Psicodélica


Mais uma vez, Tchau Belém
Outubro 28, 2009, 3:00 am
Arquivado em: Outros, Turist Guy

maceio

E mais uma vez saindo de território paraense rumo ao nordeste – desta vez sem compromissos musicais. O destino é Maceió (uma provável fornalha, tipo a detestável Belém) e o objetivo é um congresso de Psicologia Social, a ABRAPSO.

Todos querem beber e se divertir no ônibus. Eu só rezo para não ser assaltado na estrada. Estarei  levando meu pijama dos Simpsons e se tem algo que eu odiaria entregar nas mãos de ladrões de estrada, seria esta relíquia mexicana sem preço.

Até semana que vem (Ou quem sabe de alguma Lan House por lá).



Bar e Ética
Outubro 26, 2009, 1:06 pm
Arquivado em: Clave de Fá, Outros

Vamos, de um município a outro, carregando equipamento, se comprometendo com o tal compromisso profissional, chegando adiantados para podermos armar todo o equipamento no bar, esperamos bem umas duas ou três horas para esperar o tal do Lyoto Machida ganhar uma luta depois de apanhar nos cinco rounds para podermos começar a tocar, armamos o material e…

O cara manda a gente embora, por que tava tarde e queria fechar o bar.

Eu era contratado pela banda. Recebi minha grana de qualquer jeito – por que, ao contrário da maioria dos donos de bar, esse pessoal era sério – mas o pessoal não recebeu grana nenhuma. Não sei se o cara pagou posteriormente, mas me pergunto como pode esse cenário amadoristico se manter aqui em Belém, todo esse imenso desrespeito com uma classe trabalhadora como qualquer outra.

Ser músico obviamente é uma merda. Mas ser músico em Belém do Pará é, definitivamente, um castigo. Karmarrific!



Medo!
Setembro 9, 2009, 1:45 pm
Arquivado em: Outros, Sarcasmo

“Mas quem não se tiver dignado tomar a precaução de ser analisado não só será punido por ser incapaz de aprender um pouco mais em relação a seus pacientes, mas correrá também perigo mais sério, que pode se tornar perigo também para os outros. Cairá facilmente na tentação de projetar para fora algumas das peculiaridades de sua própria personalidade, que indistintamente percebeu, no campo da ciência, como uma teoria de validade universal; levará o método psicanalítico ao descrédito e desencaminhará os inexperientes.”

Sigmund Freud (Obras Completas volume XII, pag. 143)

Ou seja: Tôfú!



Duas Pernas
Agosto 12, 2009, 8:35 pm
Arquivado em: Outros

Aqui em Olímpia, interior de São Paulo – sim, estou em São Paulo no momento, participando do 45° Festival do Folclore com o BFAM – estamos alojados em uma pequena escola fundamental. Como seria indispensável a tal instituição, assim como o são as professoras e as carteiras pichadas, as muitas paredes das salas são adornadas com os mais diversos (e horríveis) desenhos, que ilustram ícones do imaginário infantil.

Não querendo desmerecer a boa intenção dos idealistas infantis, pois de boa intenção carecemos muito, apesar do que diz aquele velho ditado, mas as distorções aparentes nos velhos personagens são tão grotescas que venho a me perguntar em que estado de espírito estavam tais pintores, quando faziam os pés do carrancudo Pato Donald humanos, e não nadadeiras como é o normal, ou um Peter Pan, que parecia uma versão de Tim Burton para o personagem, de tão bizarro que este se apresentava, acompanhado de uma sininho que mais parecia um borrão de tinta.

Um destes personagens inscritos na parede me chamou a atenção hoje, enquanto andava pelo alojamento. Era um pequeno Saci, porcamente desenhado, dizendo através de um balão de fala as palavras “falta-me uma perna, mas sobra-me alegria”. Um belo exemplo de mentiras que contamos para nosso primo aleijado, para ele não se sentir mal quando não convidamos ele para a bola do fim de semana.

Mas existe algo errado com esta sentença. Como pode, de um Saci, faltar perna? Ora, não é ele Saci ao nascer e, durante todo o tempo que passa neste mundo, ainda um Saci? E não é o Saci algo diferente dos homens? Não falamos que sobram pernas a um cavalo, por ele ter quatro patas, nem que o reino Plantae inteiro nasceu aleijado, pela falta das pernas em arvores e arbustos. São de espécies diferentes do célebre Homo Sapiens Sapiens e ninguém estranha de não terem duas, e apenas duas, pernas.

Então por que seria diferente a concepção a respeito do Saci? Ora, diz-se que era um neguinho que perdeu a perna lutando Capoeira, mas sabe-se que essa é a versão já deturpada da lenda original, na qual o Saci é de nascença um ser mítico. Ora, sendo ele derivado de uma outra espécie, não lhe falta pernas, nem sobra. Nasceu daquele jeito e, dentro do seu próprio universo, é perfeito de corpo, assim como um polvo o é com seus multi-tentaculos.

