
Finalmente um post sóbrio.
Que dizer do Show? Ora, redundante dizer que foi incrivel, que foi um show entre shows. Mesmo os “convidados especiais” fizeram shows impecáveis (Discutível,ok , mas…) e incriveis. Veja bem, que foi aquele tal de “CrafitíVerkí”, hein?! Genial. Não pode haver fã que saiu decepcionado dali.
Ou melhor, quase nenhum…
Não me atirem pedra! E tirem o dedo do gatilho, peloamordedeus. Claro que foi bom. Não irei criticar, pois não há o que criticar. Eram eles lá no palco, como sempre foram, tocaram de forma incrivel, melhor que em qualquer apresentação que eu possa ter assistido por videos ou áudio. Era o Radiohead no ápice da sua forma.
E, ainda assim, não me comoveu.
Mas eu sabia, ali parado, entre a multidão frenética que cantava, chorava, brigava para poder ver um pouquinho mais daquele show, que o problema não eram eles. Era eu. Havia algo de errado comigo. Soube disso no momento em que comprei o ingresso, mas não quis acreditar. Senti durante a viagem toda a mesma sensação, mas duvidei que ela pudesse persistir. Até o último momento eu, de verdade, achei que mudaria. Não mudou. E como poderia…?
Não, me senti distante daquilo tudo. As músicas continuavam ótimas, as letras ainda tinham aquele aspecto nebuloso que sempre ma haviam me atraído. Mas eu havia mudado. Mudado demais, percebi isso só durante o show. No meio de National Anthem desisti de esperar que algo naturalmente me arrebatase de tal forma que as lagrimas espontaneamente caissem – da forma como eu imaginava que deveria ser. Forcei uma viagem para dentro de mim mesmo.
Eu me vi retornando para uns sete anos atrás – não sei ao certo, datas, periodos… são coisas que normalmente escapam de mim – quando me apresentaram Radiohead. O Tusa fez-me esse favor. Ele estava lá também, em algum lugar naquela multidão. Não era mais o mesmo garoto de onze ou doze anos que, corajosamente, resolveu mostrar para mim, um retardado de quinze anos musicalmente acéfalo, o “Kid A”, CD polêmico da banda. Logo esse. Pensei com carinho no Tusa neste instante (e carinho não é sinônimo de “sexo anal” – não neste contexto, pelo menos). Imaginei o que ele estava sentindo naquele exato momento.
Torci para que estivesse muito feliz.
Em “Pyramid Song”, expectativa. Esperei com vibração que aqueles acordes, que muito magicamente embalaram quase toda a minha adolescência, viriam a despertar os sentimentos que eu esparava vir. Mas nada veio. Repentianmente, me senti solitário, vazio. Era com um sentimento de estranheza, de distanciamento, que eu acompanhei aquela música. Minha namorava vibrava, gritava. He… ela vibrava tanto quando eu a carregava, por cima do mar de cabeças, que chegava a me roubar um sorriso ofegante (carregar pessoas não é o meu forte). Ao menor contato visual com a banda eu podia sentir o pequeno corpo dela trepidar nas minhas mãos, graças a algum sentimento que era negado à mim. Eu sentia apenas inveja.
logo em seguida, “Karma Police”. Concentrei-me em pensar no que aquela música significava para mim. A imagem era clara na minha mente. Eu, quando estava aprendendo a tocar o violão. Os acordes eram atacados de forma precária. A mão direita tremia, descordenada com a esquerda. Não sabia o que fazer direito. A voz tentava desesperadamente alcançar as notas.
Mas a música era inconfundível. Karma Police… eu cantava pra mim mesmo, feliz só por ser. A tristeza era um alívio naqueles tempos. Paradoxal… mas era como as coisas se apresentavam naquela época. Eu era feliz por me sentir triste. Era como se aquele sentimento agudo, que pressionava a minha garganta em direção à boca, e da boca saiam as primeiras estrofes de karma police, era como se aquilo tudo me fizesse sentir único, melhor que os que me oprimiam naquela época. Radiohead era o meu oásis particular. Minha tristeza diária que me permitia esquecer do desespero cotidiano.
Seguiu-se “Nude” e “Arpeggi”. Pensei a respeito do novo CD. Eu sabia que era bom – a capacidade de compor e arranjar as músicas haviam sido lapidadas pelo grupo – mas simpelsmente não me atingia. Não mais eu conseguia entender a mensagem. Antes aquelas letras tinham tudo que poderiam haver no meu mundo. Eram meus guias, minha biblias. Naquele momento aparentavam ser apenas palavras jogadas ao léu, incapazes de adquirir sentido ou forma concreta. Pensei o que havia mudado naquelas palavras…
… ou se era o meu mundo que tinha se tornado indiferente.
“Talk Show Host” e “Optmistic”. Namorada passa mal. Aparentemente não faz bem pular, gritar e chorar quando o suprimento de oxigênio é tão limitado pelo fato de que ela tem um metro e meio e estava imersa numa multidão. Saimos andando da parte mais central. Luto contra um mar de gente para chegar a uma área menos lotada. Começo a notar nos rostos e nas expressões das pessoas.
Era estranho, ninguem parecia estar com o estado de espirito que eu imaginava para mim – não estavam eufóricos como eu pensava que deveriam. Jesus, eles estavam parados, irritadiços, preocupados com quem ia e vinha, brigando. Pensei, então, se eu estava na mesma situação deles: Incomunicáveis, dessensibilizados à musica que estavam imersos naquele momento. Era eu apenas mais um naqueles que haviam vindo apenas por curiosidade? Será que não mais havia nenhum laço com aquela banda? Será que um dia eu havia tido?!
Todos esses pensamentos corriam pela minha cabeça enquanto eu escoltava a namorada para um lugar mais tranquilo. Seguiu-se uma sequencia de músicas, entre “Idioteque”, “Exit Music”, “Climbing up The Walls” quando nos acomodamos… Eu, nesse ponto já tinha certeza: Algo havia se perdido no caminho.
Foi algo que também aconteceu no show do Los Hermanos, mas que me atingiu com muito menos violência que no show do Radiohead. Já me emocionei muito nnas apresentações do Los Hermanos, a ponto de varios pequenos choros. As letras sempre me pareceram bonitas, vivas de cores. Uma pintura onde as tintas eram messuradas não em quantidades de cores primárias, mas em decibéis.
