
E mais uma vez saindo de território paraense rumo ao nordeste – desta vez sem compromissos musicais. O destino é Maceió (uma provável fornalha, tipo a detestável Belém) e o objetivo é um congresso de Psicologia Social, a ABRAPSO.
Todos querem beber e se divertir no ônibus. Eu só rezo para não ser assaltado na estrada. Estarei levando meu pijama dos Simpsons e se tem algo que eu odiaria entregar nas mãos de ladrões de estrada, seria esta relíquia mexicana sem preço.
Até semana que vem (Ou quem sabe de alguma Lan House por lá).

Finalmente um post sóbrio.
Que dizer do Show? Ora, redundante dizer que foi incrivel, que foi um show entre shows. Mesmo os “convidados especiais” fizeram shows impecáveis (Discutível,ok , mas…) e incriveis. Veja bem, que foi aquele tal de “CrafitíVerkí”, hein?! Genial. Não pode haver fã que saiu decepcionado dali.
Ou melhor, quase nenhum…
Não me atirem pedra! E tirem o dedo do gatilho, peloamordedeus. Claro que foi bom. Não irei criticar, pois não há o que criticar. Eram eles lá no palco, como sempre foram, tocaram de forma incrivel, melhor que em qualquer apresentação que eu possa ter assistido por videos ou áudio. Era o Radiohead no ápice da sua forma.
E, ainda assim, não me comoveu.
Mas eu sabia, ali parado, entre a multidão frenética que cantava, chorava, brigava para poder ver um pouquinho mais daquele show, que o problema não eram eles. Era eu. Havia algo de errado comigo. Soube disso no momento em que comprei o ingresso, mas não quis acreditar. Senti durante a viagem toda a mesma sensação, mas duvidei que ela pudesse persistir. Até o último momento eu, de verdade, achei que mudaria. Não mudou. E como poderia…?
Não, me senti distante daquilo tudo. As músicas continuavam ótimas, as letras ainda tinham aquele aspecto nebuloso que sempre ma haviam me atraído. Mas eu havia mudado. Mudado demais, percebi isso só durante o show. No meio de National Anthem desisti de esperar que algo naturalmente me arrebatase de tal forma que as lagrimas espontaneamente caissem – da forma como eu imaginava que deveria ser. Forcei uma viagem para dentro de mim mesmo.
Eu me vi retornando para uns sete anos atrás – não sei ao certo, datas, periodos… são coisas que normalmente escapam de mim – quando me apresentaram Radiohead. O Tusa fez-me esse favor. Ele estava lá também, em algum lugar naquela multidão. Não era mais o mesmo garoto de onze ou doze anos que, corajosamente, resolveu mostrar para mim, um retardado de quinze anos musicalmente acéfalo, o “Kid A”, CD polêmico da banda. Logo esse. Pensei com carinho no Tusa neste instante (e carinho não é sinônimo de “sexo anal” – não neste contexto, pelo menos). Imaginei o que ele estava sentindo naquele exato momento.
Torci para que estivesse muito feliz.
Em “Pyramid Song”, expectativa. Esperei com vibração que aqueles acordes, que muito magicamente embalaram quase toda a minha adolescência, viriam a despertar os sentimentos que eu esparava vir. Mas nada veio. Repentianmente, me senti solitário, vazio. Era com um sentimento de estranheza, de distanciamento, que eu acompanhei aquela música. Minha namorava vibrava, gritava. He… ela vibrava tanto quando eu a carregava, por cima do mar de cabeças, que chegava a me roubar um sorriso ofegante (carregar pessoas não é o meu forte). Ao menor contato visual com a banda eu podia sentir o pequeno corpo dela trepidar nas minhas mãos, graças a algum sentimento que era negado à mim. Eu sentia apenas inveja.
logo em seguida, “Karma Police”. Concentrei-me em pensar no que aquela música significava para mim. A imagem era clara na minha mente. Eu, quando estava aprendendo a tocar o violão. Os acordes eram atacados de forma precária. A mão direita tremia, descordenada com a esquerda. Não sabia o que fazer direito. A voz tentava desesperadamente alcançar as notas.