Ou seja, se fores um Saci, amigo leitor, com seu computador, entocado em algum ponto do Brasil após um dia de peraltices e traquinagens, saiba: Não se irrite quando falam-lhe que te falta uma perna. O que sobramos de pernas, nos falta em bom senso.



Breve Historinha
Julho 13, 2009, 1:04 am
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Entrou no estúdio com o namorado. Ele era moreno, alto, de feições fortes. Achava-o bonito e tinha um certo orgulho disso. Exibia fotos dele para as amigas e enchia o peito de orgulho visceral quando bons comentários sobre ele chegavam-lhe ao ouvido. Com a mesma energia, combatia todas as críticas que ouvia.

A coisa da música já lhe era mais estranha. Não que achasse ruim ele saber tocar todos aqueles instrumentos – que independente da função ou forma, chamava de “violão” para todos os de corda e de “tambor” para os percussivos – mesmo porque foi assim que lhe havia conquistado: Um violão numa praia qualquer, com uma música que ela não lembrava mais.

Nunca viria a perceber que na verdade era um pequeno banjo que ele estava tocando naquele dia. “-Bonito violão”, ela tinha dito pra ele daquela vez. C’est la vie.

Mas muitas vezes sentia que a música era sua rival, ao invés de uma qualidade dele. Pensava nas horas que ele passava ensaiando, tocando ou simplesmente sentado cantarolando alguma besteira, e pensamentos amargos lhe atravessavam a mente: “Bem que ele podia tirar esse tempo para passear comigo no shopping, sair comigo… mas fica tocando esse tambor o dia todo. E a mão dele agora vive cheia de calos…”. E assim por diante.

Agora não pensava nisso. Estava o acompanhando na gravação do CD da banda dele. Não sabia direito qual era o estilo da banda, mas isso era o de menos. Tanto fazia se eles tocassem uma zurca ou death metal. A única coisa que ela sabia é que seria lançado nacionalmente e achava aquilo tudo muito promissor. Suas amigas iriam achar aquilo tudo belíssimo.

E podiam ir pro inferno se não gostassem.

Olhou para ele através do vidro que separava a câmara acústica da sala de edição, onde ela estava agora, e seus olhares se encontraram. Naquele mero olhar, soube de cara: estava completamente apaixonado por ela. “Ninguém olha para outra pessoa com esse olhar e não está apaixonado”. E, da parte dela, logo estaria perdidamente apaixonada também.

“Ou pelo menos vou aparecer assim nas fotos da ‘Caras’”, pensou entretida, olhando o namorado arrumar vários “violões” e “tambores”, plugando neles umas “cordinhas” que ela não fazia idéia do que eram.

***

Gostava daquela menina, mas se irritava um pouco com a aquela insistência dela em chamar o contrabaixo de violão. Mas isso não o incomodava tanto quanto aquele pedaço do seu próprio cabelo, que agora era um tufo rebelde caindo na sua testa. “Cabelo liso tem dessas coisas”, dizia.”Qualquer ventinho e ele fica todo assim…”.

“Qual era mesmo o nome dela…?”

Olhou para o espelho falso da câmara acústica e ajeitou o cabelo. Achava que tinha sorte de não poder ver a sala de edição porque odiava dar de encontro com alguém olhando-lhe. Perderia toda a concentração e estragaria seu dia. Ainda mais um olhar dela, que ele achava já ser meio vesga. C’est la vie.

Ficou parado olhando para seu rosto próprio por um momento. Eram dias e dias, e naquele especificamente, o seu queixo lhe parecia adequado à cara fina e alongada, o nariz saliente decorado por seus dois olhos castanhos. Parecia tudo encaixado naquele dia. Tudo parecia muito lindo. Muito perfeito.

Estava, de verdade, perdido de amor por si próprio. E não teve vergonha disso.



Sonho Pós-Apocaliptico
Junho 18, 2009, 2:49 pm
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Correu por dentre os destroços do que era antes uma provável floricultura – havia um pequeno cartaz semi-destruido jogado num canto com uma caricatura de uma jovial e sorridente planta, muito convidativa, que parecia um dia ter sido o letreiro da frente da loja.

“Engraçado as coisas que a gente presta atenção quando perseguidos por assassinos, não?!”, pensou amargamente enquanto pulava por uma parede de samambaias super crescidas e emergiu em um imenso orquidário, cujas orquídeas chegaram a tamanhos absurdos, transformando aquele espaço numa mini-selva.

“E sem a ajuda daqueles malditos floricultores que me cobravam 20 penses por vaso. Safados”, resmungou em voz alta enquanto pulava mais uma janela, dessa vez para uma paisagem mais familiar:destroços de uma antiga área residencial. Pequenos prédios de menos de seis andares que sucumbiram e haviam criado complexos labirintos de destroços, seus antigos estacionamentos subterrâneos eram agora abrigos cobiçados para aqueles que sabiam onde achá-los.