E no show deles eu canatava, me divertia, mas não era a mesma coisa. E eu sabia que a letra ainda era boa, eu sabia que ainda eram apreciáveis. Mas o elemento que me unia a elas havia se perdido. Será que essas coisas só funcionam por uma época? Todo aquele ardor, aquelas vivências que eu tive com essas bandas… Será que estariam para sempre presos no limbo do passado? Confinados através das solidas paredes dos meus preconceitos da vida adulta, onde são sufocados os sonhos e anseios adolescentes num saúdavel desespero cotidiano?
Eram esses pensamentos que me distraiam. E quando notei, já estava tocando “Everything in its Right Place”. Quase a última. Gostei. Foi bonito. Aquele era o meu mantra favorito para as tardes tediosas, sob o vento de um ventilador. O sol queimava lá fora. Eu pensava nas coisas que eu gostaria de ser. Fiquei irritado. Decidi encerrar ali a minha viagem pessoal à infancia. O Radiohead havia sido bom, mas não foi o que eu queria que fosse.
Talvez se esse show tivesse acontecido a três ou quatro anos atrás… Não sei. Eu tinha algo naquela época, que me fazia amar com intensidade essas melodias. E não é o interesse e a paixão pela música que mudou – não, pelo contrário, ela se ampliou, amadureceu. Eu sinto mais coisas e com muito mais intensidade que antes. Mas por algum motivo essa banda, que marcou o inicio da minha vida como um individuo que aprecia música, que me acompanhou por todas a minhas tristezas e alegrias…
De alguma forma, eu perdi a conexão. Eu mudei demais. Já não era o show da minha vida. A janela para isso havia sido fechada, anos atrás. Em que ponto, eu ainda me pergunto.
Eu era pura solidão quando eles terminaram “Creep”. Deram tchauzinho e nunca mais voltaram. E, para mim, nunca mais voltariam.
“Adeus, Radiohead. Obrigado por tudo”. É hora de ir em frente. Pra onde, não sei.

Fazer uma música para apenas um instrumento é algo para poucos. Descubro isso na minha atual luta para completar uma antiga música para contrabaixo, baseada principalmente em harmônicos naturais. Achar temas, harmonias e motivos que sejam interessantes – e ainda mais executar essa enxurrada de informação – é de tamanha complexidade que já me vi preso ao inicio da música diversas vezes, fiz e refiz diversos trechos e tenho em mãos um amontoados de partes que aos meus ouvidos parecem ter haver um com o outro apenas o sistema harmônico.
Nesse momento que entendemos a genialidade dos grandes compositores e instrumentistas, que do emaranhado que é a criatividade humana, conseguem organizar e ordenar idéias de beleza e força, que podemos dizer imortais, pois assim são as idéias, que ao contrario dos criadores, atravessam os séculos e não perdem a força. Um testemunho da invariabilidade humana.
Queria eu fazer um Portrait of Tracy, mas faço no máximo uma balada do engenheiros do havaí. Que falta? Estudo, dedicação ou talento nato? Seriam aqueles que levam suas músicas ao extremo de conseguir penetrar na barreira do egocentrismo humano todos talentos natos, portadores de dádivas do berço? Será que sou uma espécie de aleijado musical? Um falso talento nunca descoberto?
Sobre isso, apenas o tempo dará uma resposta completa, e suspeito que somente o esforço é a chave para eu não me decepcionar com a resposta.
***
E eu me espanto com o tal do concurso. A votação parece ser aberta – qualquer um que entre na comunidade pode votar. Antes de chamar uns quinze primos e outros trinta amigos, descobri que parece que eu preciso votar nas outras categorias, ou algo assim, senão meu pênis vai curvar e ficar com formato de cedilha.
Tentei a categoria “humor” e me dei conta, que mesmo depois de uns trinta minutos olhando os quatro selecionados, eu não havia dado muitas risadas. Creio ter movido discretamente uma aérea da musculatura na região da boca. Mas foi coceira, não conta. Dentre templates de mal gosto e quilos de vídeos do youtube, constatei que nenhuma sabia fazer humor se utilizando somente de palavras, mas todos sabiam por hyperlinks do youtube e fotos no blog. Então eu mudei meus critérios de avaliação e pedi para o meu primo (o gênio da política) de 4 anos para escolher um dos quatro.
E isso deve resolver o impasse nas outras categorias também. Serão essas pessoas que votarão também? Então estamos fodidos, porque aqui nem elogio pra santa rolou – uma quase constante nos blogs que eu visitei. Ah, e claro, o Psicodélica está perdendo. Não esperávamos mais, porém farei greve de fome e pedirei na Americanas.com um CD do Brunno e Marrone para um suicido doloroso.
Não sem antes falar mal de todo mundo, ora. Se não somos o melhor, podemos muito bem ser o mais imbecil.
UPDATE: Acabamos de notar que, votações abertas no dia 17 deste mês, já houveram cerca de 48 votos na minha categoria. Sabendo que o blog aqui teve nesse período nem sequer 20 visualizações, fico imaginando se as pessoas que votaram resolveram aderir ao estilo psicodélica de votar – que no caso é uma espécie de Dadaísmo para eleições em geral.
Longe de estar preocupado com o resultado da votação (queremos é que Leticia Daumec ganhe para podermos chama-la de gorda por aqui e exercer a nossa falta de esportismo humana) só ficamos curiosos se essa micro-amostragem de uma votação virtual mostra, de uma forma reduzida, como eleitor brasileiro – especificamente o paraense – se comporta em ambiente eleitoral.
É, afinal, o eleitor paraense, uma simples maquina de apertar botões, escolher números aleatórios ou um vendedor de votos, que ao pedido do primo candidato, vai naquela maquininha e sequer entende o que está de fato fazendo para sí e para sua comunidade? E estamos falando da classe média, aqueles que supostamente tem alguma consciência. Eu aqui, sentado no meu computador, imerso no meu niilismo pessoal, sou o pior exemplo da Terra, mas imagino se a maioria (esse conceito mágico) é tal qual eu: Aperta aleatoriamente esses mágicos condutos da democracia humana.
Mas se depender do amor que o blog tem pela prole paraense, a resposta já é obvia – e completamente tediosa.
Sabe, as vezes eu penso sobre o que é este blog. Eu sempre tentei imaginar ele como uma blog de um músico que gosta de falar de suas coisas musicais. De verdade eu tento fazer com que ele seja útil para alguem, que uma certa pessoa possa encontrar a recomendação do CD de sua vida aqui, ou qualquer coisa assim. Mas é inegável, cada vez que eu leio essa joça, o motivo, a fixação, é óbvia demais…
Esse blog nasceu pra esculhachar o Pará.
