Tava tão “nem ai” para esta merda que nem vou me incomodar de usar a logo do festival do ano passado para ilustrar este post.
Como sempre, meus comentários podem ser taxados de “tendenciosos” e “cheios de maldade”. A unica explicação para tamanha infâmia, imagino, deve residir no fato de que as pessoas que falam tais coisas devem ter sido, alguma vez, alvo de meus comentários tendenciosos e cheios de maldade. Coisas da vida.
Bem, um monte de gente inútil já falou o que tinha que ser dito sobre as baboseiras e ”rockeirisses” pertinentes ao festival, ainda mais por que tais pessoas devem ter ido a todos os dias do festival. Eu fui só no domingo.
Por que me deram convite.
Não me era possível, particularmente, sentir mais desinteresse pelo festival, suas bandas e atrações. Dizem que houveram bons shows. Não sei. Pergunte para a galera do “E as melhores banda foraaaaaaaaaaam…” supracitadas ai. Não que eu não adore transformar eventos “culturais” em disputas egomaniacas por títulos desprezíveis e narcisicos, mas eu não estou muito no humor da bajulação.
Não, não, eu só queria ficar bêbado. Jesus, isso é pedir muito?!
E eis a faceta que eu gostaria de discutir do festival. A parte dele em que o jovem rapaz – estereotipadamente negro, com tênis da Nike e camisa da Adidas – oferece prontamente seus serviços de traficante de pó, do THC distribuído como se fosse a hóstia hyppe, etc…
Pareço estar jogando pedra, não? Logo eu, o bebum?! Não, amigos, longe disso. Pelo contrário: Cumprimento-os. Saúdo a todos que ficaram chapados durante o evento, que ofereceram cocaína ao desconhecido no banheiro (caridade!), que, na falta de efetiva seda, usaram o papel da programação do festival para bolar o preto, que entraram com garrafas de cachaça, vodka, santo daime (!!!) e outras coisas não-tão-licitas-neste-hemisfério. Obrigado a todos.
Pois, afinal de contas, que melhor prova do absurdo fracasso de um público para com seu festival, senão da completa alienação de um para com o conteúdo do outro, hã?
O que quero dizer com isso? Ora, simples: o festival pouco se lixava com quem era o seu público (ou o que usavam) e o público pouco se importava com quem fazia parte do festival. As bandas, analogamente, não poderiam dar menos atenção à ambos. Um era meramente o combustível dos prazeres pessoais do outro. O festival tinha o seu público – para dizer que “bombou” – as bandas tinham pessoas para bater palmas – e dizer que “quebrou tudo” – e as pessoas tinham barulho para praticarem suas excentricidades – e dizer que “arrasaram” no festival mais “bombação”.
“MAS EU AMO PATO FÚ, PORRA! FERNANDA TAKKAI, LINDA, GOSTOSA, FUDIDA, QUERO CHEIRA PÓ NA BUNDA DELAAAAAA!”
Eu sei, meu bein. Eu sei. Tinham as bandas que amávamos, compramos ingressos só pra vê-las e etc etc. Mas, da mesma forma que amamos o show deles, amamos também o show do Popsom (eram eles?), não amamos? De formas diferentes, talvez? Só pra curtir? Sim, talvez, mas ainda assim, ambos funcionaram de formas similares para um mesmo objetivo. O objetivo real de todo mundo que foi pra lá, a unica coisa que levou um público consideravel para aquele lugar dos infernos:
Vontade de se divertir.
“SEU PORCO FACISTA, FILHO DA PUTA, QUEM NÃO QUER SE DIVERTIR, SEU VIADINHO CHUPADOR DE …”
Calma, migs. Pegue uma saca de cem e se acalme. Não estou dizendo que há um problema nisso. O Se Rasgum, em ultima instância, não passa de entretenimento para as massas – vide a palavra “alienação” acima – e não há como fugir disso. Mas como se diverte essa massa que é a parte que me interessa. E não critico-a, devo ter que relembrar! Mas observo…
Não existe prazer na música em si. É necessário um mar de bebidas e outros vícios – no meu caso, o Sr. Presidente bastou, com alguns aditivos naturais – para um efetivo aproveitamento das atrações do festival. Não, não são todos, é verdade. Existem uns pouco (ou muitos, depende da visão) desafortunados, que não acham prazeres nos vicios mais antigos e parasiticos da humanidade.
Um minuto de silêncio para tais pessoas.