Mas a música era inconfundível. Karma Police… eu cantava pra mim mesmo, feliz só por ser. A tristeza era um alívio naqueles tempos. Paradoxal… mas era como as coisas se apresentavam naquela época. Eu era feliz por me sentir triste. Era como se aquele sentimento agudo, que pressionava a minha garganta em direção à boca, e da boca saiam as primeiras estrofes de karma police, era como se aquilo tudo me fizesse sentir único, melhor que os que me oprimiam naquela época. Radiohead era o meu oásis particular. Minha tristeza diária que me permitia esquecer do desespero cotidiano.
Seguiu-se “Nude” e “Arpeggi”. Pensei a respeito do novo CD. Eu sabia que era bom – a capacidade de compor e arranjar as músicas haviam sido lapidadas pelo grupo – mas simpelsmente não me atingia. Não mais eu conseguia entender a mensagem. Antes aquelas letras tinham tudo que poderiam haver no meu mundo. Eram meus guias, minha biblias. Naquele momento aparentavam ser apenas palavras jogadas ao léu, incapazes de adquirir sentido ou forma concreta. Pensei o que havia mudado naquelas palavras…
… ou se era o meu mundo que tinha se tornado indiferente.
“Talk Show Host” e “Optmistic”. Namorada passa mal. Aparentemente não faz bem pular, gritar e chorar quando o suprimento de oxigênio é tão limitado pelo fato de que ela tem um metro e meio e estava imersa numa multidão. Saimos andando da parte mais central. Luto contra um mar de gente para chegar a uma área menos lotada. Começo a notar nos rostos e nas expressões das pessoas.
Era estranho, ninguem parecia estar com o estado de espirito que eu imaginava para mim – não estavam eufóricos como eu pensava que deveriam. Jesus, eles estavam parados, irritadiços, preocupados com quem ia e vinha, brigando. Pensei, então, se eu estava na mesma situação deles: Incomunicáveis, dessensibilizados à musica que estavam imersos naquele momento. Era eu apenas mais um naqueles que haviam vindo apenas por curiosidade? Será que não mais havia nenhum laço com aquela banda? Será que um dia eu havia tido?!
Todos esses pensamentos corriam pela minha cabeça enquanto eu escoltava a namorada para um lugar mais tranquilo. Seguiu-se uma sequencia de músicas, entre “Idioteque”, “Exit Music”, “Climbing up The Walls” quando nos acomodamos… Eu, nesse ponto já tinha certeza: Algo havia se perdido no caminho.
Foi algo que também aconteceu no show do Los Hermanos, mas que me atingiu com muito menos violência que no show do Radiohead. Já me emocionei muito nnas apresentações do Los Hermanos, a ponto de varios pequenos choros. As letras sempre me pareceram bonitas, vivas de cores. Uma pintura onde as tintas eram messuradas não em quantidades de cores primárias, mas em decibéis.
E no show deles eu canatava, me divertia, mas não era a mesma coisa. E eu sabia que a letra ainda era boa, eu sabia que ainda eram apreciáveis. Mas o elemento que me unia a elas havia se perdido. Será que essas coisas só funcionam por uma época? Todo aquele ardor, aquelas vivências que eu tive com essas bandas… Será que estariam para sempre presos no limbo do passado? Confinados através das solidas paredes dos meus preconceitos da vida adulta, onde são sufocados os sonhos e anseios adolescentes num saúdavel desespero cotidiano?
Eram esses pensamentos que me distraiam. E quando notei, já estava tocando “Everything in its Right Place”. Quase a última. Gostei. Foi bonito. Aquele era o meu mantra favorito para as tardes tediosas, sob o vento de um ventilador. O sol queimava lá fora. Eu pensava nas coisas que eu gostaria de ser. Fiquei irritado. Decidi encerrar ali a minha viagem pessoal à infancia. O Radiohead havia sido bom, mas não foi o que eu queria que fosse.