Ziguezagueou por dentre os destroços de vários carros, pulou alguns imensos blocos de concreto e correu por uma estreita passagem, que dava em uma longa rampa que conduzia para um estacionamento subterrâneo. Já não ouvia mais o som das motos, mas não conseguia parar de se sentir perseguido – e bem sabia que, de fato, estava mesmo. Conhecia a japonesa e sabia que ela só desistiria dele quando estivesse morto.

“Japonesa” era uma mercenária com a qual já trabalhara antes, mas nunca se dera ao trabalho de saber seu nome, no Maximo chamando-a de “Lucy Thai”, uma antiga atriz pornô da época de quando ainda existia internet e se gabava de seu imenso acervo de pornografia – uns 3 terabytes, apenas de vídeos, coletados durante uma adolescência triste e melancólica – ela provavelmente não sabia da etimologia do nome, mas se não gostava da nomenclatura, nunca lhe havia dito e quando terminaram o serviço que estavam fazendo, achou que nunca mais a veria. Viva, pelo menos.

Portanto havia sido com surpresa quando, naquela manhã, havia “esbarrado” com aquele rosto oriental mais uma vez, apontando um singelo Canhão de Assalto Barret Osaka M100, capaz de atravessar um tanque como se fosse manteiga, apontado para a sua têmpora. “Um exagero só”, exclamaria depois para seus companheiros, casso sobrevivesse para isso. E era o que estava tentando fazer a três quilômetros, com muita dificuldade.

Mas havia chegado ao seu “esconderijo sujo e nojento”, como costumava se referir a ele. Agora mais parecia o Bangalô Presidencial do Beverly Hills Hotel, entupido de bebidas e mulheres. Correu a longa rampa descendente, dobrou depois de uma parede que prometia despencar à menor ofensa e chegou em um pequeno amontoado de caixa encostadas na parede, onde estacam duas pessoas estavam sentadas entres as pilhas de equipamento.

Havia sido burro o suficiente para sair sem uma arma naquele dia e mais burro ainda de depender agora de duas pessoas que conhecera no dia anterior para lhe defender de uma possível assassina japonesa equipada com um canhão móvel que matariam a todos eles mesmo que fosse simplesmente jogado em cima deles.

- Cacete, tem alguém atrás de mim, caralho – correu para trás de um pilastra próxima, onde sentou-se – porra, peguem as armas, caralho, e atirem nessa filha-da-puta, anda porra!

“Era um recorde em palavrões por sentença”, gabou-se. Era um homem simples, com pensamentos simples.

As duas figuras pareceram espantadas o bastante para piscar uma ou duas vezes. Um deles chegou a quase bocejar, mas numa manobra impressionante, transformara o bocejo numa tosse, seguida de uma vigorosa lambida no lábio inferior, que parecia estar mais seco que o habitual.

- Bem que poderia chover um pouco, não é? Está muito seco ultimamente… – disse um dos homens.

Tanta ação havia deixado o personagem desta fabula tonto. Repetiu mais uma vez que estava sendo perseguido pela própria morte incorporada de traços nipônicos e que precisava de uma ajuda maior que uma análise climática para sair vivo dessa. Os dois olharam-no, levantaram um ou duas sobrancelhas e, por fim, deram de ombros. “Pelo menos fora algo mais parecido com preocupação, desta vez…”, pesou.

- Dê-me uma arma pelo menos, seus animais! – gesticulou com a sua mão para que lhe jogassem algum objeto de destruição em massa. “Algo como o CD da Celine Dion, sei lá”. Um dos homens começou a revirar uma pilha de entulhos. Foi quando o som da moto se tornou audível e o do ranger dos dentes do personagem completamente inaudível.

Duas motos, de repente, surgiram entre a pilastra e o pequeno acampamento. “Duas?”, pensou, “sério, eu queimaria todos os meus mangás se eu soubesse que esses japoneses safados iriam me sacanear assim um dia!” e não conseguiu deixar de notar que as motos pretas eram japonesas, a arma gigante, que estava mais uma vez apontada para sua cabeça, de uma empresa japonesa e aqueles olhos fechadinhos e sem expressão vinham de um maldito gene japonês. “Malditos.”

Thumbs Up!

Foi quando caiu algo ao seu lado. Tirou o olhar do longo cano apontado para si e olhou uma pequena pistola preta caída ao seu lado. Olhou para o acampamento e um dos seus companheiros lhe abria um amplo sorriso e lhe dava um “Thumbs Up!”, símbolo universal do “te fode, irmão!”. Estava fodido mesmo e, sem pensar muito, pegou a pistola, mirou a cabeça da japonesa e atirou.