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Mas eis o ponto que quero chegar: O ponto em que o festival fracassa completamente. Seu público uma farsa. Suas bandas, meras iscas decorativas. Céus, se fosse possível alugar um local grande o suficiente e enche-lo de bebidas, pílulas e certas espécies vegetais e cobrar dez reais pela entrada, creio que conseguiríamos efeito similar ao Se Rasgum. Um monte de gente alucinada, suscetível a qualquer estimulo externo para pirar. No caso, bastaria um CD do Frank Aguiar e o botão de “Repeat” para entreter meio milhão de pessoas.
Mas, ora, chega disso. Estou até surpreso com o numero de palavras e carinho que estou investindo neste tema. Não, ignorem este tolo rabugento. Não sei o que digo, quero meramente a vossa atenção. E, falando nisso, sabe o que eu fiz quando anunciou Matanza no palco principal?
Dormi. E a namorada – apoiou. Ô bandinha ruim. Tão ruim que nem baixo ou vocal tinha. Seriamente, se fosse para ouvir banda que falasse de putaria, eu preferiria Velhas Virgens, que não só falam de bebida, mas também, no pacote, coisifica a mulher, reduz todo mundo a pica e boceta e – com lágrimas no olhos, afirmo – me faz lembrar a ideologia que pregava que as mulheres tinham duas funções no cosmos: Trepar e levar porrada.
“Foda-se a mulher porra. Eu… tô… CHAPADOOOO!”
Ah, porra. Assim é foda. Desce três bikes e uma Roskoff, por favor? Quero me divertir um pouco.
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Eu e o Sr. Presidente costumavamos conversar na praia de Maceió. Falavamos de futilidades e ofendiamos os alagoanos mais próximos. Tudo era alegria até o meu amigo ser deposto e mandado ao exílio.
Ainda tentou voltar de novo, nos braços do povo, mas acabou morrendo pelo mesmo povo que o trouxe de volta. Coisas da vida. Ai fui embora de Maceió.
Mas cá estou eu, em Belém, ansioso pela terceira visita dou meu amigo democrata. Tenho uns amigos quee vão gostaaaaar…

E mais uma vez saindo de território paraense rumo ao nordeste – desta vez sem compromissos musicais. O destino é Maceió (uma provável fornalha, tipo a detestável Belém) e o objetivo é um congresso de Psicologia Social, a ABRAPSO.
Todos querem beber e se divertir no ônibus. Eu só rezo para não ser assaltado na estrada. Estarei levando meu pijama dos Simpsons e se tem algo que eu odiaria entregar nas mãos de ladrões de estrada, seria esta relíquia mexicana sem preço.
Até semana que vem (Ou quem sabe de alguma Lan House por lá).
Vamos, de um município a outro, carregando equipamento, se comprometendo com o tal compromisso profissional, chegando adiantados para podermos armar todo o equipamento no bar, esperamos bem umas duas ou três horas para esperar o tal do Lyoto Machida ganhar uma luta depois de apanhar nos cinco rounds para podermos começar a tocar, armamos o material e…
O cara manda a gente embora, por que tava tarde e queria fechar o bar.
Eu era contratado pela banda. Recebi minha grana de qualquer jeito – por que, ao contrário da maioria dos donos de bar, esse pessoal era sério – mas o pessoal não recebeu grana nenhuma. Não sei se o cara pagou posteriormente, mas me pergunto como pode esse cenário amadoristico se manter aqui em Belém, todo esse imenso desrespeito com uma classe trabalhadora como qualquer outra.
Ser músico obviamente é uma merda. Mas ser músico em Belém do Pará é, definitivamente, um castigo. Karmarrific!
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Sabe, eu não lembro quando eu criei o Psicodélica. Só me recordo que o fiz por que eu queria montar uma banda com esse nome – a minha “banda dos sonhos”, imaginava – e iria registrar as minhas aventuras bandisticas aqui, para que os milhares de usuários do site se deleitassem com a minha vida-mais-interessante-que-a-deles. Que compartilhassem as minhas músicas, que disponibilizaria aqui e etc, etc, etc…
Engraçado.
Nem banda-dos-sonhos, nem usuários, nem coisa alguma veio. Só uma pontinha de amargura e todos esses anos de fracassos acumulados. O blog continuou, eu, com mais ou menos freqüência, postava algum texto mal redigido e cheguei até a transformar essa joça num site para disponibilizar CD’s para downloads (!!!). Tudo ao longo desses seis anos – ou sete, ou oito. Já nem lembro mais o ano, quando este blog ainda era hosteado no Weblogger. Só sei que de vez em quando eu lembro que estou ficando velho, sem muita coisa para mostrar aos meus descendentes (se os tiver!), ai penso na minha vida até aqui e lembro do blog.