Talvez se esse show tivesse acontecido a três ou quatro anos atrás… Não sei. Eu tinha algo naquela época, que me fazia amar com intensidade essas melodias. E não é o interesse e a paixão pela música que mudou – não, pelo contrário, ela se ampliou, amadureceu. Eu sinto mais coisas e com muito mais intensidade que antes. Mas por algum motivo essa banda, que marcou o inicio da minha vida como um individuo que aprecia música, que me acompanhou por todas a minhas tristezas e alegrias…
De alguma forma, eu perdi a conexão. Eu mudei demais. Já não era o show da minha vida. A janela para isso havia sido fechada, anos atrás. Em que ponto, eu ainda me pergunto.
Eu era pura solidão quando eles terminaram “Creep”. Deram tchauzinho e nunca mais voltaram. E, para mim, nunca mais voltariam.
“Adeus, Radiohead. Obrigado por tudo”. É hora de ir em frente. Pra onde, não sei.
O México se transformou em poeira sob meus sapatos e uma vaga lembrança. Agora, aqui no Panamá, esperando a conexão mais idiota já vista, tento calcular o que ganhei dessa viagem alem de um baixo novo – Tipo de calculo esse que através das trapaças matemáticas, faz a tela da calculadora enlouquecer diante de nossos olhos. É uma conta que exige o ábaco. É preciso de um pouco de raciocino.
Aparte essas coisas, devo tecer algumas palavrinhas quanto ao Aeroporto de Tocumen, na Cidade do Panamá: É o pior aeroporto que eu já tive o desprazer de gastar inutilmente meus dolares. Possui a pior praça de alimentação que um aeroporto pode fornecer a seus usuários – na verdade, nem existe tal praça, apenas uma serie de lojas alimenticias disperças pelo aeroporto – agregado a um serviço muito esquisito de conexão wireless mais o design arquitetônico da coisa toda, que deve ter sido feito a mão por macacos selvagens de cuba.
Talvez eu esteja exagerando – não é tão ruim quanto o aeroporto de guarulhos, horrors dos viajantes que precisam encara-lo como escala. É uma das poucas coisas que eu acho que o Aeroporto de Belém ganha disparado dos outros: Comida barata, boa e um aeroporto internacional dos mais agradaveis.
Agora preciso preparar a minha paciência para compreender este plano de viagem: Do Panamá, onde passaremos 11 horas de tédio absoluto, iremos para São Paulo, SOBREVOANDO BELÉM. Na capital paulista, enfrentaremos 8 horas de horror em Guarulhos (Urgh!) para podermos enfrentar mais algumas horas de sofrimento no formato de comidas enbarcadas para podermos chegar MAIS UMA VEZ em Belém.
De que adianta termos um aeroporto internacional se nenhum vôo internacional pousa ali?
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Bebado no Mexico.
Nao e melhor que em qualquer lugar. Soh alguma neurosubstancia irrelevante que se sobrepoem a outras. Nada mais.
Muito sem graca
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Nosso ensaio acabou de terminar e depois de algumas mijadas do nosso empresario, creio que eu possa bater um papo com a minha ridicula audiencia, se e que tal espectro de pessoas existe.
Hoje (ou ontem, pois ja perdi a nocao do tempo nesse pais que so escurece as 10 horas da noite) comentei com o berredo o quanto a proporcao de mulheres bonitas no mexico e inversamente proporcional a quantidade de pimenta nos pratos daqui. E basta dizer que aqui tudo e MUITO apimentado.
‘Ue, cara. Ai nao e a terra das meninas caliente?`. Vero. Havia me esquecido dessa pequena lenda urbana, esse rumor dissiminado por agentes mexicanos da propaganda facista: Que no Mexico, as mulheres sao lindas como as terras dos tropicais que as cercam.
Pura ilusao. Assim como nao acho um unico teclado com acentuacao decente no Mexico, nao consegui identificar uma unica mexicana que nao apresentasse o estereotipo de mulher-botijao de gas. E pode parecer forcado, mas esta observacao e bem ao pe da letra. Eu nao vi. Ponto.
E isso vale para o sexo masculino tambem. Os homens, por incrivel que pareca, segue o inacreditavel estereotipo dos desenhos do pica-pau da decada de 80. Altura mediana, com grandes bigodes recurvados e barrigas pronunciadas, sem falar no cowboy pride fashion. Azar das `mexiquitas` – sorte dos Brasileiros, que por mais feios que sejam (e sao) nao sairao do pais sem uma olhadela simpatica se uma pequena e rolica donzela local. O que nao e lah grande coisa, afinal.