Seja por que eu odeio o Pará, seja por que o Pará é um dos círculos do inferno dantesco e faz por merecer, raramente existem posts que simplesmente não citem pelo menos uma faceta desagradável de se morar no Norte subdesenvolvido de um pais como o Brasil.
E eis que surfando o messenger, o colega Santa Brigida me fala de algo que simplesmente iria santificar essa cruzada bloguistica contra um estado inteiro, uma coroa de espinhos que beatificaria a missão sagrada de excomungar a corja Paraense de qualquer dignidade que tenham – eu incluso neste meio todo.
Senhoras e senhores, lhes apresento o MARAVILHOSO, o SENSACIONAL, o GENUINAMENTE PARAENSE:

CONCURSO DE MELHOR BLOG PARAENSE.
(Relâmpagos ao fundo)
Gente, juro que não fui eu que fez isso no paint não. Foi a coordenação do concurso que o fez. No Paint, obviamente. E apesar de termos adorado o padrão de cores café, achamos a cara do bonequinho que ilustra a categoria Cotidiano um tanto quanto misteriosa, mas certamente ideal para o proposito. Putz, acho essa expressão TUDO haver com cotidiano. Aliás, muito conveniente, por que essa carinha ai, é quase que exatamente a mesma que eu fiz quando eu vi que tinha que por todos esses selos aqui no blog.
É quase como se dissesse: “putaqueopariu…”
E, claro, eu vou super acreditar que as fatias em branco dentro das letra foram de propósito e que são super tendência. E não tem absolutamente nada haver com aquela ferramenta de preenchimento do Paint que nas mãos juvenis de crianças de 4º série causam um efeito similar.
Enfim, o que seria mais apropriado para um blog de ódio regional do que ter o título de “O Melhor Blog Paraense”? Minha pupilas dilatam só em vislumbrar a possibilidade. Imaginem, aquelas pobres bandas malhadas em meu pequeno blog, ao verem o trabalho de diversos fins de semana serem reduzidos ao pó, e logo ao lado, um selo (espero que tenha a qualidade dos selos do concurso): “Melhor Blog Paraense”. Surtei com a ironia.
Só o fato de eu poder falar besteira com um selo desses aqui no peito, me dá poderosas ereções. É a forma ideal de difamar o Pará. Ser o melhor entre eles, e ainda ser o pior. Depois disso, só me faltará dominar o mundo.
Portanto, lanço-me à candidatura, sem nada mais que um ideal contraditório e sem nenhuma esperança maior do que a que eu coloquei quando comprei um baixo para mim. E enquanto espero os resultados, me divirto com os outros selos da promoção. Observem:



Gente, não sei o que é mais babado: As cores super tendência dos selos ou a cara do mascote da promoção – quero muito chama-lo de “parazinho” ou algo subversivo assim – mas devo dizer: Os organizadores captaram mesmo a essência da ficção na expressão do Parazinho. Odio, amor, trama, desejo, A-V-E-N-T-U-R-A. Tudo que faz um de bom conto uma sensação.
E de antemão, nós já sugerimos aqui o selo do campeão, usando os altos recursos tecnológicos que diretoria do concurso usou em seus selos:
Now, Soldier On!
Enquanto você, camarada, filho da abastada (e em processo de extinção) classe média brasileira está arrumando as malas para suas viagens com destinos a lugares frios onde as pessoas possuem mais consoantes que vogais em seus nomes, eu estive os últimos dias desbravando o Piauí no lombo de jumentos, que era movido a Mangueira, o Whisky brasileiro, manufaturado por duendes piauienses.
A desculpa que tinha para lá estar, era o Festival Folclórico Nacional de Folguedos do Piauí, que havia reunido grupos folclóricos de vários cantos do brasil, incluindo o meu. Portanto, com passagem paga, estadia garantida e alimentação fornecida, rumamos para o Piauí.
E poderia dizer algum poeta esquecido, que pela falta de talento ou de compreensão do público foi deixado a versar sozinho, em uma pequena casa à beira da estrada, que se achamos a vida injusta, é só por falta de mobilidade de pescoço, pois não conseguimos olhar para o lado daquele mais azarado e se alegrar com a própria sorte. O que quero dizer com isso é que simplesmente, dos cinco grupos paraenses que tomaram rumo à Folguedos, três foram assaltados, não sendo poupado nem figurino nem instrumento musical.
Ficamos num alojamento de padres, na extremidade da cidade de Teresina. Ficavamos lá a maior parte do dia e rumavos para Folguedos no fim do dia, para apresentações e conseqüente Forró, que por sinal é o Brega piauíense, a praga das rádios de lá.
Não há muito o que dizer da viagem. Foi divertido e instrutivo. E foi um preview do que virá em setembro pois estaremos indo para o México, terra do emigrantes e da tequila a 5 dolares. Estou com uma preguiça danada de escrever hoje, então ficamos por isso mesmo hoje.
=*

Semana passada teve um workshop sobre produção músical com o Dj Raffa, através do porjeto “Eu Faço Cultura” do Senae. Seria lindo dizer que eu sou um super fã do cara e que eu acho o trabalho dele super inovador blábláblá, mas a verdade é que eu nunca tinha sequer ouvido falar no nome desse infeliz, e muito menos eu sabia deste curso até algumas horas antes da segunda e última aula do workshop começar.
Agradecimentos à namorada, que fez o favor de me comunicar algo que simplesmente deveria estar na boca de todos do ramo – e obviamente não estava. Na verdade, quase ninguém sabia da palestra, que foi apreciada por oito pessoas no segundo dia e, pelo que disseram, cerca de dez ou onze no primeiro. E maioria não fazia sequer idéia nem de onde plugar o P2 da guitarra.
Criticas sociais a parte, DJ raffa, um desses caras que ascenderam na vida através de muita fome (o que é difícil de crer, já que ele tem a forma física de quem nunca parou de comer), não se aprofundou muito no assunto sequer chegou às margens do que eu queria saber e, ainda assim, a palestra foi mais que interessante, com exemplos de plugins de audio de diferentes tipos, dicas de equalização entre outras coisas que, de tão básicas, me fazem enrubescer de vergonha por não sabe-las. Vivendo e aprendendo.
