabei de achar um videozinho malandro de um trecho de nossa apresentação no mato… digo, Piauí – justamente o trecho que eu mais gosto, veja bem. Nesse trecho da Suite Regional, os bailarinos rebolam, rebolam e juram que estão imitando uma canoa. uma canoa rebolante, se for o caso. Confiram:
E a canoa vai rebolando…
Quem descobrir o que, nesse remendo de audio, devia ser o solo de baixo, ganha um pirulito.