Mas talvez o mais surpreendente nisso tudo – ou pelo menos foi o que me chamou atencao – foi uma ideia, um pensamento, ou melhor, uma possivel confirmacao de um outro mito que eu proprio nunca havia posto mais fe do que eu ponho em um monte de estrume: De que brasileira e mulher bonita mesmo.
E nada menos que 3 dias no mexico e um saldo de no maximo 2 garotas do tipo ’va la, hein’ me fariam sequer cogitar em legitimar essa afirmacao que eu sempre atribui ao desespero nacional de querer achar algo que preste num pais decadente como o nosso. E talvez seja verdade, nos nao somos tao decadentes assim. Ou talvez eles que simplesmente sejam muito mais fodidos que nos. Who cares?
Entao, fikadica: Voce e feio, mas deu a sorte de nascer num pais com um caldeirao genico um pouco melhor, que lhe agraciou com algo alem de uma sede voraz por tortilhas e um idubtavel nariz indigena, va para o Mexico. Pois antes cego na terra dos feios que caolho no mundo dos belos.
Pelo menos nao veras em que terrenos estaras pisando.
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O Dia da Independecia do Mexico, 15 de Setembro, nao comeca exatamente no momento da proclamacao da republica, mas sim quando a luta pela democracia e pela liberdade comecou, sendo ela o marco que comemoraram milhoes de mexicanos ontem.
E hoje, aqui na frente do hotel, ocorreu a parada militar, comum tambem no Brasil, quando naqueles domingos ensolarados vamos observar nossas caqueticas forcas militares desfilarem seus fuzis cobertos de po, gastos nao pelo uso, mas justamente pela ferrugem de uma nacao que nao se envove em brigas serias a muitos anos. Nao e diferente no Mexico, aparentemente.
Mas aqui pelo menos faz frio, o que significa que serei assaltado por meliantes que nao fedem ao suor do sol de meio dia num onibus decadente belenense. Assaltos esses que, longe de serem meramente hipoteticos, sao uma ameaca que constantemente rondam a nossa rotina aqui no Mexico, especialmente em Chihuahua, um estado ao norte da Cidade do Mexico, centro do narcotrafico nacional. Aqui, a inseguranca beira os niveis de alerta e a luta contra as drogas assumida pelo atual gestor do estado ja lhe rendeu ameacas de morte e um atentado racassado contra sua vida.
Porem, como acontece em nossas cidades natais mas nos (analogo a eles) nao nos permitimos ver, existe um lado bom. O clima (sempre o clima) e delicioso, de forma que a caustica sensacao de carregar quilos e quilos de quipamento de um lado para outro se torna uma leve lembranca do que seria em outros lugares. A Cidade do Mexico, apesar de toda a inseguranca (viaturas com sirenes ligadas voando pelas ruas da cidade eram uma constante), eh uma das cidades mais belas da america.
Neste momento estamos preparando as coisas para o primeiro ensaio geral e amanha tocaremos no fesival internacional de Chihuahua. Assim que o tempo me permitir e eu descobrir ondeestao os acentos desse teclado, retornarei para mais narrativas inocuas.
Tal qual assoprado em textos posteriores, irei pro México com o badalado (ou ‘baleado”) Balé Folclórico da Amazônia. Tirando as pesquisas a respeito das bebidas locais, que resultaram apenas em fulgurantes letras escarlates que diziam “Tequila”, eu não sei nada a respeito da pátria da serpente e da águia. Isso se remediará com o tempo – o contrario não irá mudar muito o curso dos surtos alcoólicos de Tequila (em letras FULGURANTES, lembre-se).
Mas o fato mais bizarro dessa viagem talvez seja sua causa principal, que não exclui as secundárias, mas tem em si suas origens: Eu vou pro exterior através dessas 4 cordas – adicionadas as vezes de outras 2 coadjuvastes, as vezes trocada por outras 6 que aprecio muito também – que tanto estragam a vida que minha mãe queria que eu tivesse.