E o meu blog sempre esteve aqui, ao alcance dos meus apelos catárticos, minha vontade de falar o que eu quisesse. Onde não haviam ouvidos, havia o teclado. Onde não podia compartilhar com os ditos amigos, me vestia sob a carapuça do quasi-anonimato que um blog pode oferecer. Quando quis gritar para o mundo, virei para o meu computador e esmurrei as pequenas teclas. Pode ser um blog perdido no mar imenso da blogosfera, sim, mas ainda assim é o meu blog. MEU. Parte importante, esse pronome possessivo.
E talvez ele vá ser importante para alguém um dia.
Mas até lá, fazemos anos, decadas de existência – não importa o valor. Gosto de estar aqui, gosto de escrever aqui, seja nesse servidor ou em outro. E, por isso, comemoro não um aniversário, mas sim a recorrente percepção de ainda estar aqui, depois de tanto tempo.
…
E para comemorar, atualizei a imagem de cabeçalho do blog para esta G-L-O-R-I-O-S-A imagem minha, adornada de umas letras fru-fru e tudo mais.
SIM! O texto todo é uma desculpa para por uma foto minha aqui. Se lembram do pronome “MEU”?! Então, pois é… ;x
“Mas quem não se tiver dignado tomar a precaução de ser analisado não só será punido por ser incapaz de aprender um pouco mais em relação a seus pacientes, mas correrá também perigo mais sério, que pode se tornar perigo também para os outros. Cairá facilmente na tentação de projetar para fora algumas das peculiaridades de sua própria personalidade, que indistintamente percebeu, no campo da ciência, como uma teoria de validade universal; levará o método psicanalítico ao descrédito e desencaminhará os inexperientes.”
Sigmund Freud (Obras Completas volume XII, pag. 143)

Ou seja: Tôfú!
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Um velho estranhou meus dreads numa fila de banco hoje. Tinha um chapéu de Cowboy, pinta de interiorano e muita vontade de fazer amigos. Eu, de minha parte, tinha acabado de chegar do calor miséravel da rua e pensava em como destruir o mundo com o conteudo da minha mochila. Uma combinação propicia.
- Ôoo, meu filho, isso é de verdade? – Falou o velho manipulando os meus dreads.
- Não senhor, eu tiro toda noite.
- Ahh… – Ele não pareceu acreditar muito.
Um silêncio meio constrangedor atingiu a fila. Resolvi então falar com o velho:
- Ôoo, tio! E esses ai? São de verdades?
- O que, meu filho?
- Esses seus dentes.
- …
- Não?
- Tá, empatamos!

Ao ouvir Icefire agorinha, me dei conta de algo: Fazia muito tempo que eu não ouvia essa música…
Tempos negros, amigos… Tempos amargos.
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Aqui em Olímpia, interior de São Paulo – sim, estou em São Paulo no momento, participando do 45° Festival do Folclore com o BFAM – estamos alojados em uma pequena escola fundamental. Como seria indispensável a tal instituição, assim como o são as professoras e as carteiras pichadas, as muitas paredes das salas são adornadas com os mais diversos (e horríveis) desenhos, que ilustram ícones do imaginário infantil.
Não querendo desmerecer a boa intenção dos idealistas infantis, pois de boa intenção carecemos muito, apesar do que diz aquele velho ditado, mas as distorções aparentes nos velhos personagens são tão grotescas que venho a me perguntar em que estado de espírito estavam tais pintores, quando faziam os pés do carrancudo Pato Donald humanos, e não nadadeiras como é o normal, ou um Peter Pan, que parecia uma versão de Tim Burton para o personagem, de tão bizarro que este se apresentava, acompanhado de uma sininho que mais parecia um borrão de tinta.
Um destes personagens inscritos na parede me chamou a atenção hoje, enquanto andava pelo alojamento. Era um pequeno Saci, porcamente desenhado, dizendo através de um balão de fala as palavras “falta-me uma perna, mas sobra-me alegria”. Um belo exemplo de mentiras que contamos para nosso primo aleijado, para ele não se sentir mal quando não convidamos ele para a bola do fim de semana.