E, parte interessante, a palestra aconteceu na fundação Curro Velho, próximo ao Solamar, se é que essa espelunca ainda não desabou. Lá, para minha surpresa, eu descobri uma penca de cursos livre (e gratuitos) não só sobre dança ou pintura, mas sobre equalização de audio (turmas lotadas, pro meu azar), oficinas de canto coral e varios modulos para violão e canto. Prato cheio pra quem quer começar ou expandir horizontes.
Só tem o problema que o Curro Velho está instalado numa das áreas mais perigosas e violentas da cidade. Nada que alguns coqueteis molotovs não resolvam, portanto, não deixem de conferir a programação do Curro Velho, quem geralmente é renovada de dois em dois meses.
Arquivado em: Review, Sarcasmo | Tags: Cruzada, kingdom of heaven, Legaolas, Orlando Bloom, Worst Film Ever?

Enquanto meus caridosos médicos especulam sobre minha doença e no meio tempo aplicam todos os testes conhecidos pela medicina moderna nesta frágil carcaça, eu me divirto assistindo um ou outro filme. Minha prestativa namorada me fez o favor (ou desfavor) de me emprestar Kingdom of Heaven (Cruzada) com o eterno Legolas. Ou Orlando Bloom, como preferir.
Lembro-me que a única vontade que eu tinha de rever este filme – que eu havia visto no falecido Cine Nazaré – era pelas cenas bacanas que envolviam um exercito cruzado em pleno deserto carregando uma cruz de ouro pra lá e pra cá. Não me arrependi. A cena está lá e é muito legal. O resto é, no minimo, duvidosamente irreal.
A primeira coisa que me salta os olhos é a constante presença de um saudavel ceticismo em relação à religião em quase todos os personagens. De Saladino ao Rei de Jerusalem, todos parecem ter lido demais Dawkins e revelam cá e lá uma dose certa de distancia do fanatismo religioso.
Nada contra o ceticismo ou o ateísmo, mas considerando que o filme se ambienta em pleno seculo XII, auge do domínio da igreja católica, que – ora, é o tema do filme – conseguiu até mesmo convencer meio mundo de que era justo invadir uma pequena faixa litorânea de terra e massacrar toda a população de uma cidade supostamente santa, tudo em nome de Deus, bem, você espera que as pessoas sejam um pouco mais… religiosas. Ou loucas.
Mas não. Nem Saladino, lider de uma nação muçulmana sedenta por sangue cristão e por um local sagrado para orar, o mesmo que praticamente educou o seu povo para o único proposito de lutar contra os cristãos e construiu inumeras escolas islâmicas para seu povo, parecia um pouco desmotivado em relação a Alá. Sequer rezava, aquele barbudo sacana, comedor de gelo do deserto.
E quanto à Balduíno IV, Rei de Jerusalém? A conversa inical dele com Orlando Bloom não era exatamente o que eu esperava de uma figura histórica que representava todo o furor da intolerância cristã no oriente. Mais parecia um humanista do século XIX do que um rei de exercitos episcopais no século XII. A tolerância à Saladino também é reconhecivelmente bizarra, sendo que este último é simplesmente uma óbvia e iminente ameaça às nações cruzadas, ostentando com orgulho 200 mil soldados muçulmanos na cidade mais próxima.
Isso sem falar em Orlando Bloom, suposto Barão de Ibelim e principe élfico da floresta das… opa, não, isso é outro filme. Mas Barão ele era, tão certamente quanto era um atéu convicto, com toda aquela história de que “não é a vontade de Deus e sim a vontade fazer o bem” e blablabla. Me poupe, pois de um cavaleiro templário em busca de redenção numa das cruzadas, eu só poderia esperar no minimo um elfórico “matem todos esses mulçumanos”. Mas não, O Barão de Ibelim reza um tercinho durante o filme todo e acha que isso já tava bom e que já tinha perdido a fé.
Mas Deus não pareceu se importar muito e concedeu ao Barão a graça de ter tudo o que ele queria da forma mais rapida (e chata) possivel. Veja bem, num belo dia, um pequeno ferreiro recebe a visita de um nobre que afirma – sabe lá Deus como ele soube – ser seu pai. No dia seguinte, tal pessoa morre durante uma sangrenta batalha e o pequeno ferreiro automaticamente se tranforma no novo Barão de Ibelim, sem que NINGUEM conteste tal fato. NINGUEM, na França, Século XII ficou irritado por que um plebeu, trabalhador, havia subtamente ascendido à Barão. Nada mau, hein?!
Não bastando isso, logo ao chegar em Jerusalém, nosso amigo sortudo teve a infelicidade de encontrar os fiéis lacaios do antigo barão, que aparentemente sem nada melhor pra fazer, estavam de bobeira ali na praça, quando viram o novo nobre. Após uma teste de fidelidade e terem tido certeza de que o jovem era de fato o o novo barão – e tal teste contitui somente acertar pergunta “tinha ele olhos azuis ou verdes?” – os servos levam-no para um luxuoso palácio com todo o conforto. Todos, de cara, juram lealdade para o recem-chegado.
Até mesmo para achar agua para um poço cartesiano, Ibelim não tem a menor dificuldade. Essa facilidade toda com que ele simplesmente consegue as coisas durante o filme é irritante. Pior, Orlando Bloom, tentando dar uma de Aragorn, tenta ser o lider de uma cidade sem esperança mas sua atuação é completamente apática e sem vida, o oposto do que se esperaria do papel.
Como eu havia lido em algum lugar a muito tempo atrás, um exemplo certo disso é o horrendo discurso de Ibelim para as tropas sitiadas de Jerusalém. Se eu fosse um plebeu forçado a pegar em armas – como foi o caso – enfretando a morte certa, má NEM MORTO que eu faria isso depois daquele discurso, que parece ter sido escrito por uma criança de 12 anos.
E mais legal ainda no filme, é como as coisas foram embelezadas durante todo o percurso da história, como o suposto envolvimento da rainha Sibila com Balian. Mas melhor exemplo não há, do que o suposto rendimento de Jerusalém para o grande Sultão muçulmano. A historia nos ensina que Balim, muito ao contrario do que mostra o filme, na verdade ameaçou matar todos os muçulmanos da cidade caso Saladino tentasse invadi-la.
Saladino, muito menos humanitário que no filme, aceitou o acordo, sendo que para cada 7 mil homens, os cristão teriam de pagar um poupudo resgate (1 homem podia ser substituido por 10 crianças ou 2 mulheres pelo mesmo preço. Gente fina o Saladino, não?). Quem não pudesse pagar ficaria na cidade e se tornariam escravos.