“Rá tá tá tá”, mas nenhuma bala havia saído. Só um som que tentava, sem muito sucesso, desesperadamente ser o de uma metralhadora emergiu no espaço, agora silencioso, do estacionamento. Olhou melhor a sua arma e viu que ela tinha um pequeno fio que pendia da coronha, terminando numa pequena terminação elétrica que – ele sabia, conhecia bem aquele plug – deveria ser ligada num antiguíssimo Master System, ou aparelho similar. Era uma arma de brinquedo.

Olhou melhor a arma e leu “Sega” impresso na lateral. “Malditos japoneses, todos…”.

Pulou para frente da japonesa, seus pés amplamente separados e fixos no chão, apontou-lhe com firmeza a arma e, repetidamente, apertou o gatilho:

- Toma isso, e isso, PTIÚ, ah! Não esperava por, PTIÚ, por essa, não é? PTIÚ, PTIÚ!

Uma nota: “PTIÚ!” é a onomatopéia mais perfeita já criada para descrever disparos laser que se movimentam as velocidades menores que a da luz. Ou seja, os lasers de Star Wars, criados com o único objetivo de serem bloqueados. Depois de alguns disparos contra a japonesa – que defletia com o seu olhar cada disparo, como se seu sabre de luz se chamasse “DESPREZO” – correu em direção à moto preta e disparou um pouco contra ela:

- E você, sua maldito consumidora de combustíveis fosseis, mais isso e isso: PTIÚ! PTIÚ! Quem manda, PTIÚ, nesse pedaço são, PTIÚ, as bicicletas, PTIÚ, sua escrota filha da puta, PITÚ!

Ainda não satisfeito apontou para todas as direções e continuou a disparar contra tudo e todos: “E isso é, PTIÚ, para você seu mundinho escroto, PTIÚ, por ter se tornado tão miserável, PTIÚ, e nojento e por ter tirado de mim, PTIÚ, os meus blogs, PTIÚ, e as minhas, PTIÚ, redes piratas de, PTIÚ, compartilhamento de arquivo, PTIÚ, e PORNÔGRAFIA!

PTIÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ!

Soltou um último e longo disparo enquanto caia no chão de braços abertos, esperando o disparo fatal que lhe faria virar pó dois terços do seu corpo e uma boa parte do chão em baixo dele em um fumegante buraco. O que veio, no lugar disso foi o segundo motoqueiro, que havia ficado mais para trás, escondido atrás de uma pilastra. Retirou o capacete e revelou uma cabeça não muito menor que o capacete, cheio de veias e dispositivos mecânicos entranhados na carne.

- Temos uma proposta para você – falou o cabeçudo, enquanto desenrolava um longo papiro – está descrito aqui, em minúcias, nossos objetivos e filosofias políticas, também uma lista de pessoas que apo…

- Ô, tiozinho, pode parar com essa merda, aê. Não quero saber o por que queres fazer quaisquer merda – falou enquanto se levantava do chão, jogando energicamente a pistola contra seus companheiros, que continuavam tão surpresos quanto antes. Um deles havia começado a fazer as unhas do pé, enchendo o ambiente de um som característico: PLÉC – apenas diga o que é para ser feito: Estupre umas criancinhas, empurre uns velhinhos na rua, queime um orfanato. Tanto faz, só quero meu pagamento, ouviu?!

Com um triste olhar, o Cabeçudo olhou para o seu negligenciado papiro. Não era a primeira vez que alguém recusava a ler o seu texto tão bem redigido e preparado. Na verdade, ninguém, exceto ele mesmo havia lido a extensão toda, e se ressentia muito toda vez que alguém fazia aquilo. Guardou o papel sob a jaqueta de couro, escondeu uma lagrima e disse:

- Muito bem, trate dos preparativos com a Márcia, ela sabe de toda a missão e quaisquer outras coisas que precise saber – apontou para a japonesa.

Ficou um tanto quanto pensativo quanto à revelação do nome da japonesa. “Márcia?!”, “só pode ser brincadeira”. Então um pensamento lhe ocorreu e, antes que o cabeçudo, já de capacete posto, subisse na moto, perguntou-lhe:

- Ei! Quer dizer que era isso o tempo todo?! E vocês, seus dois fudidos sabiam desde o inicio também?! – apontou para os dois que riam – Então por que essa perseguição infernal por três malditos quilômetros, atirando em mim com esse maldito canhão?

O cabeçudo olhou para ele, depois para Márcia, soltou um riso abafado subiu na sua moto e, antes de ligar-la falou:

- Não sei direito, foi idéia dela. Algo haver com um filme pornô antigo: Weapons Of Ass Destruction n. 4, com Luci Thai.

Saiu zunindo com a moto pela rampa, deixando para trás o cheiro de combustível e borracha queimada, e o primeiro sorriso que ele já havia visto na boca daquela japonesa.