É um contra senso para a maioria das pessoas. tanta gente que trabalha feito animais de carga (e são de fato, animais) para sustentar a familia com seus empregos dignos e jamais pisaram, ou pisarão, nesses territórios cuja lingua, que geralmente ter denominador comum à nossa própria, soa tão alienígena ao contato da percepção. Por que então um V-A-G-A-B-U-N-D-O como este </ Mama mode> pode faze-lo, para fazer algo que gosta e ainda receber por isso (sim, vou receber. pasme!).
Mas há mais para se ver que o não tão astuto olhar da pessoa acima consegue divisar. Pois não foram sentidas na pele própria as horas tocando no calor da tarde belenense, os dedos esfolados pelas cordas do baixo (as mais cruéis de todas da familia dos temperados), as horas gastas com aqueles malditos simbolos “A#m7(-b5)”, decifrando-os, estabelecendo suas relações, desde as harmônicas e verticais, até as melódicas que deslizam pela anterior e vice-versa.
O que quero dizer com esse parágrafo é que um músico sofre o tanto quanto você, seu protótipo de engenheiro/advogado/médico/prostituta/empregado do pai. Não me façam essa cara de descrença e repudio quando eu conto para vocês.
=~
Bom, depois desse parágrafo direcionado para essas vozes que habitam a minha cabeça – construíram uma maldita invasão no meu cérebro. A ordem de reiteração de posse será uma daquelas cirurgias próprias para tirar aquele tecido mutogênico da massa cinzenta. Colegas, não se incomodem com o desabafo.
Agora vamos a assuntos que, desmerecidos pela ordem dada a esse texto, foram postos para depois quando, ao contrario, deveriam estar em destaque no texto, talvez mesmo com aquela letra fulgurante e escarlate já comentada. Portanto, graças a Hélioto dos Teclados que nos deu a dica, conheçam Antonio Snake, produtor pornô de Bel City (GTA6):

E para os curiosos: Por que Antonio tem esse sobrenome descolado e genial? Por que gosta de White Snake. Arrê! Genial! Vou mudar meu nome pra Zé Buceta agora mesmo, Zeba da Cachaça. leiam a entrevista toda da B*Scene com ele aqui nesse texto azulzinho.
E longe eu de falar mal de Snake, autor de Cotijuba Extremamente Anal, O retorno Vol. 6. O cara, em quinze minutos de leitura de sua entrevista, se transformou num desses heróis pessoais, uma espécie de talismã a se levar no chaveiro.
Basicamente o criador da indústria pornográfica regional, Snake já passou pelas situações mais deliciosas, como extorsões, prisões, e até mesmo ser flagrado por banhistas enquanto rodava uma cena de ação anal numa dessas praias paraenses.
Diversões a parte, muito me chamou um certo trecho que ele comenta que, numa onda meio Metálica way of living, gravou no presidio de barcarena (ou algo assim). Tipo, me acabo de rir imaginando a cena toda. Snake – já sendo a figura retratada na imagem acima, sendo só isso capaz de me fazer cagar de tanto rir – chega de óculos escuros as portas da prisão, com “suas meninas” a segui-lo, vestidas como se em Salinas estivessem.
Leiam a maldita entrevista e se peidem de rir.
Acabei de achar um videozinho malandro de um trecho de nossa apresentação no mato… digo, Piauí – justamente o trecho que eu mais gosto, veja bem. Nesse trecho da Suite Regional, os bailarinos rebolam, rebolam e juram que estão imitando uma canoa. uma canoa rebolante, se for o caso. Confiram:
E a canoa vai rebolando…
Quem descobrir o que, nesse remendo de audio, devia ser o solo de baixo, ganha um pirulito.
- Ah, bicha, já tá pronta!?
- Quase, mas a gente só vai dar uma voltinha ou é pra causar?
- Ah, só uma voltinha!
- Mas é pra arrasar, né!?
-Vixe, claro!
A parte dificil de se morar numa república onde 75% dos moradores é gay, é mais ou menos quando eles tentam te levar para as tais boates gays daqui de São Paulo.
Depois que você supera o trauma e os tremiliques param por um tempo – nunca mais vão sumir completamente – é até engraçado o jeito de viver desses pequenos desvios freudianos.