Ou seja, não só o filme é recheado de milhares de inverdades históricas, mas também um quilo de parvas atuações e fracos dialogos. Se nós fossemos Eva Green (Rainha Sibila) não teriamos duvida no que pensar depois de ir ao cinema:

“Não acredito que cortei meu cabelo para aquela merda”
Nem eu.
Arquivado em: Clave de Fá, Review, Sarcasmo | Tags: Adalbert Carneiro, Babu, Baixo, belem, ney conceição, Pa, Priamo Brandão
E de novo Ney se apresenta em Belém. Seria até mesmo maçante tamanha freqüência do baixista em vir á cidade dos capôs amassados se não fosse pelo fato de ser O Ney. Sim, não me canso de chupar o saco pelancudo dessa divindade do baixo nacional e toda vez que ele vem aqui pra cidade é sempre um frisoooom todo.
Principalmente por causa das participações especiais, néam?
A primeira pergunta que me surge na cabeça quando eu sei que o Ney vai soltar uns fraseados aqui pela cidade é a seguinte: Quem da panelinha vai surgir dentre os detritos para fazer uma (medíocre) participação especial com o Ney? Da ultima vez – leia-se “Cover Baixo” – o saxofonista chamado (um que de vez em quando toca com a Amazônia Jazz Band, creio) simplesmente errou 3 vezes na música “Resposta”, sendo que uma delas foi logo no inicio, o que rendeu o tradicional “Opa, vamos começar de novo”? Só orgulho mesmo.
A pergunta já ardia com o fogo da danação na minha mente – que fantasiava sobre aberrações como participações especialíssimas de Eloy Iglesias ou do lendááário baterista do Alm… e neste momento me ligam para ir ver a passagem de som no exuberante Teatro da Paz. É como botar o coiote dentro do galinheiro, mas pra que reclamar? Mp4 no bolso, Josquin Desprez na mente e um sorisso horrendo no rosto, caminhei até o teatro.
Assim que o pequeno Bacuri, filho da puta de primeira e baterista ocasional, me liberou o acesso para a câmara do teatro, eu já dei de cara com nada mais nada menos que o Kiko Freita socando uma bateria fodona genérica qualquer, como se tivesse 20 daquelas em casa. E deve ter mesmo.
Enquanto todos estavam hipnotizados pela bateria certeira do Kiko – que é tão reclamão quanto o seu homologo na “Villa Del Chavo” – eu estava a espreita para qualquer sinal daquele músico local com instrumento na costa, pronto para passar o som do seu instrumento de ponta comprado nas lojas de música do comércio. Eu PRECISAVA saber quem iria ser o amigão do Ney dessa vez.
Ora, até o momento só estava o Adriel no local com as condições supracitadas. Mas, orra, o Adriel não vale. O pequeno saxofonista – que possui Autismo e Ouvido Absoluto, vejam como Deus é um cara de humor ímpar – praticamente brota em qualquer lugar que esteja tocando jazz instrumental. Brota mais como uma erva daninha do que como uma rosa, pra ser sincero. Mas o que lhe falta na subtração, esbanja na improvisação.
Minha impaciência já estava no auge quando surgem – ah, que previsível – Babú e Adelbert Carneiro com seus baixos no palco. Ah, e a gente que fica imaginando tantas coisas, não é mesmo? Mas nada estava perdido, pois ainda havia uma esperança: Priamo Brandão rondava o palco, mas sem instrumento na costa. O baixista da Amazônia Jazz Band (já citada) sempre me deixou na duvida quanto à suas habilidades no contrabaixo elétrico. Seria um ótima oportunidade avalia-lo caso tocasse algo com o Ney.
Mas, pulemos agora essa parte, e vamos para o show propriamente dito. Muito pouco a se dizer do que vi da passagem de som dos baixistas. Posso adiantar pra vocês que, de fato, Priamo passou o som e iria tocar junto com os outros baixistas e que, a música que iriam tocar não podia ser menos criativa. Falaremos disso no devido tempo.
Quanto ao show, Ney entra sozinho no palco, tocando. As putas e viados deliram. Não lembro a ordem do repertorio, mas creio que tenha começado com a música do Richard Bona, “Te Misseya”, e percorreram clássicos como Mônica, Resposta, entre outras.
E tipo, gente, que era aquilo que o Ney tentava fazer no microfone? Tipo, tão fofinho ver o quão inseguro ele estava com aquele microfone na lata dele, quando ele tentava cantar os temas. Dava a impressão que ele estava com medo que o Kiko simplesmente se levantasse da bateria e gritasse “égua da merda, caraleo, para com isso” e arrancasse o microfone dele. Experiência própria, gente, eu sei identificar esse tipo de apreensão.
Mas acho que nada superou o trompetista. Tipo, gente, tem que estar muito inspirado para, no meio do show, dar aquela BALANÇADA no trompete, tal qual estivesse no banheiro com o próprio pinto, para tirar aquela gosminha espumante que se formou dentro do instrumento. “Aquilo é baba, Ribamar?” me pergunta Ulla. Eu não sabia o que dizer, mas eu realmente esperava que fosse. Outras possibilidades me assustavam, enquanto eu via uma pequena poça se formando aos pés do trompetista.
Lá pro final do show, chamaram um velhote gordo pra cantar “My Valentine” com o Ney tocando toda a harmonia no baixo (e fazendo o improviso mais lindo da noite, sem nenhum acompanhamento) e ai chamarão os “baixistas locais” para uma canjinha. Mas uma canja bem rala mesmo. Miojo style.
Isso porque simplesmente eles resolveram tocar a versão para 198 baixos do Ney de “Assum Preto” do Gonzaguinha. Problema? Nenhum, tirando que é uma peça que o Ney usa muito em seus workshops e que ele a fez de improviso numa masterclass no ES, se me recordo bem. E para aqueles que acompanham as vindas do Ney aqui à terra do sol eterno, mais satuarada que roteiro de novela das nove.
A impressão que fica é que os baixistas locais simplesmente imploraram por uma ponta para o Ney e este, por falta de paciência para escolher coisa mais trabalhosa, escolheu logo algo que já foi usado até o ponto da exaustão. E mesmo que não seja dessa forma, custava terem tocado algo um pouco diferente? Um Pat Metheny seria pedir demais?