***

Foi ai quando acordei, triste por não saber ao certo qual era a tal missão, nem se eu conseguiria um dia sabe-lo.



Paranoia
Junho 15, 2009, 7:30 am
Arquivado em: Outros, Sarcasmo

paranoia

Não que eu ache impossivel, mas eu duvido que aquele carro preto estacionado a dois dias do outro lado da praça seja do FBI ou da KGB.

Acho que alguem da equipe do Chrome tomou um pouco mais do cereal NEUROSE n’alguma manhã.



O Quarto
Junho 13, 2009, 12:56 pm
Arquivado em: Nerd, Outros

claus

Este quarto é Deus.

Dutos elétricos enquanto artérias se conectam ao pequeno, porem luminoso, cérebro de 60W que pende do teto – sempre aceso. As tripas se remexem por dentre intestinos de madeira e jeans. Ciclope de nascença, esse deus, pois exibe apenas uma janela na parede norte, que permanece fechada e trancada, a maior parte do tempo.

Não tem porta, meu quarto.

Normalmente me perguntam: “Que fazes entre as vísceras do divino?!”. Não sei, de fato, mas converso com as paredes diariamente. Dou-lhe conselhos (as vezes dúbios, pois eventualmente não sei bem o que responder), trocamos idéias e as vezes desabafa comigo. Diz que está um pouco cansado, mas não consegue dormir, mesmo de olhos sempre fechados.

Me pergunto se não é culpa minha…

Como vim parar neste quarto é uma questão meio controversa – não lembro ao certo. De recordações, a maioria eram as dentre estas paredes. Mas nem sempre elas foram assim, de cor opaca, carregadas por infiltrações e uma ou outra rachadura a lhe ornar a tinta que descasca.

Tinha uma vaga recordação de quando aquele quarto era bem maior. Quanto maior, não sei ao certo, mas era imenso. Poderia se tentar correr de uma lado a outro sem encontrar os limites físicos da alvenaria. O teto era alto, tão alto quanto um teto poderia vir a ser e se estendia até onde eu conseguia focar minha visão. Era de um azul turquesa maravilhoso e denso. A lâmpada pedia de lá do infinito, mas não era de humildes 60w como a de hoje. Não, era muito mais forte, muito mais brilhante. Era como uma imensa explosão de calor por todo o ar ao meu redor.

Certa vez eu havia decidido andar em linha reta, até onde me permitissem os ligamentos de meus músculos e a sanidade de minha mente. Não sei por quanto tempo eu andei – nem o por que fiz isso – mas quando dei por mim, estava andando num espaço vazio, meus pés se apoiavam em coisa alguma, apenas um vazio negro. Pequenos focos luminosos passavam por mim, como insetos. Olhando de perto, tinham o formato de pequenas espirais luminosas, cheias de algo mais que luz.

Corri mais algum tempo e já não havia mais nada, nenhum foco de luz, nenhum inseto espiral nem nada, apenas escuridão. E quando pensei que minha consciência também se esvaia naquele vazio profundo, senti algo mais concreto sob meus pés. Então percebi que eu havia pisado num piso de madeira, que de repente surgia da escuridão, sem muitas explicações.

Notei também que, da mesma forma, surgiam duas paredes e já era possível vislumbrar o teto cingindo da escuridão a qual me encontrava. Chão, teto e paredes pareciam dirigir-se até um ponto à frente. Um vertice, como o canto de um quarto.

Andei mais e mais, à procura do ponto inicial, de onde surgia a estrutura. Pensando agora, era como uma versão aumentada do lugar que eu me encontro hoje em dia. E foi assim que eu cheguei no pequeno canto do quarto, onde reunia-se o teto e duas paredes, como se tudo aquilo fosse uma mera extensão de um quarto normal.

Havia uma janela fechada na parede esquerda. Indicios de um pequena infiltração também se revelava proximo ao vertice. Uma figura alta e forte, de longa barba branca e túnica de mesma cor me esperava lá. Ria como se eu estivesse contando uma piada. Estava sentado numa pequena poltrona de veludo vermelho. Falou-me alguma coisa enquanto sorria amplamente. Percebi, então, o quanto eu estava exausto. Meus olhos fechavam, fora de meu controle.

Foi quando ele convidou-me a voltar pra casa. Acordei olhando outra vez o azul turquesa, sentindo o calor de casa. Fora um sonho? Não sei ao certo.

Mas este tempo passara, e desde daquilo, tudo parecia ter lentamente se tranformado. O azul fora pouco a pouco substituido pelo forro de madeira, as imensidões confinadas e a lâmpada primordial brilhava agora fraca, muitas vezes falhando, dando sinais de cansaso. A janela era a mesma daquele evento, mas nunca mais eu havia visto o senhor de longas barbas.