Por exemplo, quando eu chego na sala da república e “elas” tão conversando sobre sexo anal ou “chuca”, que é um metodo anti-séptico de grande eficacia no qual você enfia uma mangueira no cú e limpa-o direitinho para uma melhor performace anal.
Então você se vê rodeado de umas 7 bichas, todas falando de dar o cú, sujar o pau, causar na noite e blablabla com muita purpurina. Sem duvida, sem alguma serenidade eu já estaria com grandes problemas cognitivos.
Arquivado em: Review, Sarcasmo, Turist Guy | Tags: artic monkeys, Bjork, hot chip, julliete, spank rock, the killers, Tim festival
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“Se a coisa continuar assim, eu vou explodir numa diarreia flautulenta”, era basicamente a unica coisa que eu estava pensando enquanto, no caminho para o Anhembi, eu revia os acontecimentos do dia, que se resumiam basicamente a duas ocorrencias de disenteria provocadas por alguma porcaria aleatória que eu havia comido – e, claro, independente de quanta porcaria eu coma todos os dias, a diarreia só vira quando menos me interessa: Com algumas milhares de pessoas entre min e o banheiro mais próximo.
Porem, questões de cunho mais urgente clamavam minha atenção naquele momento, pois se por um lado eu estava preocupado em como usar os banheiros do local sem pegar alguma doença, tal preocupação era inútil se eu não conseguisse chegar ao local – e eu realmente não tinha muita noção de como chegar lá, só que eu tinha que descer na estação Tiête e ir pra esquerda. Foi o máximo que eu consegui arrancar do Google Earth.
Ia sozinho e um tanto que cabisbaixo – tais preocupações, que tinham um irritante teor de seriedade no momento, em grupos geralmente viram piadas que envolveriam nós nos perdendo numa cova de estupradores corintianos. No momento, meu plano era seguir toda aquela gente de piercing, tatoos, camisas listradas, tênis adidas entre outros sinais que me indicava que aquele povo tava indo pro tim – ou para alguma grande convenção transviada.
Ao chegar no lugar, auxiliados pelos estereotipos ambulantes, me decepcionei um pouco com o lugar. Não tinha metade das coisas que o Tim de Bélem tinha, como o Bungee Jump ou mesmo ambiente de música elêtronica. Enfim, pra min tanto fazia na verdade, eu estava feliz de sentar num canto até os shows começarem.
Spank Rock abriu os shows do dia com um Hip-Hop irreverente e inusitado. Já tem um tempo que o gênero vem se tranformado na mais horrenda e fedorenta forma de expressão humana, com letras escritas por macacos no cio e estruturas músicais tão elaboradas quanto um soco nos bagos. O Spank Rock rebrou um pouca essa tradição usando samples mais criativos e uma batida mais proxima da música elêtronica que a maioria dos outros grupos (Guangues?) de hip hop.
Em seguida veio Hot Chip que, para compensar a injeção de lidocaina que é o CD de tão parado e a sua falta de popularidade, entupiu todas as músicas com as batidas elêtronicas mais furiosas possiveis, tranformada a bagaça toda numa tenda de eletro, o que foi divertido até um certo ponto. Quando a gorda que tava na minha frente começou a rebolar (!) e dançar, eu torci para ter um ataque de diseteria forte o bastante para responder fogo com fogo.
Ao fim de Hot Chip – que teve o show interrompido no meio graças a alguma falha elétrica – trilhões de auxiliares de palco invadiram o recem-terminado show do hot Chip e começaram – para ser delicado – a chutar o traseiro deles para fora e começaram a montar o que parecia ser o cenário para mais uma das apresentações do Cirque du Soleil. E era tanto equipamento, tanta bandeirinha, uns tantos estandartes de peixes e oviparos (!), mas foi tanta coisa que a arrumação do palco levou 1 hora inteira. Tava na cara que Björk era única com queixo o suficiente para poder atrapalhar o andamento dos shows por tanto tempo assim.
E, assim que o palco estava completamente entupido de tralhas e você pensava que não podia ficar mais colorido, entra uns tantos caras vestidos como um clipe do Artic Monkeys, carregando trompetes e tubas. Tocam uns troços e, na hora que eu deveria notar o baterista e o DJ entrando em cena, eu só pude notar que um rolo de papel crepom havia entrado no palco. E dançava!