Enfim, os quatro baixistas tocaram o tema e improvisaram. Ney foi o ney. Adalbert mais parecia eu improvisando que alguém que estudou até com o Patitucci – Jogando nota pelo ladrão, intenção de menos. Babu pareceu ter gostado do timbre de latão de fero-velho que tinha conseguido na passagem de som e deu uma avacalhadinha no botão dos agudos do contrabaixo (e dane-se a diferenciação de timbres, lixo é lixo). Agooora, quanto ao pequeno Priamo, tudo se resume a essa conversa nos bastidores:
- Orra, Bacuri, nunca vais ser o Kiko, né? Sabes disso.
- Tanto faz, mas olha ai o teu destino – Enquanto apontava para Babu e Adalbert
- Ah, ser um Adalbert da vida até que vá lá, dá pra agüentar. Priamo Way of Playng que não daria pra agüentar…
- Ah, verdade, né? Priamo nem pensar, huh?
- Nem pensar.
O show terminou com “Chuvas de Belém”, melhor música da noite, lindos arranjos e um tema que me lembrou da chuva que eu tomei dia desses enquanto eu tava com 40º de febre.
É claro que essa linda música foi o Bis da noite, mas o tédio da audiência já era tanta que eles mal tinha esperado o retorno dos músicos. Já estavam era saindo mesmo. Eu até cheguei a ouvir uns suspiros de infelicidade pela platéia quando Ney anunciou mais uma música.
Pior que uma platéia despreparada, só uma platéia despreparada E mal-educada. Meu camarote foi um exemplo de ambos. Cada câmara, muitos sabem, tem lotação máxima de 6 pessoas. Que surpresa a minha quando vejo a minha câmara ocupada por 8.
Simplesmente dois daqueles que já ocupavam o camarote tinham ingressos da platéia, mas devem ter errado o caminho e inocentemente entraram num camarote. Após a expulsão de dois dos 4 camaradas inocentes, pudemos curtir o show sem muito estresse.
Claro, até os dois restantes começarem a achar o show um tédio e tentarem dormir na bancada do camarote dentre outros sinais irritantes de que ele queria era estar no Forró do Sitio. Gente, eu juro que se ele tivesse pedido, eu pagava um táxi, mas por favor, não encha a minha paciência com o sue descaso para um show lindo desses.
Será que é para parecer bonito, por achar que quem vai no teatro é mais inteligente que os outros? O que leva tanta gente que gosta tanto de jazz quanto eu gosto de frieiras a irem a um teatro assistir um baixista que eles nunca ouviram falar? Nem devem saber o que é um baixo, peloamordedeus.
Mas tirando todo essa irritação, o show foi muito bom, e morram de inveja, pois agora eu sou o único motorista de Belém licenciado pelo maior especialista em altas velocidades deste lado da selva:
O próprio Ney.
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Então, esse fim de semana que passou – graças a Deus – abrigou a versão manga com leite quente do Festival Cover Baixo, que está viajando o país com apresentações de baixistas renomados, tanto regionalmente quanto nacionalmente.
Apesar da total falta de coerência, o que você está vendo no pequeno painel acima é uma foto do lugar onde o maior gênio do contrabaixo paraense – que, pasmem, não tem uma entrada na wikipédia em português, só em inglês – se apresentou. Não se deixem enganar pela cara de “I’m lonelly and horny” do flanelinha de vermelho ou pelo “I’m too sexy for this party” da gatcheeenha de preto, o local é esse mesmo.
Explicando: Por falta de conseguir lugar melhor (e eu só consigo explicar dessa maneira o fato) escolheram o lendário Café com Arte para ser palco do festival. Ora, todos que conhecem a espelunca que é o CA , sabem que o “lendário” é atribuído às dezenas de casos esdrúxulos que acontecem por lá, como gente tentando beijar meninas vomitando, bêbados se jogando no palco, homens se beijando (!), e até furto.
E, bem, o caso é que logo após as apresentações do festival, já tinham festas marcadas com bandas INFAMES como Audioslave Cover ou Strokes Cover, que só de vergonha, nem cito. Ou seja, ao fim do festival, como baratas, multidões emocore e variantes menos depressivas (e mais bêbadas) já infestavam o ambiente. E eis a foto.
Infelizmente, minha falta de recursos monetários não me permitiu ver os três dias de festival, que contou com baixistas que, me contaram posteriormente, o que não tinham de fama, tinham em dobro de talento. E justo no dia que eu vou, a surpresa: das três apresentações do dia, três são de artistas regionais. Que coisa.
Não aceitando devoluções, a bilheteria me convidou a entrar no ambiente das apresentações. Muito puto, me ajeito da maneira mais desconfortável possível numa parede cheia de pregos, para poder ter uma visão mais imparcial do show. Assim, assisto a primeira apresentação:
MARCUS BRAGA (Quem…?!)
Então, eu não sei. Mas ele tava lá, e eu já tinha pago mesmo.
A banda de apoio do baixista contava com baterista, tecladista e um rapaz nos sopros. Ao fim do show, eu tive a nítida impressão de que eles juravam que aquilo que haviam tocado durante quarenta minutos tinha sido jazz. Jazz My Ass. O show teve um forte teor de rock progressivo durante toda a sua extensão, com sincopas consagradas do gênero durante os temas, o uso dos mesmo como apoio para o improviso dos integrantes, entre outras coisas.
Os temas deixavam uma forte impressão pela força que possuíam – todos de muito bom gosto, simples e que iam direto ao ponto. Foi a maior característica das músicas apresentadas, que eram baseadas mais nos construtos melódicos que nas grandes jogadas harmônicas, que infelizmente me fizeram falta.
Ao fim da apresentação, porem, uma estranha sensação de perda se abateu sobre min. Uma impressão de que algo importante e essencial havia se perdido durante o show, um vácuo que foi preenchido pelo numero de instrumentistas no palco. Lembrei no último instante antes de ir ao banheiro: Faltou baixo.
Marcus Braga pode ser até um bom compositor, mas é uma baixista no máximo medíocre. Suas linhas eram de uma simplicidade mórbida e possuíam uma ociosidade tediosa. O seu improviso – apenas um durante todo o show, o que não é surpresa, pois improviso não é uma característica do progressivo – foi bastante tímido, sem ousadia ou sem qualquer coisa na verdade, a não ser que tinha muito efeito.
Outra coisa que me irritou muito durante o show era o total caos em que o som estava imerso. O baixo estava nas alturas (o que, de certa forma, era um desastre, mas estava correto) enquanto que todos os outros instrumentos estavam timidamente encobertos por uma camada de sigilo silencioso. Mal pude entender os improvisos que o saxofonistas fez em seu sax digital (pasmem) ou alguns outros que o tecladista fez.