Agora eu não mais corria alegre. Vivia deitado, ouvindo a voz triste e nostálgica que emanava das paredes. Sentia as contrações do quarto, pois era ainda vivo. Sempre fora. Sua imensidão anterior apenas dispersava a sua consciência. Agora, menor, estava lúcido – como alguem que, um pouco antes de morrer, ganha total onisciência de sua situação.

***

Um dia, senti algo estranho ocorrer. As paredes vibravam levemente, a voz gemia de dor. Fiquei a espera de alguma cataclisma, das paredes desabando em mim. Mas nada aconteceu. A lâmpada então apagou, espalhando aquela escuridão já conhecida pelo quarto. Tateei meu caminho até a janela. Tentei abri-la a primeira vez, mas sequer moveu-se.

Imprimi mais força na segunda investida e de súbito escancarou-se de forma inesperada. Uma luz estranha inundou o quarto e vi, atrás de mim, abrir uma porta – uma que eu nunca havia visto antes, mas não conseguia duvidar que estivesse ali desde sempre.

Vi de relance uma figura vestida de branco sair por ela. Decidi deixa-lo ir e segui meu próprio caminho. De um salto, voei pela janela, meu corpo modificou-se e meu pensamento não mais era pensamento. Solidificara-se.

Foi desse jeito que meus dias terminaram. Já não existem mémorias desde daquilo tudo. Apenas uma claridade insuportável, mas esclarecedora. Não preciso mais do quarto. Ou ele não precisa mais de mim. Tanto faz agora.

Converso com alguem que agora habita dentro de mim.



Foraclusão
Maio 22, 2009, 12:53 pm
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Toda criança teve, de uma certa forma, momentos nas quais se sentia num mundo ao qual julgava místico, fantástico, permeado pelas fantasias típicas das crianças: Achava que havia monstros abaixo do lençol, aglutinava travesseiros na forma de uma caverna e considerava-o castelo inexpugnável contra as forças do mal, considerava o pequeno pedaço de pau a própria Exacalibur renascida, enterrada na caixa de brinquedos, que faria papel da rocha mística. Coisas de criança, afinal…

Não posso dizer que não passei por isso também. Óbvio que sempre fantasiava sobre todas as coisas que conseguia ao meu redor. Até hoje lembro de como as sujas paredes do meu antigo prédio me eram como as paredes de uma antiga pirâmide asteca: Inexploradas, misteriosas.  Suas escadas um território proibido, donde os mais velhos viriam, mais tarde, com historias que excediam qualquer experiência que eu já tinha passado.

Tudo era novidade.

Mas eu tinha uma triste tendência, uma impressão que sempre deixava uma marca indelével em todas minhas memórias. Eu acreditava em minhas fantasias – tinha fé total na veracidade delas – mas o meu papel nelas sempre foi a de, no maximo, um mero observador, frustrado, incapaz de participar presencialmente daquelas historias. Atrás da porta sempre fechada que existia ao lado do refeitório da escola existia uma escada para algum lugar, um lugar maravilhoso – mas eu bem sabia que eu nunca poderia entrar ali. Era desse jeito que eu me sentia. De fora.

E fazia um bom tempo que eu não me sentia explicitamente assim, apesar de que eu ainda ache que tudo que eu faço hoje em dia tem uma certa reminiscência do modelo perceptivo daquela época. Mas, ora, outra vez eu me senti dessa forma dia desses e não pude deixar de notar o desconforto com a coisa toda.

Foi durante o ensaio do Coral do BASA, enquanto ensaiávamos a Ave Maria de Gounod que, outra vez, me vi de fora de algo que eu fantasiava. O coral estava disposto à frente da regente, que balançava seus braços e lançava por muitas vezes olhares carrancudos a um ou outro infeliz que desafinava naqueles lá sustenidos altíssimos que a música apresentava. Ao lado dela, de frente para todo o coral, estavam também o Tenor e Soprano solista, apoiados pela pianista que ensaiava conosco ali também.

Então, parado ali, cantando em uníssono com todo o coral a linha das contra-alto – o coral não havia agüentado o arranjos para quatro vozes, reduzindo todos os naipes a um só – eu via o limite. A separação entre eu e o que eu fantasiava todos os dias. Ali estavam os músicos, olhando para nós, esperando que fizéssemos tudo certo, e as pessoas comuns, torcendo para que suas performances agradassem o julgo dos músicos.

Eu, que de uma certa forma sou muito orgulhoso pelas qualidades musicais que obtive através dos anos (não sem uma certa dificuldade), me via imerso na massa amorfa das pessoas que não entendiam de sustenidos, achavam as cinco mágicas linhas do pentagrama difíceis demais para se aprender e não entendiam as maravilhas da polifonia vocal. Eu achava que sabia dessas coisas, mas eu não sei, afinal.