Para os mais entendidos nas extravagancias da Islandesa, a cena é óbvia: Björk entra no palco vestindo algo que parecia tudo menos uma roupa. Após ter tirado etade da fantasia – eu atribuo isso a uma ataque de pânico, por que eu não imagino alguma coisa respirando ali dentro – começou a cantar, e a partir dai foi só felicidade.
Claro, eu que conheçia até as músicas mais undergrouds, foi um show e tanto, tanto do ponto de vista visual e músical. Para os montes de playboys e desavisados, foi provavelmente um empalamento lento e doloroso, como por exemplo, quando Björk tocou uma versão de Vökuró (do CD Medulla) apenas voz e cravo (!!). Era óbvio o desagrado de muita gente com o show – o que, de uma forma meio sádica, só aumentou o meu deleite.
E a Björk simplesmente disparou no meu Top 10 de “Coisas Fofas Pá Caraio” com a sua estatura de dar inveja à hobbits – se é que hobbits tem orgulho de seu tamanho – e os seus infusivos “obrigados” que pareciam estar saindo da boca de uma bêbê de 4 anos.
O show terminou numa chuva de papel picotado e tudo quanto foi barulho saindo daqueles sintetizadores ensadecidos. Coisa linda de se ver. Após mais uma hora para poder tirar toda a parafernália da Björk, foi a vez de Julliete and the Lickers arrasar no palco do Tim e me permitiu ir dormir um pouco e descansar para algum show de verdade.
E ela se retocia no palco, pulava, fazia sinais obcenos no palco, se enrrolava na bandeira brasileira, se jogava no chão, add infinitum… Eu já estava achando tudo muito divertido até a hora que ela pediu para as brasileiras rebolarem pois, ora, “vocês brasileiras sabem melhor que eu como fazer”. Fez o mesmo outra vez, só que dessa vez pediu para mexer “da tits”. E galera delirava. Lindo.
Depois que o descanso acabou (A.K.A. show da Jully) foi a vez do Artic Monkeys e, pelo estado de animosidade da galera, eu tava pensando que aquele show ia ser o troço mais insano da noite no quesito “pular como macacos congelados”. Ledo engano.
Falta uma coisa pro paulistano que para o belensense sobra: Desespero. Ora, paulistano, acostumado aos grandes shows, aparentemente sabe, mesmo que de uma forma inconsciente, que ele vai, hora ou outra, acontecer de novo. Portanto se contenta com uns pulinhos aqui, outros ali. Belensenes por outro lado, vão para um show como se fosse o último que fosse ter por ali – o que é verdade na maioria das vezes. Então, eles se matam, pulam todos juntos até o último e cansado acorde e saem “só o aro”, mas completamente satisfeitos.
E isso não aconteceu no Artcic. Neguinho simplesmente não quis dar o sangue pela diversão inominavel da insanidade temporária. pulavam por uns 10 segundos e paravam, isso por que eu tava no meião, local dos animos exaltados. não quero imaginar o animo do pessoal mais atrás.
Tirando isso, o show foi muito bom e eles tocaram muitas do novo CD, o que pra min foi ótimo, já que eu acho o primeiro só relativamente bom enquanto que o segundo é uma pancada na cabeça, de tão bom (?).
Show encerrado era a vez do The Killers encerrar aquela bagaça e eu prometi pra min mesmo, depois das decepções anteriores, que eu ia assitir dos cantos por que esse público era uma boa merda e eu ia ver o show de uma relativa tranquilidade.
E eis um show bonito de se ver. A decoração natalina – misturada com plantas tropicais (?) - dava um aspecto no minimo amigavel para o palco o que era reforçado pelo teor das músicas – esperançoso, feliz. Conseguiu arrancar de min o refrão de muitas músicas.
E acabou. A diarréia não havia vindo e eu estava já atisfeito só com aquilo. Os shows foram, em sua maioria melhores que qualquer um que eu tenha visto em Belém – o que para um garoto interiorano como eu, é um aspecto importante.
Segui a trilha de gente estranha até o metro e, quase desmaiando, segui para casa dormir. E chega que eu to cansado de escrever.