Estava tudo simplesmente desaparecido, sumidos.
Enfim, o show de Marcus Braga não foi uma total decepção, mas foi tudo que eu geralmente espero de um baixista daqui: Timidez, falta de ousadia e uma certa inaptidão para o figurino.
Mas também, o que vocês esperavam de um baixista que toca numa banda como essa aqui e faz músicas com essa letra aqui, ô:
Quando o metal cravou suas mãos na cruz
Ele não era white, ele era heavy por causa do pecado pesado
Mas quando o tocou,
O seu sangue com poder na cruz fez alquimia, o iluminou
Transmutou o metal bruto no puro metal… Whitemetal.
Próximo, néam?
CLEITON SATIRO (Ahh…)
A gente já tinha pago, né?
Sr. Satiro já é uma figura conhecida no cenário heavy metal belenense, seja pela sua técnica, pela sua musicalidade ou simplesmente por ser muito fashion. Muita gente já conhece o trabalho do baixista na banda de Metal Progressivo Anomaty, que envolvia muitas semicolcheias e algum baião com duplo domínio.
Satiro está de volta, não só organizando o evento mas também tocando nele. Foram quarenta minutos do trio formado pelo baterista Leandro, o guitarrista Jonnhy e pelo próprio Cleiton. E quem pedir sobrenomes, morre.
Uma das principais deficiências do grupo seria solucionada de maneira definitiva com uma medida que, apesar da banalidade, é simples e efetiva: Cleiton precisa comprar um baixo novo.
Não que o baixo seja ruim, pois o som do pizzicato que ele apresenta é ótimo, mas a preferência do dono pela técnica do Slap denuncia o granhido que deveria ser o som do instrumento. O timbre era simplesmente irritante para a técnica – e aquele probleminha do som ainda agravou isso, deixando o contrabaixo nas alturas – e estragou por diversas vezes o improviso do excelente guitarrista, abafando-o.
Aliás, timbre estava sendo um problema pro trio, pois o som do guitarrista também estava muito estranho, com distorções esquisitas onde não deveria haver e a falta de volume em tais e tais trechos estava definitivamente deteriorando a performace do grupo.
Uma coisa que fez falta na apresentação do grupo foi a falta de trabalhos próprios – apenas duas músicas.
Mas talvez a coisa mais intrigante (e divertida) do show foram as diversas alfinetadas gratuitas que Satiro fazia questão de soltar vez ou outra. Eu simplesmente vibrei de felicidade quando ele chamou o técnico de som de surdo – pudera, o cara de fato devia ser – ou, melhor ainda, quando insinuou de forma sutil que deixou de for a maior parte (pra não dizer toda) a panelinha de baixistas de jazz aqui em Belém de fora do festival. Gente, esse pessoal deve estar todos mordendo os cotovelos nas suas casas, mas nada mais justo com essa gentalha, neam? Próximo, que o próximo é bom…
NEY CONCEIÇÃO
Gente, chorei nesse. =~
Não tem jeito, Ney é o melhor baixista que já saiu dessas bandas quentes e mal-cheirosas. Dono de bom gosto único para melodia e harmonia, possuidor do dom daquela agilidade felina que todos nós gostamos de ver vez ou outra e, melhor que tudo, dono de uma personalidade agradabilíssima, Ney mata a cobra e mostra o pau.
Aliás, diga-se de passagem, o cara é tão agradável, que faz até com que as filhasdaputice com que de vez ou outra ele agracia o pessoal pareçam as coisas mais fofas do mundo – como por exemplo, Ney lá fora, conversando tranquilamente enquanto ignorava completamente o show dos dois outros baixista acima citados. Gente, não só não consegui culpa-lo por isso, como me juntei a ele lá fora para poder ignorar como o mestre.
Ney abriu o show com “Mônica”, musica de fofura e graciosidade únicas. Só ele, no baixo. Eu já acho difícil tocar uma música Bass Only num baixo de 6 cordas, mas Ney não só conseguiu isso da forma mais foda possível, como fez isso num baixo de 4 cordas. Impagável.
Da mesma forma, “Resposta” só baixo e Sax, foi absolutamente lindo – não sei se pela música, ou se pelo saxofonista que não conseguiu acompanhar, por duas vezes, a agilidade do baixista e ficou catando poeira durante o dueto do tema da música. Acontece.
Foi lindo, não importa o que eu fale aqui a respeito disso, só estando lá para sentir a aura desse gênio da música brasileira, que irradia competência e carisma. E isso encerra a resenha do show do baixista mais foda do mundo que come uma muié mais feia que a minha, mas ta limpeza.
Ósculos e Amplexos, galera.
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É não só o último, como também é O final da série. Um final digno, diga-se de passagem, que superou de longe o final apresentado no meia boca “Até mais, e obrigado pelos peixes!”.
Também é um dos melhores livros da série – e também, como todas as coisas da categoria “Best Of” que existam, é o mais curto de todos. Deguste com carinho e não fique com vergonha de gritar no final.
Pois você vai precisar, eu garanto.
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“Se a coisa continuar assim, eu vou explodir numa diarreia flautulenta”, era basicamente a unica coisa que eu estava pensando enquanto, no caminho para o Anhembi, eu revia os acontecimentos do dia, que se resumiam basicamente a duas ocorrencias de disenteria provocadas por alguma porcaria aleatória que eu havia comido – e, claro, independente de quanta porcaria eu coma todos os dias, a diarreia só vira quando menos me interessa: Com algumas milhares de pessoas entre min e o banheiro mais próximo.
Porem, questões de cunho mais urgente clamavam minha atenção naquele momento, pois se por um lado eu estava preocupado em como usar os banheiros do local sem pegar alguma doença, tal preocupação era inútil se eu não conseguisse chegar ao local – e eu realmente não tinha muita noção de como chegar lá, só que eu tinha que descer na estação Tiête e ir pra esquerda. Foi o máximo que eu consegui arrancar do Google Earth.
Ia sozinho e um tanto que cabisbaixo – tais preocupações, que tinham um irritante teor de seriedade no momento, em grupos geralmente viram piadas que envolveriam nós nos perdendo numa cova de estupradores corintianos. No momento, meu plano era seguir toda aquela gente de piercing, tatoos, camisas listradas, tênis adidas entre outros sinais que me indicava que aquele povo tava indo pro tim – ou para alguma grande convenção transviada.