E, pensando agora, o pensamento que me ocorreu naquele momento foi não só humilhante, mas bem cafona: Lá estavam os quatro anjos que, com muita dedicação e paciência, tentavam ensinar meros mortais os dons da música. Traziam de além mar conhecimentos impares que dividiam em parte conosco, falavam a linguagem das notas musicais e liam suas partituras como se leria em voz alta um texto a uma platéia. Sem hesitação, sem erros. Eu, em minha arrogância, queria ser um daqueles seres místicos, mas eu não era. Era apenas um tolo. Via-os flutuar no frenesi musical enquanto que eu me esforçava para cantar o lixo de uma melodia em uníssono.

 Eram eles e nós.

E mais uma vez eu sentia o incomodo sentimento de que eu iria para casa e eles iriam para algum outro lugar – talvez aquela mesma porta ao lado do refeitório cujo interior eu apenas sonhava quando criança. Iriam até ela, abririam-na e me deixariam de fora, esmurrando-a, imaginando por que eu nunca poderia entrar ali. Por que eu nem sequer saberia onde ela levava.

As coisas não mudam mesmo. Coisas de criança… Ou como diria Lacan: “A verdade tem estrutura de ficção.”



Radiohead 2
Abril 1, 2009, 2:20 am
Arquivado em: Outros, Review, Turist Guy

Finalmente um post sóbrio.

Que dizer do Show? Ora, redundante dizer que foi incrivel, que foi um show entre shows. Mesmo os “convidados especiais” fizeram shows impecáveis (Discutível,ok , mas…) e incriveis. Veja bem, que foi aquele tal de “CrafitíVerkí”, hein?! Genial. Não pode haver fã que saiu decepcionado dali.

Ou melhor, quase nenhum…

Não me atirem pedra! E tirem o dedo do gatilho, peloamordedeus. Claro que foi bom. Não irei criticar, pois não há o que criticar. Eram eles lá no palco, como sempre foram, tocaram de forma incrivel, melhor que em qualquer apresentação que eu possa ter assistido por videos ou áudio. Era o Radiohead no ápice da sua forma.

E, ainda assim, não me comoveu.

Mas eu sabia, ali parado, entre a multidão frenética que cantava, chorava, brigava para poder ver um pouquinho mais daquele show, que o problema não eram eles. Era eu. Havia algo de errado comigo. Soube disso no momento em que comprei o ingresso, mas não quis acreditar. Senti durante a viagem toda a mesma sensação, mas duvidei que ela pudesse persistir. Até o último momento eu, de verdade, achei que mudaria. Não mudou. E como poderia…?

Não, me senti distante daquilo tudo. As músicas continuavam ótimas, as letras ainda tinham aquele aspecto nebuloso que sempre ma haviam me atraído. Mas eu havia mudado. Mudado demais, percebi isso só durante o show. No meio de National Anthem desisti de esperar que algo naturalmente me arrebatase de tal forma que as lagrimas espontaneamente caissem – da forma como eu imaginava que deveria ser. Forcei uma viagem para dentro de mim mesmo.

Eu me vi retornando para uns sete anos atrás – não sei ao certo, datas, periodos… são coisas que normalmente escapam de mim – quando me apresentaram Radiohead. O Tusa fez-me esse favor. Ele estava lá também, em algum lugar naquela multidão. Não era mais o mesmo garoto de onze ou doze anos que, corajosamente, resolveu mostrar para mim, um retardado de quinze anos musicalmente acéfalo, o “Kid A”, CD polêmico da banda. Logo esse. Pensei com carinho no Tusa neste instante (e carinho não é sinônimo de “sexo anal” – não neste contexto, pelo menos). Imaginei o que ele estava sentindo naquele exato momento.

Torci para que estivesse muito feliz.

Em “Pyramid Song”, expectativa. Esperei com vibração que aqueles acordes, que muito magicamente embalaram quase toda a minha adolescência, viriam a despertar os sentimentos que eu esparava vir. Mas nada veio. Repentianmente, me senti solitário, vazio. Era com um sentimento de estranheza, de distanciamento, que eu acompanhei aquela música. Minha namorava vibrava, gritava. He… ela vibrava tanto quando eu a carregava, por cima do mar de cabeças, que chegava a me roubar um sorriso ofegante (carregar pessoas não é o meu forte). Ao menor contato visual com a banda eu podia sentir o pequeno corpo dela trepidar nas minhas mãos, graças a algum sentimento que era negado à mim. Eu sentia apenas inveja.

logo em seguida, “Karma Police”. Concentrei-me em pensar no que aquela música significava para mim. A imagem era clara na minha mente. Eu, quando estava aprendendo a tocar o violão. Os acordes eram atacados de forma precária. A mão direita tremia, descordenada com a esquerda. Não sabia o que fazer direito. A voz tentava desesperadamente alcançar as notas.