Mas existe algo errado com esta sentença. Como pode, de um Saci, faltar perna? Ora, não é ele Saci ao nascer e, durante todo o tempo que passa neste mundo, ainda um Saci? E não é o Saci algo diferente dos homens? Não falamos que sobram pernas a um cavalo, por ele ter quatro patas, nem que o reino Plantae inteiro nasceu aleijado, pela falta das pernas em arvores e arbustos. São de espécies diferentes do célebre Homo Sapiens Sapiens e ninguém estranha de não terem duas, e apenas duas, pernas.
Então por que seria diferente a concepção a respeito do Saci? Ora, diz-se que era um neguinho que perdeu a perna lutando Capoeira, mas sabe-se que essa é a versão já deturpada da lenda original, na qual o Saci é de nascença um ser mítico. Ora, sendo ele derivado de uma outra espécie, não lhe falta pernas, nem sobra. Nasceu daquele jeito e, dentro do seu próprio universo, é perfeito de corpo, assim como um polvo o é com seus multi-tentaculos.
Ou seja, se fores um Saci, amigo leitor, com seu computador, entocado em algum ponto do Brasil após um dia de peraltices e traquinagens, saiba: Não se irrite quando falam-lhe que te falta uma perna. O que sobramos de pernas, nos falta em bom senso.
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Entrou no estúdio com o namorado. Ele era moreno, alto, de feições fortes. Achava-o bonito e tinha um certo orgulho disso. Exibia fotos dele para as amigas e enchia o peito de orgulho visceral quando bons comentários sobre ele chegavam-lhe ao ouvido. Com a mesma energia, combatia todas as críticas que ouvia.
A coisa da música já lhe era mais estranha. Não que achasse ruim ele saber tocar todos aqueles instrumentos – que independente da função ou forma, chamava de “violão” para todos os de corda e de “tambor” para os percussivos – mesmo porque foi assim que lhe havia conquistado: Um violão numa praia qualquer, com uma música que ela não lembrava mais.
Nunca viria a perceber que na verdade era um pequeno banjo que ele estava tocando naquele dia. “-Bonito violão”, ela tinha dito pra ele daquela vez. C’est la vie.
Mas muitas vezes sentia que a música era sua rival, ao invés de uma qualidade dele. Pensava nas horas que ele passava ensaiando, tocando ou simplesmente sentado cantarolando alguma besteira, e pensamentos amargos lhe atravessavam a mente: “Bem que ele podia tirar esse tempo para passear comigo no shopping, sair comigo… mas fica tocando esse tambor o dia todo. E a mão dele agora vive cheia de calos…”. E assim por diante.
Agora não pensava nisso. Estava o acompanhando na gravação do CD da banda dele. Não sabia direito qual era o estilo da banda, mas isso era o de menos. Tanto fazia se eles tocassem uma zurca ou death metal. A única coisa que ela sabia é que seria lançado nacionalmente e achava aquilo tudo muito promissor. Suas amigas iriam achar aquilo tudo belíssimo.
E podiam ir pro inferno se não gostassem.
Olhou para ele através do vidro que separava a câmara acústica da sala de edição, onde ela estava agora, e seus olhares se encontraram. Naquele mero olhar, soube de cara: estava completamente apaixonado por ela. “Ninguém olha para outra pessoa com esse olhar e não está apaixonado”. E, da parte dela, logo estaria perdidamente apaixonada também.
“Ou pelo menos vou aparecer assim nas fotos da ‘Caras’”, pensou entretida, olhando o namorado arrumar vários “violões” e “tambores”, plugando neles umas “cordinhas” que ela não fazia idéia do que eram.
***
Gostava daquela menina, mas se irritava um pouco com a aquela insistência dela em chamar o contrabaixo de violão. Mas isso não o incomodava tanto quanto aquele pedaço do seu próprio cabelo, que agora era um tufo rebelde caindo na sua testa. “Cabelo liso tem dessas coisas”, dizia.”Qualquer ventinho e ele fica todo assim…”.
“Qual era mesmo o nome dela…?”
Olhou para o espelho falso da câmara acústica e ajeitou o cabelo. Achava que tinha sorte de não poder ver a sala de edição porque odiava dar de encontro com alguém olhando-lhe. Perderia toda a concentração e estragaria seu dia. Ainda mais um olhar dela, que ele achava já ser meio vesga. C’est la vie.
Ficou parado olhando para seu rosto próprio por um momento. Eram dias e dias, e naquele especificamente, o seu queixo lhe parecia adequado à cara fina e alongada, o nariz saliente decorado por seus dois olhos castanhos. Parecia tudo encaixado naquele dia. Tudo parecia muito lindo. Muito perfeito.
Estava, de verdade, perdido de amor por si próprio. E não teve vergonha disso.