Ao chegar no lugar, auxiliados pelos estereotipos ambulantes, me decepcionei um pouco com o lugar. Não tinha metade das coisas que o Tim de Bélem tinha, como o Bungee Jump ou mesmo ambiente de música elêtronica. Enfim, pra min tanto fazia na verdade, eu estava feliz de sentar num canto até os shows começarem.
Spank Rock abriu os shows do dia com um Hip-Hop irreverente e inusitado. Já tem um tempo que o gênero vem se tranformado na mais horrenda e fedorenta forma de expressão humana, com letras escritas por macacos no cio e estruturas músicais tão elaboradas quanto um soco nos bagos. O Spank Rock rebrou um pouca essa tradição usando samples mais criativos e uma batida mais proxima da música elêtronica que a maioria dos outros grupos (Guangues?) de hip hop.
Em seguida veio Hot Chip que, para compensar a injeção de lidocaina que é o CD de tão parado e a sua falta de popularidade, entupiu todas as músicas com as batidas elêtronicas mais furiosas possiveis, tranformada a bagaça toda numa tenda de eletro, o que foi divertido até um certo ponto. Quando a gorda que tava na minha frente começou a rebolar (!) e dançar, eu torci para ter um ataque de diseteria forte o bastante para responder fogo com fogo.
Ao fim de Hot Chip – que teve o show interrompido no meio graças a alguma falha elétrica – trilhões de auxiliares de palco invadiram o recem-terminado show do hot Chip e começaram – para ser delicado – a chutar o traseiro deles para fora e começaram a montar o que parecia ser o cenário para mais uma das apresentações do Cirque du Soleil. E era tanto equipamento, tanta bandeirinha, uns tantos estandartes de peixes e oviparos (!), mas foi tanta coisa que a arrumação do palco levou 1 hora inteira. Tava na cara que Björk era única com queixo o suficiente para poder atrapalhar o andamento dos shows por tanto tempo assim.
E, assim que o palco estava completamente entupido de tralhas e você pensava que não podia ficar mais colorido, entra uns tantos caras vestidos como um clipe do Artic Monkeys, carregando trompetes e tubas. Tocam uns troços e, na hora que eu deveria notar o baterista e o DJ entrando em cena, eu só pude notar que um rolo de papel crepom havia entrado no palco. E dançava!
Para os mais entendidos nas extravagancias da Islandesa, a cena é óbvia: Björk entra no palco vestindo algo que parecia tudo menos uma roupa. Após ter tirado etade da fantasia – eu atribuo isso a uma ataque de pânico, por que eu não imagino alguma coisa respirando ali dentro – começou a cantar, e a partir dai foi só felicidade.
Claro, eu que conheçia até as músicas mais undergrouds, foi um show e tanto, tanto do ponto de vista visual e músical. Para os montes de playboys e desavisados, foi provavelmente um empalamento lento e doloroso, como por exemplo, quando Björk tocou uma versão de Vökuró (do CD Medulla) apenas voz e cravo (!!). Era óbvio o desagrado de muita gente com o show – o que, de uma forma meio sádica, só aumentou o meu deleite.
E a Björk simplesmente disparou no meu Top 10 de “Coisas Fofas Pá Caraio” com a sua estatura de dar inveja à hobbits – se é que hobbits tem orgulho de seu tamanho – e os seus infusivos “obrigados” que pareciam estar saindo da boca de uma bêbê de 4 anos.
O show terminou numa chuva de papel picotado e tudo quanto foi barulho saindo daqueles sintetizadores ensadecidos. Coisa linda de se ver. Após mais uma hora para poder tirar toda a parafernália da Björk, foi a vez de Julliete and the Lickers arrasar no palco do Tim e me permitiu ir dormir um pouco e descansar para algum show de verdade.
E ela se retocia no palco, pulava, fazia sinais obcenos no palco, se enrrolava na bandeira brasileira, se jogava no chão, add infinitum… Eu já estava achando tudo muito divertido até a hora que ela pediu para as brasileiras rebolarem pois, ora, “vocês brasileiras sabem melhor que eu como fazer”. Fez o mesmo outra vez, só que dessa vez pediu para mexer “da tits”. E galera delirava. Lindo.
Depois que o descanso acabou (A.K.A. show da Jully) foi a vez do Artic Monkeys e, pelo estado de animosidade da galera, eu tava pensando que aquele show ia ser o troço mais insano da noite no quesito “pular como macacos congelados”. Ledo engano.
Falta uma coisa pro paulistano que para o belensense sobra: Desespero. Ora, paulistano, acostumado aos grandes shows, aparentemente sabe, mesmo que de uma forma inconsciente, que ele vai, hora ou outra, acontecer de novo. Portanto se contenta com uns pulinhos aqui, outros ali. Belensenes por outro lado, vão para um show como se fosse o último que fosse ter por ali – o que é verdade na maioria das vezes. Então, eles se matam, pulam todos juntos até o último e cansado acorde e saem “só o aro”, mas completamente satisfeitos.
E isso não aconteceu no Artcic. Neguinho simplesmente não quis dar o sangue pela diversão inominavel da insanidade temporária. pulavam por uns 10 segundos e paravam, isso por que eu tava no meião, local dos animos exaltados. não quero imaginar o animo do pessoal mais atrás.
Tirando isso, o show foi muito bom e eles tocaram muitas do novo CD, o que pra min foi ótimo, já que eu acho o primeiro só relativamente bom enquanto que o segundo é uma pancada na cabeça, de tão bom (?).
Show encerrado era a vez do The Killers encerrar aquela bagaça e eu prometi pra min mesmo, depois das decepções anteriores, que eu ia assitir dos cantos por que esse público era uma boa merda e eu ia ver o show de uma relativa tranquilidade.
E eis um show bonito de se ver. A decoração natalina – misturada com plantas tropicais (?) - dava um aspecto no minimo amigavel para o palco o que era reforçado pelo teor das músicas – esperançoso, feliz. Conseguiu arrancar de min o refrão de muitas músicas.
E acabou. A diarréia não havia vindo e eu estava já atisfeito só com aquilo. Os shows foram, em sua maioria melhores que qualquer um que eu tenha visto em Belém – o que para um garoto interiorano como eu, é um aspecto importante.
Segui a trilha de gente estranha até o metro e, quase desmaiando, segui para casa dormir. E chega que eu to cansado de escrever.