Mas a música era inconfundível. Karma Police… eu cantava pra mim mesmo, feliz só por ser. A tristeza era um alívio naqueles tempos. Paradoxal… mas era como as coisas se apresentavam naquela época. Eu era feliz por me sentir triste. Era como se aquele sentimento agudo, que pressionava a minha garganta em direção à boca, e da boca saiam as primeiras estrofes de karma police, era como se aquilo tudo me fizesse sentir único, melhor que os que me oprimiam naquela época. Radiohead era o meu oásis particular. Minha tristeza diária que me permitia esquecer do desespero cotidiano.

Seguiu-se “Nude” e “Arpeggi”. Pensei a respeito do novo CD. Eu sabia que era bom – a capacidade de compor e arranjar as músicas haviam sido lapidadas pelo grupo – mas simpelsmente não me atingia. Não mais eu conseguia entender a mensagem. Antes aquelas letras tinham tudo que poderiam haver no meu mundo. Eram meus guias, minha biblias. Naquele momento aparentavam ser apenas palavras jogadas ao léu, incapazes de adquirir sentido ou forma concreta. Pensei o que havia mudado naquelas palavras…

… ou se era o meu mundo que tinha se tornado indiferente.

“Talk Show Host” e “Optmistic”. Namorada passa mal. Aparentemente não faz bem pular, gritar e chorar quando o suprimento de oxigênio é tão limitado pelo fato de que ela tem um metro e meio e estava imersa numa multidão. Saimos andando da parte mais central. Luto contra um mar de gente para chegar a uma área menos lotada. Começo a notar nos rostos e nas expressões das pessoas.

Era estranho, ninguem parecia estar com o estado de espirito que eu imaginava para mim – não estavam eufóricos como eu pensava que deveriam. Jesus, eles estavam parados, irritadiços, preocupados com quem ia e vinha, brigando. Pensei, então, se eu estava na mesma situação deles: Incomunicáveis, dessensibilizados à musica que estavam imersos naquele momento. Era eu apenas mais um naqueles que haviam vindo apenas por curiosidade? Será que não mais havia nenhum laço com aquela banda? Será que um dia eu havia tido?!

Todos esses pensamentos corriam pela minha cabeça enquanto eu escoltava a namorada para um lugar mais tranquilo. Seguiu-se uma sequencia de músicas, entre “Idioteque”, “Exit Music”, “Climbing up The Walls” quando nos acomodamos… Eu, nesse ponto já tinha certeza: Algo havia se perdido no caminho.

Foi algo que também aconteceu no show do Los Hermanos, mas que me atingiu com muito menos violência que no show do Radiohead. Já me emocionei muito nnas apresentações do Los Hermanos, a ponto de varios pequenos choros. As letras sempre me pareceram bonitas, vivas de cores. Uma pintura onde as tintas eram messuradas não em quantidades de cores primárias, mas em decibéis.

E no show deles eu canatava, me divertia, mas não era a mesma coisa. E eu sabia que a letra ainda era boa, eu sabia que ainda eram apreciáveis. Mas o elemento que me unia a elas havia se perdido. Será que essas coisas só funcionam por uma época? Todo aquele ardor, aquelas vivências que eu tive com essas bandas… Será que estariam para sempre presos no limbo do passado? Confinados através das solidas paredes dos meus preconceitos da vida adulta, onde são sufocados os sonhos e anseios adolescentes num saúdavel desespero cotidiano?

Eram esses pensamentos que me distraiam. E quando notei, já estava tocando “Everything in its Right Place”. Quase a última. Gostei. Foi bonito. Aquele era o meu mantra favorito para as tardes tediosas, sob o vento de um ventilador. O sol queimava lá fora. Eu pensava nas coisas que eu gostaria de ser. Fiquei irritado. Decidi encerrar ali a minha viagem pessoal à infancia. O Radiohead havia sido bom, mas não foi o que eu queria que fosse.

Talvez se esse show tivesse acontecido a três ou quatro anos atrás… Não sei. Eu tinha algo naquela época, que me fazia amar com intensidade essas melodias. E não é o interesse e a paixão pela música que mudou – não, pelo contrário, ela se ampliou, amadureceu. Eu sinto mais coisas e com muito mais intensidade que antes. Mas por algum motivo essa banda, que marcou o inicio da minha vida como um individuo que aprecia música, que me acompanhou por todas a minhas tristezas e alegrias…

De alguma forma, eu perdi a conexão. Eu mudei demais. Já não era o show da minha vida. A janela para isso havia sido fechada, anos atrás. Em que ponto, eu ainda me pergunto.

Eu era pura solidão quando eles terminaram “Creep”. Deram tchauzinho e nunca mais voltaram. E, para mim, nunca mais voltariam.

“Adeus, Radiohead. Obrigado por tudo”. É hora de ir em frente. Pra onde, não sei.